Neste blog utilizo textos e imagens retiradas de diversos sites na web. Se os seus autores tiverem alguma objecção, por favor contactem-me, e retirarei o(s) texto(s) e a(s) imagem(ns) em questão.
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03 outubro 2011

A lusofonia e o Desporto


Em 1997, Xanana Gusmão, líder da guerrilha timorense, encarcerado na prisão de Cipinang, em Jacarta, Indonésia, desde 1992 (seria libertado em 1999), foi fotografado na companhia de outros detidos e essa imagem, que teve um significado político muito especial, deu a volta ao Mundo. É que, no momento da foto, para mostrar a ligação afectiva a Portugal, que esgrimia argumentos, na ONU, com a Indonésia, pelo direito do povo de Timor Leste à autodeterminação, Xanana decidiu usar um boné do Benfica, o clube do seu coração.

Em Maio do ano passado, Luís Filipe Vieira e Nuno Gomes estiveram em Timor Leste a convite de Xanana, estabelecendo pontes para uma ligação mais efectiva entre povos que se conhecem desde 1702. Foi uma viagem fantástica, que teve no encontro com Xanana Gusmão, em Maubisse, durante uma acção de democracia directa que o líder timorense aí levava a cabo, o ponto mais alto.

Em plena zona montanhosa, a dois passos do Monte Ramelau - durante séculos o ponto mais alto do Império português - depois de ultrapassar centenas de curvas, apenas amenizadas pelo divino cheiro a café que vinha das plantações, a comitiva encarnada ouviu, então, de Xanana, um grito do fundo da alma, «Viva o Benfica!», que comoveu Filipe Vieira mais do que tudo o que viveu do outro lado do Mundo.

Ontem, Xanana esteve em Lisboa e o encontro entre os dois homens era inevitável. Porque Xanana Gusmão é benfiquista e não só: porque o Desporto, seja qual for a modalidade ou o clube, é o mais forte elo da ligação entre os povos lusófonos, um meio privilegiadíssimo para todos nos sentirmos mais próximos, no respeito pela independência de cada um, mas também na comunhão de paixões.

12 novembro 2010

Segredo está na coesão interna


QUANDO o Benfica decidiu estar presente nas celebrações do 35.º aniversário da Independência de Angola, muitos torceram o nariz a um jogo que ia obrigar a equipa de Jorge Jesus, entre duas jornadas da Liga Zon-Sagres, a uma viagem-relâmpago a Luanda.
Porém, na ressaca da derrota no Dragão, poucas coisas poderiam ter um efeito tão regenerador como uma mudança de ares. Os encarnados recuperaram a auto-estima em Angola, onde foram embaixadores de excelência de Portugal, ao mesmo tempo que carregaram baterias para o resto da temporada.
Há uma semana, no Dragão, a Lei de Murphy aplicou-se ao Benfica: tudo o que podia correr mal, correu pior. Depois de um início de época atribulado, entre exibições menos conseguidas e arbitragens penalizadoras, a goleada sofrida frente ao FC Porto representou o ‘bater no fundo’ do Benfica. Agora, na Luz, é tempo de cerrar fileiras e atacar todas as competições com a convicção de que, depois da tempestade, vem sempre a bonança.
Os 20 jogos que faltam disputar na Liga, a Taça de Portugal, a Champions e a Bwin Cup constituem um desafio global que nunca será superado com êxito só por jogadores, ou técnicos, ou dirigentes, ou sócios ou adeptos… Só um clube unido, sem brechas nas fileiras, estará à altura de tão exigente demanda.

PS – Em 1986/87, a 16 jornadas do fim, o Benfica foi goleado por 7-1 em Alvalade. Os encarnados sobreviveram à humilhação e sagraram-se campeões. E nem as vicissitudes de um acto eleitoral (João Santos derrotou Fernando Martins)que teve lugar na recta final do Campeonato corromperam a coesão do clube ou minaram o balneário.

07 maio 2010

Fim-de-semana alucinante... - Por José Manuel Delgado

Por José Manuel Delgado in A Bola

FIM-DE-SEMANA alucinante, é o mínimo que pode dizer-se do que vai acontecer, amanhã e depois, em vários campeonatos europeus, a começar pelo nosso.

Por mérito do Benfica, que já soma, nesta altura, mais três pontos do que aqueles que o FC Porto precisou para conquistar o título em 2008/09; e por mérito do Sp. Braga, que já igualou o score dos dragões na época passada e voa para o Funchal com a frase de José Torres em 1985 a martelar-lhe a mente: «Deixem-me sonhar.»

Emoção, pois, prometida, para a Luz e Choupana.

Mas em Espanha as coisas não serão menos intensas. Cristiano Ronaldo tem transportado o Real Madrid às costas e será com ansiedade que os merengues vão seguir a explosiva deslocação do Barcelona a Sevilha, quiçá a última hipótese que têm de festejar em Cibeles.

Em Inglaterra, Chelsea e Manchester United lutam ombro a ombro pelo título e em Itália o Inter de Mourinho pode dar mais um importante passo para o segundo scudetto.

Decididos, além da Bundesliga, estão os campeonatos holandês e francês. No país das túlipas, o campeão foi o Twente, equipa que foi eliminada, esta temporada, na pré da Champions, pelo Sporting. No hexágono foi o Marselha, eliminado pelo Benfica nos oitavos-de-final da Liga Europa, a sagrar-se campeão. Ou seja, os eternos rivais tiveram prestações europeias positivas, contra adversários provavelmente avaliados demasiado por baixo.

PS — Falcao e Cardozo têm marcada, para sábado e domingo, uma luta especial, pela Bola de Prata. Dois grandes goleadores!

23 abril 2010

Futebol entra na idade adulta - Por José Manuel Delgado


Por José Manuel Delgado in A Bola

SERÁ que, finalmente, o futebol português começa a ver luz e a despontar para a razão? Assim parece. As muralhas da lógica redutora e maniqueísta, que foram abaladas pela coragem que presidiu ao mandato de Hermínio Loureiro, estão prestes a ruir. Ontem, aquilo em que poucos acreditariam há apenas uns meses, aconteceu. Os presidentes de Benfica e Sporting manifestaram público apoio à candidatura de um portista, Fernando Gomes, até há pouco membro da SAD dos dragões. Quer isto dizer que o interesse superior da indústria do futebol está a levar a melhor sobre as capelinhas de interesses mesquinhos e clubismos arcaicos que permitiram, no passado, que vários senhores feudais prosperassem, em detrimento do bem comum. Sopram, imparáveis, ventos de mudança e é bom que Benfica e Sporting, os clubes com mais adeptos em Portugal, surjam ao lado de um projecto credível, de ideias arejadas e modernas. Nos conceitos que propõem, os eternos rivais coincidem em quase tudo; ao nível dos princípios, nada os distingue, são entidades de bem. Era, pois, um desperdício que não se entendessem em matérias estruturais, apenas por questiúnculas conjunturais. Fernando Gomes conseguiu uni-los em torno de um programa que não vai discutir penalties ou foras-de-jogo, e está baseado ambiciosa proposta de relançamento da indústria do futebol. Que precisa de continuar a ter quem por ela pugne, quem aceite o desafio de fazer ainda melhor que Hermínio Loureiro. O jantar de ontem, no Altis, que reuniu Fernando Gomes, Bettencourt e Vieira deve ficar registado, para memória futura. Porque pode marcar o antes e o depois no futebol português.


10 abril 2010

Adeus Europa - Por José Manuel Delgado

Por José Manuel Delgado in A Bola

Acabou a época europeia das equipas portuguesas. Esperar-se-ia, quiçá, mais do Sp. Braga, provavelmente um pouco menos do Nacional, e se as exibições do Sporting, especialmente na fase de grupos, não foram de encher o olho, o que os leões fizeram com o Everton e o Atl. Madrid foi suficiente para que saíssem de cabeça erguida e pergaminhos intactos da UEFA. Quanto ao FC Porto, o senão de ter sofrido um seco 5-0 em Londres marcou-lhe a imagem, mas chegar à fase de eliminatórias acabou por não deslustrar.

Finalmente o Benfica. Ontem, em Anfield, os encarnados pagaram a factura de uma época de grandes exibições, de um futebol que se por um lado empolga, por outro, por não ser calculista, desgasta muito mais. No início da temporada, o estado-maior benfiquista definiu a presença nos quartos-de-final da Liga Europa como uma resultado que seria muito positivo. A equipa de Jesus, depois de alguns jogos fantásticos — 5-0 ao Everton, vitória em Marselha e capacidade para levar de vencida, na Luz, o Liverpool — foi eliminada no duelo que foi considerado como a final antecipada da Liga Europa. Encerrado este capítulo, cinco jogos separam os encarnados do fim da época, três em casa, com Sporting, Olhanense e Rio Ave, e dois fora de portas, com Académica e FC Porto. Detentor de meia dúzia de pontos de vantagem sobre o vice-líder, Jesus deverá agora recuperar a equipa física e psicologicamente para o clássico de terça-feira. Por seu turno, os adeptos, passado o duche gelado de Anfield, devem meditar no conjunto da época e cerrar fileiras para a recta final. Porque há muitos, mas mesmo muitos anos, não havia um Benfica tão bom quanto este…

02 abril 2010

Jesus? Uma questão de fé... - Por José Manuel Delgado

Por José Manuel Delgado in A Bola

DEPOIS do penalty falhado por Cardozo na última jogada do V. Setúbal-Benfica, que custou dois pontos aos encarnados, muitos duvidaram que o avançado paraguaio voltasse a ser chamado a mostrar serviço da marca dos onze metros. Jesus, porém, num acto de fé em Tacuara, manteve-o naquela função específica. E, pelos vistos, nem novo falhanço na Choupana, casa do Nacional, levou o técnico benfiquista a mudar de ideias. Ontem, quando Óscar Cardozo se preparava para executar o castigo máximo que podia dar a igualdade ao Benfica, quantos duvidaram de Jesus, a quantos faltou fé? E depois, perante nova grande penalidade assinalada contra os reds de Liverpool, quantas preces se ergueram para que Jesus não estivesse enganado. De uma e outra vez, Tacuara não falhou, retribuindo com golos a confiança que recebera do seu mentor. E - que ninguém duvide - Óscar Cardozo vai surgir na recta final da temporada a transbordar de confiança, sobretudo porque houve quem nele tivesse fé. Para além de outros méritos na vitória do Benfica sobre o mítico clube inglês, Jorge Jesus também tem este: não puxou o tapete a Tacuara, apostou e ganhou!
PS - Os jogos oficiais do Benfica, disputados na corrente temporada no estádio da Luz, tiveram a presenciá-los 890 mil espectadores. Parece certo que os encarnados vão atingir a fasquia dos sete dígitos, o que prova que, conjugando bons espectáculos (e só uma equipa que além de vitórias também obtenha boas notas artísticas, consegue fazê-lo), preços sensatos e horários razoáveis, é possível encher os estádios. Fazendo do futebol paixão, cor, alegria e festa.

30 março 2010

Medo cénico ficou no Dragão - Por José Manuel Delgado



Por José Manuel Delgado in A Bola

O Sp. Braga disse ontem, durante os 90 minutos da Luz, que o medo cénico que os seus jogadores tinham demonstrado noutro grande palco, o Estádio do Dragão, não passara de um acidente de percurso. Na verdade, naquele que provavelmente terá sido o jogo do título, os arsenalistas obrigaram o Benfica a usar todos os recursos de que dispõe, da velocidade à técnica, da posse de bola às bolas paradas, do pragmatismo ao resultadismo. Justa a vitória do Benfica, que foi quem mais por ela fez. Cada vez mais justificado o acesso dos minhotos à pré-eliminatória da Champions.
Ainda de olho no Benfica, que vêem a meia dúzia de pontos, e a começarem a sentir o bafo do dragão (se vencer no Restelo, o FC Porto fica a cinco pontos), os arsenalistas sentirão, daqui para a frente uma pressão psicológica um pouco diferente. Que começará já na próxima jornada, quando receberem o V. Guimarães.

PS1 - Será que é destino de Luisão marcar os golos do título ao dono da baliza da turma das quinas?

PS2 - Se ficar atrás do Sp. Braga, como explicará a SAD dos dragões aos portistas o apoio efectivo que tem dado aos minhotos, adversário directo?

13 março 2010

O que disse a Europa

Por José Manuel Delgado in A Bola

LOGO que ficou a saber-se que FC Porto, Benfica e Sporting mediriam forças, na UEFA, com Arsenal, Marselha e Atl. Madrid, criou-se a justa convicção de estarmos perante eliminatórias de tripla.
O que até agora foi visto confirmou três realidades distintas:

A) - A recessão do FC Porto;

B) - A estabilidade do Benfica;

C) - A retoma do Sporting.

Londres foi um pesadelo de proporções históricas para uns dragões que não sabiam o que era sofrer uma chapa cinco desde 1988, tornando escaldante o Sol que algumas peneiras apressadamente tiradas do baú dos maus hábitos procuraram tapar: vivem-se, na Invicta, tempos de fim de ciclo, modelo, discurso e pose nitidamente ultrapassados. Paga a factura, nesta altura, quem menos devia, o treinador. Jesualdo Ferreira é credor de reconhecimento por três campeonatos consecutivos (único treinador português a consegui-lo!) e não merece que o tornem bode expiatório de pecados alheios.

Na Luz viu-se um grande jogo entre duas equipas muito fortes. E, creio, pelo que aconteceu no relvado ao longo dos 90 minutos, o empate a uma bola até traduz a verdade do jogo, embora seja difícil, aos benfiquistas, engolir aquele golo fora de horas. Mas os encarnados não defraudaram expectativas e os franceses confirmaram tudo o que de bom deles se dizia. Foi um jogo de Champions na Liga Europa.

Em Madrid, o Sporting disse ao Mundo que o duplo 3-0 a Everton e FC Porto (e o poker ao Belenenses...) não foi obra do acaso. A actuarem uma hora com dez elementos, os leões mostraram organização e carácter. Parabéns.

09 março 2010

Que nos trará a Europa?


Por J
osé Manuel Delgado in A Bola


JORNADA intensa, no que respeita aos lugares do topo, a que hoje termina com o duelo entre vimaranenses e nacionalistas. Enquanto o FC Porto mostrou que está em perda, confirmando o flop de Alvalade, o Sp. Braga reafirmou-se, apesar do empate em Setúbal, como um dos dois candidatos ao título nacional. O outro pretendente à sucessão do FC Porto, o Benfica, tinha um jogo tremendamente difícil, contra o Paços de Ferreira, não só do ponto de vista meramente desportivo mas também psicológico. Por um lado, os castores, que tiraram, esta época, quatro pontos ao FC Porto, são organizados e duros de roer, pelo que nunca entrariam, como não entraram, na Luz, apenas para cumprir calendário; por outro, porque ao Benfica, vindo de duas exibições fulgurantes (Hertha e Leixões) era pedido, pelos 43 mil adeptos que rumaram à Nova Catedral, não só que mantivesse a alta bitola artística, mas que também não frustrasse a possibilidade de deixar os arsenalistas a três pontos e os dragões a... onze.
Respondeu, à altura, a equipa de Jorge Jesus. Que terá, contudo, num Sp. Braga que abdicou da Europa, um rival temível. Para já, antes de se saber o que acontecerá na eliminatória entre Benfica e Marselha, uma coisa é certa: os encarnados vão ter de realizar, nos próximos dias, três jogos de tremenda intensidade - dois com os franceses, para a UEFA, e um outro, na final da Carlsberg Cup, contra o FC Porto - enquanto que Domingos Paciência poderá recuperar e reagrupar os efectivos para as batalhas que se seguem. Assim, há muito ainda a esperar, em incerteza e emoção, desta Liga Sagres.

Mas, esta semana, a Europa também tem FC Porto e Sporting, equipas que vão colocar todos os ovos nos cestos dos embates com Arsenal e Atl. Madrid. Aliás, para os dragões, com o acesso à Champions de 2010/11 periclitante, aquilo que vão jogar na terça-feira no Millenium Stadium é muito mais do que um mero jogo de futebol.

15 fevereiro 2010

Portugal está feio



Por
José Manuel Delgado in A Bola

FADO, nostalgia, melancolia e saudade são palavras normalmente associadas aos portugueses. De índole pouco expansiva, introspectivos em muitos casos, a precisar de cruzar o Atlântico para saber como é a língua pátria falada com açúcar, nunca fomos, porém, dados a grandes depressões, sempre escorados naquilo que, em determinado momento, foi classificado de nacional-porreirismo e nos permitia avaliar, com uma irresponsável bonomia, as situações mais adversas. Mas as coisas estão a mudar. Para pior. Rapidamente...
Hoje, o País está não só nostálgico como sempre foi, mas deprimido como poucas vezes esteve; e mesquinho como aconteceu apenas nos piores dias. E não só.

Está a ser criada, em todas as camadas da sociedade, uma cultura de desresponsabilização que só não culminará no advento de um regime autoritário porque a conjuntura internacional assim não o permite. Porque aquilo a que se está a assistir fere, até, a sensibilidade do mais blindado e descredibiliza o poder, os poderes, todos eles. Pecado capital? Confunde-se jusante com montante.

Seja no desporto, na política ou na economia, um certo País com acesso aos media baralhou as prioridades e lançou, de má-fé, a confusão na sociedade.

Hoje em dia, desgraçadamente, em vez de se questionar aquilo que ofende a dignidade do ser — corrupção, compadrio, negociatas, conluios, conspirações — discute-se a sua revelação, como se o que sucede a jusante não tivesse origem no que ocorreu a montante.

Somos e devemos pretender continuar a ser um Estado de Direito. Mas não há tecnicidade da lei (sempre com avaliação subjectiva) que possa sobrepor-se ao bem maior, que é a verdade. O que deve discutir-se, no desporto, na política ou na economia, a divulgação de escutas ou os conteúdos destas? Será que alguém que queira um País melhor aposta na primeira hipótese e esquece a segunda?

02 fevereiro 2010

Rivalidades baralhadas...



Por
José Manuel Delgado in A Bola

VIVEU-SE, este fim-de-semana, uma jornada para mais tarde recordar: nunca tantos benfiquistas terão torcido pelo Sporting; nunca tantos bracarenses terão desejado um triunfo do V. Guimarães. Quando faltam 13 jogos para terminar a Liga Sagres, as contas, no que respeita aos dois da frente, estão apertadas e nenhum dos candidatos revela sinais de desgaste. No que toca aos minhotos, merece realce a força mental da equipa de Domingos Paciência, sólida, competente e consistente, jogando um futebol cerebral, baseado na convicção de que os ataques ganham jogos mas são as defesas a ganhar os campeonatos. Pelo lado dos benfiquistas, exuberância, em muitas circunstâncias gosto pelo risco, mas também cabeça: a partir do momento em que Carlos Martins foi expulso, os encarnados mostraram uma cultura táctica muito apreciável, que chegou para conter o derradeiro ímpeto da excelente equipa que é o V. Guimarães. Esta é uma dimensão que a turma da Luz conheceu com Giovanni Trapattoni e que agora foi recuperada por Jorge Jesus.
Mas a ronda 17 da Liga Sagres não se ficou pela manifestação atípica de fervor sportinguista do Benfica e de amor vimaranense do Sp.Braga. Na Choupana e na Luz tornou-se particularmente evidente como é desequilibrado o plantel à disposição de Vítor Pereira, um presidente, ao contrário de outros, sem hipótese de recorrer ao petróleo para reforçar os quadros no mercado de Inverno.

Más decisões, falta de capacidade para perceber o jogo, pecados, enfim, que provavelmente nem com muito treino serão corrigidos. Faz falta, de facto, a aprovação de outros critérios de nomeação que possam permitir a Vítor Pereira um melhor (e menos corporativo) aproveitamento do recursos.

Amanhã, há Taça grande. O FC Porto joga muito; o Sporting joga ainda mais. Um clássico que vai marcar, seguramente, a época.

26 janeiro 2010

A Justiça em Portugal



Por José Manuel Delgado in A Bola

A colocação de algumas escutas do Apito Dourado no You Tube teve um efeito tsunâmico na sociedade portuguesa, traduzido em mais de dois milhões e setecentas mil visualizações, número recorde na ciber-história nacional.
Atendendo a que muitos dos conteúdos agora postos na Net já tinham sido transcritos no papel, poder-se-ia pensar que o impacto das conversas puras e duras seria reduzido. Quem pensou isso, enganou-se. Portugal, grosso modo, ouviu como foi e manifestou-se estupefacto por só a justiça desportiva (da Liga e da FPF) ter encontrado motivos de condenação dos prevaricadores.

A fase verdadeiramente pós-traumática que se vive agora está a conduzir à diabolização da justiça criminal, que vê a sua crebibilidade minada pela violência das escutas. Como é possível, interrogou-se o cidadão comum, que perante tais evidências só a justiça desportiva tenha actuado? Daí a questionar-se o estado da Justiça em Portugal foi um pequeno passo, entretanto dado.

É neste ponto que devem ser introduzidos factores que temperem, com bom senso, o panorama geral, já que não pode tomar-se a núvem por Juno.

Em Portugal, muitos milhares de pessoas, ligadas aos vários ramos da Justiça, labutam diariamente, mergulhadas em dificuldades e insuficiências, para garantir as decisões mais correctas. Não é pois, por algumas situações mediatizadas, com desfechos que ferem a sensibilidade comum, que deve partir-se para uma generalização, inevitavelmente perversa, que coloca a Justiça pelas ruas da amargura. Longe de viver numa situação ideal, penalizada por falta de meios humanos e técnicos, a Justiça, no nosso País, tem na dedicação da esmagadora maioria dos seus profissionais a principal mais-valia. E esta é uma realidade que deve ser reconhecida, por melhor que se fique a conhecer a rede viária de Vila Nova de Gaia.

19 janeiro 2010

Mistério a envolver Renteria


O FC Porto, que quer ser campeão nacional, reforçou o Sp. Braga, líder da Liga (6 pontos de avanço!!!), com

Renteria. Estranho...

Por José Manuel Delgado in A Bola

DEZASSEIS jornadas cumpridas na Liga Sagres e Sp. Braga e Benfica dispõem de seis pontos de avanço sobre o FC Porto. Eis uma verdade que, não encerrando a questão do título quanto aos dragões, revela uma realidade pouco conhecida no futebol português de há muitos anos a esta parte. Neste momento, o tetracampeão nacional precisa de sprintar atrás do prejuízo, necessita de revitalizar um ânimo manifestamente abalado e, last but not least, deve meditar porque só estiveram no Dragão, para assistir ao jogo com o Paços de Ferreira, 26.709 adeptos, cerca de 15 mil menos do que seria normal. Por mais inventonas que crie a nomenclatura azul-e-branca, ou por mais inimigos externos à pressão que saiam do discurso oficial, os portistas têm consciência de que não estão a jogar (ao contrário do que foram habituados) o melhor futebol de Portugal; intuem que os jogadores que partiram eram melhores do que aqueles que entraram; interrogam-se sobre os flic-flacs da propaganda oficial; e não ligam a boicotes que mais não são do que poeira para os olhos (incontornável a alusão que Ricardo Araújo Pereira fez anteontem, aqui em A BOLA, à teoria da tanga, que consta de escutas a propósito de um tumultuoso Sporting-FC Porto). Perante o cenário acima descrito, que nos mostra um FC Porto a lutar desesperadamente pela recuperação face a Benfica e Sp. Braga, como explicar, como pode ser explicado aos adeptos dos dragões, que o seu clube trate de reforçar os minhotos, emprestando-lhes Renteria? Se o FC Porto cede o ponta-de-lança internacional colombiano aos arsenalistas é porque está interessado em manter a equipa de Domingos com tantos argumentos quantos possíveis para que esta lute pelo objectivo que persegue: ser campeã. Então, um clube que quer o título reforça um concorrente directo? Não percebo. Alguém perceberá? O que diria um Regulador do sector? E os sócios do FC Porto, que dizem?

05 janeiro 2010

Honestidade intelectual



Por
José Manuel Delgado in A Bola

NO túnel da Luz, depois do Benfica-FC Porto, tiveram lugar cenas lamentáveis que levaram já à suspensão preventiva dos dragões Hulk e Sapunaru, aguardando-se, para esta semana, após a reunião da Comissão Disciplinar da Liga (CD), outros desenvolvimentos, já que, como A BOLA apurou e ontem noticiou, são cinco os jogadores do FC Porto envolvidos nos incidentes.

A CD, que tem estado sob fogo cerrado proveniente de sectores sobretudo afectos aos dragões, não faz regulamentos nem os aprova. Limita-se a aplicá-los. Foi assim no Apito Final (porque será que ninguém fala do Apito Dourado, muito maior volume mas envolvendo nomes menos sonantes, que foi resolvido pelo Conselho de Disciplina da FPF?), e assim foi na suspensão preventiva até à conclusão do inquérito (figura criada por proposta do FC Porto e aprovada pela AG da Liga) de Hulk e Sapunaru.

Se, por hipótese, algum, alguns ou todos os jogadores portistas envolvidos na zaragata do túnel da Luz, vier a ser punido pela CD, por agressão aos stewards, e se for aplicado o artigo 115º. do Regulamento Disciplinar (RD), a sanção, mesmo com eventuais atenuantes, será sempre uma aberração.

Se isso suceder, espero que haja um mínimo de honestidade intelectual e não se atirem as culpas de uma medida da pena exorbitante para cima da CD. A culpa é dos clubes que por acção fizeram este RD e por inacção o mantiveram assim. [Aliás, em matéria de regulamentos, a Comissão de Clubes que ficou de entregar, até 31 de Dezembro de... 2008! (e até hoje, ...nada) uma proposta de alteração ao RD onde o tráfico de influências fosse punido, traduz bem o estado da arte].

Resumindo e concluindo: a forma como Hulk e Sapunaru estão suspensos é uma pura e simples aberração; as sanções previstas no artigo 115 do RD da Liga são de bradar aos céus. E de nada disto tem culpa a CD da Liga que se limita a aplicar o que há.

21 dezembro 2009

Os 'mind games' do 'clássico'



Por
José Manuel Delgado in A Bola

NUMA época em que o Benfica tem vivido praticamente em regime de euforia generalizada — boas exibições e goleadas suplantaram os percalços e nunca retiraram ânimo à afición — quis o destino que o clássico de ontem apanhasse os encarnados fragilizados por uma má prestação em Olhão e ainda por castigos e lesões, circunstâncias que levaram a uma radical inversão do ónus do favoritismo. Quando, se a normalidade reinasse (triunfo no Algarve, disponibilidade durante a semana de Ramires e David Luiz e possibilidade de utilização de Aimar, Di María e Fábio Coentrão), o factor casa catapultaria a equipa de Jorge Jesus para uma vantagem teórica prévia, acabou por verificar-se que a exigência passou a estar focada no labor dos portistas, que nos últimos dois meses mostraram um constante crescendo de forma.
Foi esta situação que o Benfica manejou, ao longo da semana, melhor do que o FC Porto, passando para o exterior a ideia de que só através de muita abnegação podia chegar a um resultado positivo, frente a um opositor na plenitude dos recursos.

A apenas um ponto dos encarnados, foi curioso verificar como uma equipa com o traquejo do FC Porto acusou a responsabilidade de ser favorita, entrando de pernas pesadas e até algum conformismo, sendo este sentido especialmente na recta final quando os pupilos de Jorge Jesus jogaram com o relógio, impondo um ritmo tão lento quanto possível e os tetracampeões nacionais não tiveram, então, alma até Almeida.

Ao longo da semana Jesus disse que não contava com Ramires e Aimar; do Dragão vieram respostas sintomaticamente curiosas, que aludiam a um bluff . Afinal, Ramires jogou preso por arames (que rebentaram) e Aimar nem isso. Noutras épocas, nunca o FC Porto se mostraria preocupado com quem jogava ou deixava de jogar pelo adversário. E foi aí que o Benfica começou a ganhar o jogo.

30 novembro 2009

Um 'derby' à italiana



Por José Manuel Delgado in A Bola

QUEM gosta do futebol inglês terá ficado desiludido com o Sporting-Benfica de ontem; quem prefere o futebol italiano deliciou-se com a natureza táctica que presidiu ao derby. Porém, a verdade é que, por mais estrangeirismos que busquemos, o duelo entre dois técnicos portugueses produziu um jogo fechado, com Carvalhal e Jesus a lerem rapidamente a cartilha do adversário, adaptando as suas equipas à prioridade de tapar as iniciativas contrárias.O Benfica, de quem poderia esperar-se mais espectáculo, terá ganho ao Sporting por 0-0. Este resultado, obtido em casa do eterno rival, independentemente do que acontecer nesta jornada com Sp. Braga e FC Porto, permite ao Benfica manter intactas todas as ambições à conquista da Liga; ao mesmo tempo situou o Sporting à distância dos mesmos 11 pontos, que podem crescer para 13 relativamente ao Sp. Braga e a 8 quanto ao FC Porto. Creio que ninguém, desapaixonadamente, dirá que os leões não saíram de Alvalade menos candidatos. Porém, se em vez do triunfo na Liga, o Sporting pensar apenas na regeneração (após os danos do estertor do bentismo), a via cruxis estará a terminar...

27 novembro 2009

Do 'derby' e ainda mais...



Por José Manuel Delgado in A Bola

AO atingir a provecta idade de 102 anos, o derby eterno só pode ser considerado como o clássico dos clássicos do futebol português. Benfica e Sporting, que devem, em boa parte, aos ciclistas da década de 30 do século passado, José Maria Nicolau e Alfredo Trindade, a expansão nacional de que gozam, mobilizam o País de Norte a Sul, agitam os PALOP e estão para Portugal como Inter e AC Milan para a Itália, River e Boca para a Argentina ou Panathinaikos e Olympiakos para a Grécia.Amanhã, Alvalade vai receber um derby desportivamente relevante - leões em busca da redenção e águias da confirmação - que apresenta outros contornos interessantes. José Eduardo Bettencourt e Luís Filipe Vieira vão assistir ao jogo lado a lado, num sinal de respeito pela rivalidade, que deve ser seguido pelos adeptos. Mas neste momento em que se prepara a mudança de liderança na Liga, Sporting e Benfica, que em matérias estruturais têm muitíssimo mais a uni-los que a separá-los, podem abrir espaço (sem necessidade de protocolos ou frentes comuns) para um futuro que dê sequência à vocação reformista do mandato (corajoso!) de Hermínio Loureiro.

PS - Num País a sério estariam a ser apuradas responsabilidades sobre o processo que impediu, durante quatro meses, o professor José António Silva, docente da Faculdade de Motricidade Humana do Porto, de ver a sua situação regularizada, de modo a que pudesse treinar o andebol do Benfica, sem perder vínculo académico. Houve, enfim, quem de direito a resolver o imbróglio. Mas, bem à portuguesa, neste festival de mesquinhez, a culpa deverá morrer, olimpicamente, solteira.

13 novembro 2009

Crónica de José Manuel Delgado


E Jesus recriou o inferno...

Frente aos mesmos adversários, em casa, o Benfica 'vale' mais dois pontos.
Não é isso que explica mais 11.083 espectadores por jogo...

Por José Manuel Delgado in A Bola

É preciso recuar a 1982/83, ano de estreia de Sven-Goran Eriksson na Luz, para se encontrar um Benfica tão convincente, do ponto de vista dos resultados e das exibições, como este de Jorge Jesus. Nessa já distante época, os encarnados venceram Campeonato e Taça de Portugal e atingiram a final da Taça UEFA. Começaram o Campeonato Nacional com umas incríveis onze vitórias seguidas e nos primeiros cinco jogos em casa, marcaram 16 golos e sofreram um. Entretanto, na UEFA, despacharam Bétis e Lokeren nas duas primeiras eliminatórias com quatro vitórias. É essa equipa (que tinha como onze-base: Bento; Pietra, Humberto Coelho, Bastos Lopes e Veloso; Shéu-Han e João Alves; Carlos Manuel, Nené, Filipovic e Chalana) que começa a sentir-se 'ameaçada' pelo apetite goleador dos pupilos de Jorge Jesus e ainda por exibições de grande nível do actual Benfica, onde Javi García e Aimar representam Shéu e Alves, Ramires é Carlos Manuel e Di María, Chalana, enquanto que Saviola/Nené e Óscar Cardozo/Filipovic traduzem a complementaridade de uma boa dupla atacante. E na defesa, o patrão era Humberto, agora é Luisão. É verdade que este Benfica não tem um guarda-redes com a classe, o traquejo e sobretudo o carisma do fantástico Manuel Bento. Mas não se pode ter tudo...

De 2008/09 para 2009/10

Quem olhar para a tabela classificativa e comparar, à décima jornada, os 25 pontos do Benfica de Jesus com os 22 do Benfica de Quique poderá não ficar muito impressionado. E se tomarmos apenas os jogos em casa por referência, esta época o Benfica tem 13 pontos e há um ano tinha 11 (e já tinha recebido FC Porto e Sporting...). Quando se chega as golos as coisas começam a ser diferentes: a equipa de Jesus, na Luz, marcou 21 golos; a de Quique tinha marcado nove; a equipa de Jesus sofreu três golos; a de Quique tinha sofrido seis.

Mas é na qualidade das exibições que se encontra o clique que explica a maré vermelha que tem inundado este princípio de época. Os adeptos, cépticos, apesar do início positivo de Quique, nunca aderiram plenamente ao futebol do espanhol, muito mais de contenção, onde a colocação das pedras não correspondia nem à realidade do Benfica, nem ao estilo dos adversários.

Como será, então, possível traduzir esta afirmação em números que tornem palpável o que, de outra forma, poderia não representar mais do que uma opinião?

A resposta está na comparação das assistências na Luz, entre 2008/09 e 2009/10, precisamente nestes cinco jogos já disputados.

Há um ano acorreram à Nova Catedral para ver Marítimo, V. Setúbal, Leixões, Nacional e Naval, 171.873 espectadores. Esta época essa cifra passou para 227.291, o que representa transitar de uma média de 34.373 adeptos por jogo para 45.458, ou seja, mais 11.085 espectadores.

Abono de família

Se a estes números, já de si impressionantes, acrescentarmos, o acréscimo de adeptos que presenciaram o Benfica fora de casa nos cinco jogos também realizados, verificamos (usando, para o U. Leiria, os números de 2007/08) que enquanto que na última época o Benfica foi visto em Guimarães, Braga, Restelo, paços de Ferreira e Leiria por 61.348 espectadores esta temporada foram 96.505 a ver os encarnados ao vivo fora de portas...

Significa isto que as melhores exibições e o ambiente gerado em torno da equipa de Jorge Jesus fez com que os 10 jogos do Benfica na Liga Sagres fossem vistos, nos estádios, por mais 90.581 espectadores, relativamente à época anterior.

02 novembro 2009

Crónica de José Manuel Delgado


Responsabilidade histórica

Por José Manuel Delgado in A Bola

O líder Sp. Braga está à frente de três equipas que têm orçamentos superiores ao seu. O Benfica, segundo classificado, está atrás de uma equipa com orçamento inferior ao seu e à frente de outra com orçamento superior. O FC Porto está atrás de duas equipas que, juntas, têm um orçamento inferior àquele de que dispõe. O Sporting está atrás de duas equipas que possuem orçamentos superiores ao seu e ainda atrás de quatro equipas que, mesmo juntando os seus orçamentos, ficam aquém daquilo que os leões gastam. Por isso, se fossem os orçamentos a impor as classificações, o FC Porto era primeiro, o Benfica segundo, o Sporting terceiro e o Sp. Braga quarto. E se fôssemos apenas por essa via, o Sporting estaria à frente de Sp. Braga, Rio Ave, Nacional e U. Leiria. E não está.

O Sporting precisa de criar mais receitas? Sem dúvida. O Sporting precisa de recuperar a confiança dos adeptos? Inevitavelmente. O Sporting precisa de devolver ao clube uma dinâmica de vitória, cada vez mais distante depois de quatro jogos seguidos, na Liga Sagres, sem ganhar? Obviamente. O Sporting precisa de se reagrupar e acabar com as lutas intestinas - que metem actos de terrorismo, - denunciadas pelo presidente José Eduardo Bettencourt? Sem falta.

Há três dias, escrevi, em editorial, que os sportinguistas tinham de levar muito a sério o momento extremamente delicado que o clube atravessa - e não estava a referir-me a mais empate, menos derrota - mas sim ao lastro que os leões estão a perder no que toca ao embate com o futuro.

Repito-me: com o devido respeito, Paulo Bento, sim ou não, é questão menor. Fundamental é que a Administração da SAD e o Conselho Directivo do Sporting convençam sócios e adeptos de que estão a trilhar o caminho certo. E esse desiderato só será conseguido quando a alegria regressar às bancadas de Alvalade. Algo que parece, hoje por hoje, a anos-luz...


Há vida para além da derrota
Foram serenas as palavras do treinador do Benfica após o insucesso de Braga. Jesus sabe que só por uma vez na história os da Luz foram campeões invictos (da outra vez que terminaram sem derrotas foram segundos...) e é impossível para qualquer equipa do manter um ritmo do outro mundo como os encarnados vinham conseguindo. Bem pode dizer o Benfica, olhando para o que FC Porto e Sporting fizeram, que podia ter sido bem pior.

"O campeonato tem mais um candidato que é o Sp. Braga. A partida não correu bem ao Benfica. Mas ainda há muito campeonato. .."
Jorge Jesus, treinador do Benfica

23 outubro 2009

Crónicas de José Manuel Delgado


O 'Domínio dos Deuses' e o 'Adivinho'

Por JOSÉ MANUEL DELGADO in A Bola

NO dia em que Astérix fez 50 anos, Jorge Jesus honrou um dos títulos da obra de René Goscinny e Alberto Uderzo: «O Adivinho». Jesus previu que o Benfica-Everton ia ter muitos golos e, «por Toutatis», eis que houve uma mão cheia e todos para os encarnados. Frustrado, porém, pela marcha do marcador e pela diferença de andamento entre as equipas foi um outro título das aventuras do emblemático gaulês, «O Combate dos Chefes», tal foi a diferença entre Jorge Jesus e David Moyes, que não chegou a dar luta ao homólogo benfiquista.
Em termos de exibição, especialmente nos primeiros 15 minutos da segunda parte, o único livro de Astérix aplicável aos encarnados foi «O Domínio dos Deuses», porque, de facto, o que o Benfica fez ao Everton durante esse período específico esteve, na perspectiva dos toffees, à altura de outra das obras de Goscinny e Uderzo, «O Dia em que o Céu Caiu».

Mas além do «Grande Fosso» (outro dos livros de Astérix) existente, na noite de ontem, entre o Benfica e o Everton, algumas exibições individuais dos encarnados conseguiram sobressair do forte colectivo preparado por Jorge Jesus. Javi Garcia foi «Astérix Gladiador»; Saviola foi «A Foice de Ouro»; Di María, «Asterix e Latraviata» e Cardozo «A Rosa e o Gládio.»

Nas restantes participações portuguesas, honra ao Sporting que já faz contas aos 16 avos de final da Liga Europa. Apesar de, permanecendo no universo de Goscinny e Uderzo, «A Grande Travessia» continuar, os leões permanecem crentes em transformar esta época numa «Odisseia».