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23 abril 2010

A cultura - Por João Bonzinho


Por João Bonzinho in A Bola

PELA primeira vez este século o Benfica não vive na iminência de ter de trocar de treinador. Pode parecer um pequeno passo num normal clube de futebol, mas é um enorme passo para o Benfica.
Claro que estar próximo de ganhar o campeonato – pela segunda vez nos últimos 16 anos!!! – ajuda muito, e Jesus não tem assim de passar pelo que passaram Toni, Jesualdo Ferreira, Camacho, Trapattoni (mesmo ganhando), Koeman, Fernando Santos ou Quique Flores. No Benfica, para um treinador, ser campeão é naturalmente um alívio.

No Benfica, mais do que um alívio, é decisivo. E mais do que ser decisivo é uma necessidade. É mais do que uma necessidade. É indispensável. E, agora, até é mais do que indispensável. É obrigatório. Já ninguém quer acreditar que o Benfica não seja este ano campeão. Mais do que isso: ninguém o admite sequer.

O Benfica será um campeão justo? Indiscutivelmente. Mas para o Benfica como clube nem é tanto a questão da justiça que se coloca, mas sim a questão da importância em ser campeão.

Como li algures e é bem verdade, ao Benfica não faltam infra-estruturas. Pelos vistos, nem falta dinheiro. Não falta um presidente, pelo menos, empenhado e firme, nem falta (até ver...) um director desportivo ultradedicado à causa ou, como se confirma, um treinador cheio de qualidades. Não faltam bons jogadores e muito menos massa adepta. O que falta ao Benfica é cultura de campeão. E a cultura de campeão não se compra. Conquista-se.

O FC Porto tem essa cultura. Pode dar-se ao luxo de pensar trocar um conhecedor e vencedor como Jesualdo Ferreira por um jovem cheio de ambição mas reduzidíssima experiência como André Villas Boas.

Porque a cultura de campeão está lá. Não apenas nos jogadores ou no treinador, no director-desportivo ou no presidente. A cultura de campeão está no porteiro do estádio e na telefonista da SAD. Está no motorista do autocarro e no roupeiro. No fisioterapeuta e no secretário. No médico e nos adjuntos.

A cultura de campeão ganha-se ganhando? Naturalmente. Ganhando sim, mas, sobretudo, sabendo ganhar. Tirando muito mais proveito do sucesso do que apenas a festa, a euforia e a fama.

Vai agora fazer um ano, dizia-me Simão, em Madrid, mais ou menos isto: «O mais importante para o Benfica não é ser campeão; importante é conseguir ser campeão mais vezes, ganhar dois em três anos, ou três em quatro. Quando fomos campeões em 2005 também pensávamos que voltaríamos a ser campeões em 2006. Mas pensar nisso não chega.»

Se for agora campeão, o maior desafio do Benfica é o do próximo ano. Ou será por acaso que o clube não é bicampeão há 26 anos?


PS: Parece insinuar Miguel Sousa Tavares no seu último artigo neste jornal que serei uma das três únicas pessoas que acreditam na inocência de Luís Figo no chamado caso-Taguspark (que incluiria um alegado pagamento ao ex-jogador para apoiar José Sócrates).

Parece insinuar Miguel Sousa Tavares que, no referido caso, Luís Figo será tudo menos inocente.

Parece insinuar Miguel Sousa Tavares que estaremos, pelo menos eu e mais a magistrada que excluiu Figo da acusação e José Sócrates (as únicas três pessoas que, na opinião de Sousa Tavares, acreditarão na presumível inocência de Figo), a tomar por parvos todos os outros para quem, segundo parece insinuar Sousa Tavares, estará na cara que Figo é também culpado.

Tem razão Miguel Sousa Tavares: verdadeiro patriota é João Garcia, que acaba de se tornar um dos maiores alpinistas da História sem qualquer contrapartida financeira do Estado português.

Mas devia Miguel Sousa Tavares ler melhor: nunca disse que Figo é ou deixa de ser um grande patriota nem defendi os serviços prestados à Pátria pelo ex-jogador. Apenas escrevi que Figo defendeu sempre muito bem a imagem do País desde que se tornou um dos mais destacados jogadores mundiais da sua geração.

Além disso, para quem tanto defende (e bem) as liberdades e garantias dos cidadãos, não terá Miguel Sousa Tavares deixado no seu último artigo insinuações a mais? Parece...


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