Neste blog utilizo textos e imagens retiradas de diversos sites na web. Se os seus autores tiverem alguma objecção, por favor contactem-me, e retirarei o(s) texto(s) e a(s) imagem(ns) em questão.
15:39
BoyGenius
Por Pedro Ferreira in Jornal O Benfica
Nós, Benfica, perdemos o campeonato no
final e a final da Liga Europa também no final. Para a história e
estatística fica a frieza do registo e poucos se recordarão das
circunstâncias de tais desfechos. Entre o azar, as falhas próprias e os
méritos alheios ficou o testemunho de que a justiça não se compadece com
o destino. Testemunhámos também que, para além da frieza dos números,
há toda uma envolvência que, de forma estranha e praticamente inaudita,
levou a que, mesmo no momento de dois duríssimos golpes, tivéssemos
visto milhares e milhares de benfiquistas reagir à adversidade,
amparando os seus atletas numa comunhão raramente vista nos momentos de
ausência de vitória.
Confundir este amparo aos nossos com
falta de exigência ou falta de ambição por parte dos benfiquistas é
enviesar a leitura da realidade. Nenhum benfiquista se sentiu
minimamente satisfeito com o desfecho da época. Todos os benfiquistas
ambicionam muito mais do que o que colhemos da época que agora finda. No
entanto, também foi notório que a família benfiquista soube reconhecer o
empenho e o mérito do caminho percorrido pelos nossos futebolistas e
por Jorge Jesus. Só assim se explica que a esmagadora maioria dos
benfiquistas defenda a continuidade do treinador. Isto é muito estranho
para a realidade do futebol português. É de tal forma inovador que
deveria levar os opinadores que acusam os benfiquistas de falta de
ambição a tentar ver para além da miopia do imediato. Se assim o
fizessem, perceber-nos-iam, pois, pela primeira vez na história do nosso
futebol, vemos uma massa adepta feita de milhões de pessoas a olhar
para o futebol para além do óbvio. Ou seja, somos agora acusados por
fazermos na prática o que esses teóricos andam a pedinchar há anos:
termos cultura futebolística para perceber que o futebol não pode
ignorar o resultado, mas que não se esgota nos números do mesmo.
11:48
BoyGenius
Crónicas de Pedro F. Ferreira, in Jornal O Benfica, in Tertúlia Benfiquista
Passou quase despercebido, não foi capa de jornal nem deu direito a finas ironias, mas um dirigente do Sporting, Paulo Pereira Cristóvão, no intervalo de um jogo do seu clube, abordou o árbitro Artur Soares Dias. Este ter-se-á sentido de tal maneira incomodado com a peculiaridade da abordagem que, alegadamente, mandou um agente da PSP identificar o referido dirigente. Ou seja, a pedido de um árbitro, um dirigente do Sporting foi identificado por um polícia.
Este dirigente é o mesmo que recentemente, qual anão de saltos altos, se imaginou à altura do nosso Benfica e tentou, com declarações vergonhosas, achincalhar o nosso clube. O melhor que conseguiu foi “apenas” contribuir para que um grupelho de bandalhos arruaceiros incendiasse umas cadeiras da bancada onde haviam estado instalados para verem mais uma derrota do clube deles.
Ao ter conhecimento do comportamento do dito Cristóvão e da alegada identificação de que foi alvo, perguntei-me se algum dirigente do Sporting viria para a imprensa ameaçar Artur Soares Dias com uma gravação da referida conversa. O que se sabe é que a abordagem foi feita e que Artur Soares Dias não terá ficado nada agradado com a mesma. Felizmente para a saúde do árbitro não houve nenhum tropeção na escadaria de acesso aos balneários e pôde arbitrar a segunda parte do jogo…
Quanto ao senhor Cristóvão, já teve tempo e oportunidades de sobra para perceber que nem tudo é legítimo apenas porque um grupo de imbecis lhe legitima as atitudes com palmadinhas nas costas. Ou seja, já é tempo de o senhor Paulo Pereira Cristóvão perceber que, como diz o povo, “isto não é o da Joana”.
10:46
BoyGenius
Para a semana, celebrar-se-á mais um aniversário do nosso estádio. 25 de Outubro de 2003 foi a data de inauguração do actual ninho das águias, oficialmente denominado como Estádio do Sport Lisboa e Benfica. No entanto, é popularmente chamado como ‘Estádio da Luz’ e é apaixonadamente denominado como ‘A Catedral’.
Luz, Catedral… as amarras do nome oficial são quebradas pela identificação nominalista da universal família benfiquista. Assim, toda a nomeação é uma espécie de sacralização de um espaço profano, uma sacralização de origem profana, de simbólica profana, mas de linguagem sagrada. A mesma linguagem que nos leva a dizer que a camisola do Benfica é o ‘manto sagrado’ ou que o Benfica é o único clube que não permite a utilização da expressão ‘velhas glórias’, pois os que são denominados como ‘glória’ do clube jamais envelhecem na memória colectiva do benfiquismo.
Deste modo, temos a sacralização do espaço, do tempo, do símbolo e dos que, de entre todos, melhor o serviram. Olhar para a nossa Catedral, com todos os adeptos, os fiéis, ritualmente levantados durante a audição do “Ser Benfiquista” (para quando o regresso do nosso hino, “Avante, Avante p’lo Benfica”, ao nosso estádio?), levantando o cachecol antes de o recolocar, qual estola, em ombros, enquanto se espera a vénia dos nossos futebolistas aos adeptos tem algo de litúrgico. É a junção do ritual ao tempo, ao espaço e ao modo.
Compreende-se que vulgarmente se diga que o Benfica é uma religião. Objectivamente, não é. No entanto, sentimos que uma ida à nossa Catedral, à nossa casa, é mais do que uma viagem – é mais do que meramente passar por cima de uma experiência – é, essencialmente, uma forma profana de peregrinação. Ou seja, ir à nossa Catedral é viver uma experiência de crença no benfiquismo, de partilha de uma ideia de clube e de comunhão de uma vontade comum.
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BoyGenius
Engana-se todo o que olha para o futebol
e o considera essencialmente como uma actividade física. O futebol é
antes de qualquer outra coisa uma actividade humana.
Nesta perspectiva percebe-se a
importância da comunicação no desempenho do futebolista, da equipa, do
clube. Perceber qual o tempo e o modo da mensagem é, quase sempre, tão
importante como a própria mensagem. É impensável ter uma equipa onde não
há uma cumplicidade entre os seus membros. É impensável a cumplicidade
numa liderança equívoca ou que comunica numa polifonia de vozes
contraditórias.
Muitos não sabem, mas o último título de
campeão vencido pelo Benfica foi alicerçado também num esforço enorme
de comunicação abrangente, envolvendo muitos benfiquistas e com uma
definição clara de objectivos. Percebemos a mensagem, interpretámos
correctamente o tempo e o modo, agimos em conformidade e, desde o
futebolista sem lugar a titular até ao adepto de bancada, passando pelo
treinador, dirigentes e diferentes meios de comunicação do grupo Benfica
(sítio na internet, jornal, televisão, revista) toda a gente comunicou
um benfiquismo feito de abdicação de interesses próprios em prol do
interesse colectivo.
Desde o início desta época que noto com
agrado um renovado esforço na comunicação, na tentativa de aglutinar o
clube em torno de um rumo comunicacional. Concordando ou não, esse rumo
está lá, existe e tem sido cumprido. Por vezes, o que o pode fazer
desmoronar é a ausência de vitórias. Felizmente, estas têm surgido.
Resta agora que saibamos todos, desde os técnicos ao atleta menos
utilizado, passando pelos dirigentes, lidar com o tempo e o modo da
comunicação em tempo de vitória.
13:59
BoyGenius
Banalmente, o Benfica empatou no estádio do FCP. Um empate é um resultado banal. O jogo foi banal. E nesta banalidade reside a novidade.
O facto de o Benfica ter ido jogar contra o FCP e ter acontecido apenas a banalidade de um jogo de futebol é algo de extraordinário. Não houve agressões gratuitas, não houve violência bárbara, não houve apedrejamento do autocarro dos nossos, não houve ameaças aos profissionais do nosso clube, não se criou um clima de terror, não se assistiu a espectáculos deprimentes dados por títeres de apito na boca e ninguém se lembrou de inocentemente incendiar o ambiente com ironia dita fina.
Tudo isto deveria ser referido, louvado e dado como a primeira explicação para que o Benfica pudesse sair do estádio do adversário com a ligeira vantagem de ter empatado no terreno do principal rival na luta pelo título. No entanto, e cito as palavras de Eça de Queirós, “Neste país, no meio desta prodigiosa imbecilidade nacional” o que serviu de tema para discussão foi (pasme-se!) um imaginado pontapé do Cardozo no rabo do Fucile. Pontapé que não existiu e que provocou em Fucile o acto reflexo de se queixar da cabeça antes de se lembrar que talvez fosse melhor queixar-se do traseiro. Sempre dava mais verosimilhança à encenação. Depois, foi um corre-corre de especialistas em física, cinética, balística e generalidades afins para provarem como a simples deslocação do ar junto à região glútea pode provocar dores imediatas na cabeça e, como tal, o malvado Cardozo deveria ter sido expulso por nunca ter agredido o Fucile.
Afinal, a banalidade manteve-se no pós-jogo. Por cá, já é banal fazer de um não existente pontapé no rabo um assunto de interesse nacional. Por outro lado, a corrupção no desporto, de tão banal, já nem é discutida. É, como tantos outros assuntos, convenientemente esquecida e diligentemente silenciada.