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29 outubro 2011

Gaitán, a nova joia encarnada

"Dentro de dois a três anos, Nico vai valer 40 milhões"
RAMÓN MADDONI, caça-talentos argentino
Record, 16 de junho de 2010

Esta podia ser a crónica da renovação anunciada. O Benfica e Nicolás Gaitán acertaram estender o vínculo que liga os encarnados ao internacional argentino por uma temporada, ou seja, até 30 de junho de 2016, algo que apenas surpreende os mais distraídos.

A renovação do contrato -- não tanto a duração do mesmo, mas a melhoria das condições salariais – era algo desejado por um jogador que se impôs facilmente, graças ao seu talento, como um dos esteios da formação comandada por Jorge Jesus. As conversas entre as duas partes já decorriam, pelo que o desfecho comunicado pela SAD da Luz à CMVM era o mais lógico.

Com este acordo, os responsáveis encarnados sossegam o extremo, que já está no radar de clubes europeus, Manchester United à cabeça. Esta era uma pretensão de Gaitán, que assim pode continuar focado nos objetivos dos encarnados, os quais seguem tranquilamente na Liga, na Champions e na Taça de Portugal sem derrotas e com as expectativas bem altas nesta temporada.

Sendo Gaitán elemento-chave na equipa, havia que fazer um esforço para recompensar, evitando que ficasse contrariado e com a cabeça longe da Luz. No futebol, não faltam exemplos de como os contratos nem sempre são respeitados.

Ao mesmo tempo, a SAD não toca no valor da cláusula de rescisão (45 milhões), tendo em conta a conjuntura que vivemos. Sendo algo indicativo, que confere poder negocial a quem vende, o Benfica indica ao mercado que Gaitán é um jogador valioso e, ao mesmo, não afugenta potenciais interessados.

15 setembro 2010

A águia procura paz

O Benfica deu pontapé na crise, entrando da melhor maneira na Liga dos Campeões. O triunfo diante do Hapoel é bálsamo para uma equipa que precisa, sobretudo, de paz e tranquilidade depois de um arranque em falso.

A arbitragem de Olegário Benquerença foi a gota que fez transbordar o copo na Luz. Os encarnados têm razão para se sentirem lesados, face às decisões do árbitro. Depois da participação no Mundial, o leiriense entrou pela porta grande, num dos jogos quentes da jornada. Recomendava-se um aquecimento, algo mais ligeiro, para começar.

Já a homenagem de que Benquerença foi alvo por parte da AF Porto foi, no mínimo, imprudente. Agora, depois do leite derramado, só adiante mesmo chorar. Nada mais há a fazer. O prejuízo está feito e já não pode ser reparado.

O Benfica disparou em várias frentes. Abriu várias frentes de batalha, dispersou atenções e acentuou a crispação em redor de uma equipa que tem vivido em sobressalto, agora que parece terminada a lua-de-mel em que se transformou a caminhada até à conquista do título, na época passada.

As águias podem reclamar isenção e igualdade de critérios. Podem lutar pela transparência do futebol. Têm esse direito, se sentirem lesadas e se, de facto, houver razões para desconfianças.

Mas é importante que resolvam os problemas internos. Enquanto não recuperarem a consistência defensiva, enquanto não voltarem a evidenciar a eficácia atacante, enquanto os adeptos continuarem a assobiar os próprios jogadores (Roberto, Cardozo…), enquanto se perderem bolas que resultem golos, os campeões nacionais ficarão mais expostos.

Antes de lançarem os trunfos contra inimigos externos, é conveniente que coloquem ordem na própria casa.