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25 fevereiro 2010

Benfica: Ataque histórico

Por Luís Antunes in JN

Equipa a quatro golos do melhor registo ofensivo de sempre no plano europeu
O Benfica de Jorge Jesus continua a golear e está a apenas quatro golos do melhor registo ofensivo do clube em mais de meio século de confrontos no plano europeu. Os 23 golos representam a quarta marca de sempre, só superada pelo onze da década de 60.

Os encarnados versão 2009/2010 ainda não conquistaram qualquer título oficial, mas continuam a impressionar pela qualidade de jogo e a conquistar barreiras no seu longo historial.

O Hertha de Berlim foi o último a sentir o massacre ofensivo da águia, que aplicou semelhante receita a Everton e Poltava.

O actual registo enquadra-se nas performances de topo. A eficácia atacante com 23 golos representa a quarta marca de sempre. Neste domínio, o onze de Jorge Jesus é apenas superado pelo conjunto dominador e bicampeão europeu da década de 60, mas só em três ocasiões. Em 1964/65, finalista da Taça dos Campeões em San Siro - 27 tentos -, 1960/61, campeão europeu - 26 golos -, e o de 1965/66, que caiu frente ao Manchester com semelhante registo, mas que dois anos depois voltou ao derradeiro jogo da competição.

A formação actual consegue ainda outro nível elevado, pois garante sete triunfos. Um objectivo que se repetiu apenas em 1960/61 e 1989/90. Ou seja, o Benfica 2009/2010 está na iminência de afastar marcas de períodos lendários do longo voo da águia.

Bastará uma vitória frente ao Marselha para que Jorge Jesus se transforme no treinador com mais triunfos durante uma época no plano europeu e apenas a cinco golos de conquistar o epíteto de onze mais concretizador.

Cardozo (7), Saviola (6) e Di María (4) integram o grupo dos mais eficientes, que corre o risco de suplantar linhas ofensivas de sonho: Eusébio, Torres, José Augusto e Simões.

Eriksson ultrapassado

A imagem do presente sobrepõe-se ainda às fases da liderança de Sven Goran Eriksson que, em 1982/83 e 1989/90, levou os benfiquistas a duas finais europeias - UEFA e Campeões, respectivamente.

Elemento curioso deste "top ten" e que espelha o equilíbrio de processos evidenciado pelo conjunto da Luz, além de valorizar o plano defensivo, é o facto de surgir ainda como uma das defesas menos batidas. Ou seja, neste rol de eleição, só o desenho liderado pelo sueco, que chegou à final de Viena frente ao AC Milan, sofreu menos golos. Quatro contra seis da presente versão que já alinhou mais um confronto.

A comparação estatística contém uma vertente subjectiva associada ao maior ou menor valor dos oponentes. No entanto, independentemente do epílogo, o esquema de Jorge Jesus já ganhou direito a entrar na galeria das águias e a história parece reservar um lugar de destaque.

05 setembro 2009

Crónicas

Quando meter quatro altera tudo
Poucos reforços no onze para grandes mudanças

Por Luís Antunes in Jornal de Noticias

A imagem do Benfica 2009/10 é claramente mais pujante e superior à da época anterior. É um facto que o plantel recebeu dez reforços, mas o onze só tem quatro nomes distintos: Shaffer, Javi Garcia, Ramires e Saviola.


A actual equipa exibe maior competência e alcançou uma performance superior à de Quique Flores. Sete vitórias, dois empates e apenas uma derrota na pré-época, em comparação com os dois triunfos da época transacta. E, ao final da terceira jornada Liga, possui o dobro de tentos marcados (10) e metade dos sofridos (2), em comparação com idêntico período de 2008.

Os números não concedem margem de dúvida e, numa primeira análise, poderia perspectivar-se que a transformação fosse motivada pela eventual revolução da entrada de atletas novos - uma dezena, neste caso. O raciocínio é possível, mas está profundamente errado.

O onze-tipo de Jorge Jesus mantém sete elementos do desenho predilecto do espanhol e apenas introduz quatro. E, por vezes, apenas três caras novas em relação aos preferidos de Quique Flores. Javi Garcia, Saviola, Ramires e Shaffer constituem o núcleo novo. Embora, o lateral argentino nem sempre jogue, uma vez que o técnico parece manter o dilema sobre a solução definitiva na esquerda da defesa, onde a colocação de David Luiz origina a recuperação de Sidnei, outro antigo titular. Quim, Maxi Pereira, Luisão, David Luiz, Di Maria, Aimar e Cardozo transitam do esquema anterior.

A pequena alteração de quatro unidades é, aparentemente, suficiente para uma modificação substancial do nível de jogo. No entanto, é, naturalmente, acompanhada por outras variantes subjectivas, mas evidentes.

A modificação do sistema de jogo, que passou de um 4x4x2 clássico para um modelo losango, e a reorganização de algumas peças - caso mais notório de Pablo Aimar que recuou no terreno -, são duas variantes fundamentais.

A qualidade e diferença substantiva da nova liderança técnica, que até ao momento conseguiu potenciar e valorizar a maioria dos jogadores, estará talvez no topo da pirâmide e constitui a principal influência na profunda melhoria do Benfica 2009/10.