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26 dezembro 2009

O príncipe David



Por João Gobern in Record

Em rigor, deveria ser ao contrário. Ou seja, o diamante é que deveria ser trabalhado até se transformar em diadema. No caso, é de Diadema - município do Estado de São Paulo - que chega o "diamante", uma das pedras preciosas do catálogo joalheiro da Luz: David Luiz Moreira Marinho, 22 anos e meio, futebolista profissional, defesa central de posição. Quem assistiu ao Benfica-FC Porto de domingo e preferiu focar a sua atenção no jogo (e não nas peripécias do costume), reconfirmou a certeza de que o "mocinho" tímido que há três anos chegou a Portugal, vindo de um discreto Vitória da Baía, está no caminho certo para se transformar num atleta de classe mundial.

Mantém uma ótima tradição lançada pelos seus compatriotas ao serviço do Benfica, depois de Mozer, de Ricardo Gomes, de Aldaír. Ou, no presente, de Luisão. Tem, sobre todos, a vantagem de o termos visto crescer por aqui, de podermos dar conta da evolução exponencial do rapazinho, "lançado às feras" num jogo muito complicado frente ao Paris St. Germain. Com erros à mistura, logo aí deu sinais de uma fibra e de um espírito guerreiro assinaláveis. Aos poucos, foi-se afirmando, apesar de prejudicado por algumas lesões consideráveis e por uma utilização demasiado frequente no lado esquerdo da defesa, que - apesar do desempenho em esforço - não é a sua "praia".

Hoje, é o mais rápido defesa do Benfica. Ganhou sentido posicional (e a convivência com Luisão não será estranha a esse progresso) e desfez-se da cerimónia com a bola: é vê-lo avançar para desequilibrar ou ensaiar lançamentos longos, transformando momentos defensivos em ocasiões de ataque (de que é prova aquele falso "alívio" que foi, afinal, assistência decisiva para o golo de Saviola). Remata bem e cabeceia melhor, fazendo uso pleno da estatura (1,88 m). A forma eficaz e elegante como "secou" Hulk e Falcão, às vezes dispensando a ajuda de parceiros, fez dele um dos protagonistas do clássico.

Falta-lhe trabalhar para que a concentração não se escape em situações-chave; falta-lhe, às vezes, controlar a fogosidade. Mas é grosseiro rotulá-lo como "sarrafeiro" ou "maldoso" - e o cartão amarelo que viu é, tão só, um reflexo condicionado de uma campanha injusta e cirúrgica. De resto, a empatia com os adeptos é total e a atitude no final do jogo (protegendo e abraçando um adepto mais eufórico, oferecendo-lhe a camisola e devolvendo-o à bancada) vem reforçar o seu lugar entre os eleitos da Luz. Dá gosto vê-lo jogar - é um príncipe. Se tudo correr normalmente, vai a caminho do trono.

Nota 1 - Desta vez, foi em cheio: a utilização de Urreta, a "surpresa" de Jorge Jesus, foi ventilada aqui mesmo, há uma semana. Bingo!

Nota 2 - Um bom Natal para todos, sem azias.

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