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13 outubro 2011

Saviola: que fazer com ele?

O Benfica-P. Ferreira foi o jogo de Saviola e isso é notícia porque esta época, aparentemente, já não se esperava tanto do avançado argentino.

Ou pelo menos parecia que o treinador do Benfica não esperava, tão intermitente tem sido a utilização de Saviola esta época.

Marcar dois golos ao Paços de Ferreira nunca será coisa digna de enormes elogios, mas o facto de ter sido Saviola o autor do feito recorda uma questão por resolver. O Benfica vai manter o avançado?

De acordo com o que foi público na altura da contratação ao Real Madrid, o contrato termina no final da época. E haverá possibilidade de prolongar até 2013. Mas será que o Benfica quer?

Do meu ponto de vista, e apesar de desconhecer quanto recebe Saviola no Benfica, acho que faria sentido mantê-lo. No final da época terá 30 anos. Para o tipo de futebol que joga, sem dúvida conseguirá competir a alto nível por mais duas ou três épocas.

A decisão nunca será, creio, tomada do ponto de vista desportivo. Dependerá mais da avaliação que o Benfica fizer dos dois jovens avançados que tem no plantel: Rodrigo e Nelson Oliveira. Se Jesus achar que é altura de os lançar, poderá dizer adeus a Saviola. Se for cedo de mais, então o movimento racional é accionar a cláusula de opção de Saviola.

Até lá, o argentino vai monstrando o que sabe.

PS: Já agora, Aimar também termina contrato. Faria sentido convencê-lo a ficar mais um ano. E procurar quem se pareça com o argentino. Witsel não é esse jogador. É muito bom, sim, mas diferente.

27 agosto 2011

Witsel: reparem como ele respira

Nos primeiros jogos foi Nolito a recolher as palmas dos adeptos do Benfica e está bem assim. Mas convém não confundir as coisas. O espanhol é bom jogador, tem jeito para marcar golos, o que é notável. Witsel, também recrutado este ano, pertence à categoria mais rara dos jogadores fantásticos.

É por isso que este jogo com o Twente é uma boa oportunidade para falar em Witsel. Por causa dos golos, lá está a análise simples, mas sobretudo pelo resto que o belga mostrou.

O que me impressiona mais em Witsel é a forma como respira.

Normalmente os jogadores respiram com dificuldade. Alguns parecem carregar uma botija de oxigénio às costas. Movem-se em sofrimento e mantêm relação de duvidosa estabilidade com tudo o que tem a ver com futebol. Sobretudo com a bola.

Witsel é o contrário de tudo isto. Move-se sem que se note. Ninguém lhe descobre um instante de cansaço. A bola gosta dele e para cada esquina do jogo o médio belga possui uma solução. Não a mesma. Várias, para cada problema.

É muito bom com a bola, é excelente sem ela. Marca golos, ajuda a equipa, sente-se confortável nos flancos, mas também no centro. A tabelar como a anular as melhores ideias dos adversários.

Por hoje fico por aqui sobre Witsel, não vá o leitor achar que exagero.

PS: Por um daqueles casos que não se explicam, apesar de ser tudo aquilo que escrevi antes, não é seguro que Witsel consiga convencer Jesus a dar-lhe a titularidade em todos os jogos. Quer dizer, acabará por convencer. Mas ainda vai demorar um pouco. Para já, nos jogos a sério está garantido que o Benfica será mais equilibrado e muito melhor do que antes. Por Witsel estar em campo.

10 maio 2011

O exagero de chamar ruinosa à época do Benfica

Segundo lugar no campeonato, meias-finais da Taça de Portugal e da Liga Europa e conquista da Taça da Liga significam uma época desastrosa, como se apregoa? Não me parece. Diria mesmo que é a terceira melhor temporada da década, só ultrapassada pelas duas em que o Benfica se sagrou campeão nacional.

Percebe-se a frustração dos benfiquistas com a eliminação europeia aos pés do Braga, que nas contas caseiras ainda tem muito que pedalar na história para ter o nome do Benfica. Mas que outra equipa no mundo classificaria de ruinosa uma época como esta?

Os objectivos principais falharam, é certo. Ou melhor: o objectivo principal - revalidar o título nacional - falhou. E falhou de forma retumbante, com direito a festa do principal rival em pleno Estádio da Luz. A Taça de Portugal, segundo objectivo por natureza, falhou como falha muitas vezes, mas é certo que nem sempre (e cá estamos de novo) com o Porto a festejar a passagem à final no Estádio da Luz à custa do Benfica. A Supertaça foi idem aspas, mas em Aveiro. A derrota de Braga, ainda por cima com o Porto a qualificar-se também para Dublin, é a cereja no topo deste bolo de frustrações - tivesse ela acontecido com um Villarreal qualquer e rapidamente se transformava o desastre em vaidade pela chegada à semifinal.

O que começou por ser um problema de expectativas (agravado com um discurso algo irresponsável no que respeita à Europa), terminou num problema de honra e orgulho feridos. E por isso tudo parece pior, nomeadamente Jorge Jesus e o futebol que conseguiu pôr a equipa a praticar nos últimos dois anos.

O Porto funciona, para o Benfica, como o próprio Benfica para o Porto e para o Sporting: perder é sempre muito mau, mas torna-se horrível quando se perde para aquele adversário em concreto. Repare-se, por exemplo, como quatro segundos lugares consecutivos, adocicados com Taças de Portugal e Supertaças, ficaram nos registos do imaginário sportinguista como um bom período da equipa. E como Paulo Bento só foi despedido quando o apanharam atrás... do Benfica. Ou como o Porto reagiu muito pior aos títulos perdidos em 2005 e 2010 (para o Benfica) que em 2000, 2001 e 2002 (para Sporting e Boavista).

Ganhar um ou dois campeonatos de forma esporádica custa muito, é trabalhoso e justifica festa como se não houvesse amanhã. Mas há. E manter a veia ganhadora por largos períodos consecutivos custa muito mais e é muito mais raro. O Sporting fê-lo nos anos 40 e 50, o Benfica foi hegemónico nas décadas de 60 e 70, o Porto tomou as rédeas do futebol português desde a segunda metade dos anos 80. E não está com ar de querer largá-las. É este o grande problema do Benfica.

04 fevereiro 2011

David Luiz: bem vendido, sem dúvida

O passe de David Luiz foi bem vendido.

Receber 25 milhões de euros por um defesa central será sempre um bom negócio e foi isso que o Benfica fez.

Claro que vender jogadores importantes a meio da época é sempre sinal de que se troca a possibilidade de sucesso desportivo por uma receita que poderia nunca mais surgir. Mas, na verdade, a hipótese de chegar ao título é remota e a Liga Europa, até ver, uma miragem.

Foi isso que Luís Filipe Vieira fez. Aceitou deixar a equipa mais fraca, em troca de um encaixe significativo que lhe permite manter algum equilíbrio financeiro.

Os benfiquistas perdem um ídolo, a SAD recolhe o dinheiro. No primeiro momento, é uma relação desequilibrada. Os adeptos nunca querem saber muito de contas, mas adoram os seus jogadores e sobretudo acham graça a quem lhes dá alegria.

David Luiz, pela forma empenhada como se entregava, simbolizou aquilo a que se costumava chamar «um jogador à Benfica». Os mais velhos sabem do que falo. Nesse sentido, perdê-lo deve ser um momento duro. Mas inevitável. Se não fosse a 31 de Janeiro seria no Verão. E talvez por menos dinheiro.

03 fevereiro 2011

Benfica: atitude e organização

Quem viu o golo de Fábio Coentrão no F.C. Porto-Benfica sabe o que foi a exibição «encarnada» no Dragão.

Nesse lance, Fábio Coentrão conseguiu uma síntese perfeita dos 90 minutos benfiquistas na Taça de Portugal. Foi ambicioso ao chegar à área; corajoso ao enfrentar os adversários no seu campo; forte, eficaz e clarividente ao esticar-se para o toque final. Enquanto fazia isso, a equipa mantinha-se organizada atrás.

O Benfica foi organizado e forte. Demonstrou frescura e isso possibilitou-lhe ganhar muitos duelos. O meio-campo foi exemplar, com apoio excelente de Gaitan e Sálvio, ambos perfeitos a fechar os corredores. A defesa revelou segurança, no primeiro desafio pós-David Luiz.

Em suma: o Benfica foi ao Dragão dar uma lição ao F.C. Porto. Aproveitou os erros do adversário, sempre com serenidade, e nem quando ficou reduzido a dez jogadores abanou.

No campo do principal candidato ao título, o Benfica provou que está muito mais forte, em crescimento, e pronto para aproveitar o mais pequeno deslize portista. Como sucedeu esta quarta-feira.

19 dezembro 2010

SLBenfica - Rio Ave . Fotos/Estatísticas



SLBenfica 5 - 2 Rio Ave






13 dezembro 2010

SLBenfica - Braga . Taça de Portugal . Fotos


Taça de Portugal

SLBenfica 2 - 0 Sp. Braga




25 novembro 2010

Benfica: o dia em que Jesus teve razão. Ou nem por isso

Dizia Jorge Jesus depois de vencer o Hapoel na Luz, uma coisa deste género: atenção, esta equipa é boa, ainda vai ter importância nas contas do grupo.

Provou-se que tinha razão. Ou nem por isso.

Tinha razão porque ao vencer pela primeira vez na Liga dos Campeões, o Hapoel Telavive selou o adeus do Benfica à Liga dos Campeões e apurou Schalke e Lyon. Não tinha razão nenhuma quando dizia que os israelistas formam uma boa equipa. Longe disso, pelo menos pelos padrões da mais importante competição de clubes europeus.

Então que se passou com o Benfica?

Provavelmente muita coisa, a maior parte dela só compreensível para quem está lá dentro, dirigentes, treinadores e jogadores.

O que se viu foi isto: baixa intensidade, insensibilidade aos sinais do adversários, escassa confiança e, talvez mais importante, ausência de vontade de vencer.

De resto, este tem sido o traço mais característico do Benfica em 2010/11: parece cansado de ganhar, sem a garra da época passada.

Sejamos claro: o que decidiu não foi a qualidade dos jogadores, a organização, o valor como equipa, a sorte ou o azar. O que decidiu, em Israel, foi a vontade de ganhar. O Hapoel teve-a, o Benfica nem por isso.

O resto, o que explica este estado de alma, saberemos um dia mais tarde. Quando se tornar inevitável alterar alguma coisa.

Para já, Portugal ficou a saber que na segunda metade da temporada dificilmente terá equipas entre a elite europeia e provavelmente estará muito bem representado na Liga Europa. Bom para o ranking, péssimo para o orgulho benfiquista.

09 novembro 2010

Jorge Jesus: tudo errado

É muito fácil criticar um treinador que acabou de perder por 5-0. Neste caso, acabou de ver o seu clube entrar na história pela porta errada: nunca o Benfica tinha perdido por tantos em casa do F.C. Porto.
Apesar de ser fácil, é preciso fazê-lo.

É evidente que Jorge Jesus errou ao colocar David Luiz como lateral esquerdo. Como já tinha errado, com a mesma opção, em Liverpool.

O erro não é escolher o jogador menos correcto para marcar o futebolista mais poderoso do adversário. O erro maior é dizer à sua equipa e aos adeptos que afinal o treinador acha que não são assim tão bons.

Foi isso que Jorge Jesus fez. Pensou o clássico a partir do ponto de vista defensivo, a olhar mais para o F.C. Porto do que para o Benfica. E era ele quem precisava de ganhar.

Com aquela opção, Jorge Jesus retirou confiança a Fábio Coentrão (afinal ele pode ser lateral, mas não quando do outro lado está o jogador mais forte do adversário), Gaítan (não serve para estas coisas) e César Peixoto (nem vale a pena explicar porquê). E complicou a vida de David Luiz (expondo-o fora de posição) e Sidnei (expondo-o num jogo assim, quando não tem ritmo).

Resumindo: Jorge Jesus teve uma noite péssima no Dragão. Ele errou mais do que a equipa. Ou pelo menos primeiro do que a equipa.

25 outubro 2010

Portimonense - SLBenfica . Fotos


Portimonense - SLBenfica, 0 - 1
(Javi Garcia)


Roberto;Maxi Pereira, Luisão, David Luiz e César Peixoto;
Javi García, Carlos Martins (Jara), Gaitán e Aimar;
Saviola (Felipe Menezes)e Alan Kardec (Airton)



19 outubro 2010

Futebol com Todos: o Benfica é o povo ou o povo é o Benfica?

Dizia-me o barbeiro, há meia dúzia de dias:
- Amigo, tenho-o em boa conta e gosto de vê-lo por cá, mas o meu amigo se fosse esperto comprava uma daquelas máquinas e cortava mas era o cabelo em casa.

Estranhei.

Saí do barbeiro e mais volta menos volta parei em frente à loja de discos, das poucas que ainda há pela cidade. Estava fechada e tinha aposto um letreiro:
- Caro cliente, os tempos mudaram. É hora de comprar música pela internet.

Acho que estranhei.

Baralhado com os novos tempos, segui caminho. Quando me preparava para empurrar a porta do restaurante de sempre, que costuma estar encostada, dei com ela fechada. Não havia letreiro, mas passava por ali um vizinho, também cliente habitual.
- Ó shor Alexandre, isso vai ou não? Olhe, o nosso amigo do restaurante, agora, passa a maior parte do tempo em casa. Diz que não há melhor do que comprar comida congelada, já feita, e botar no micro-ondas. Não chega a cinco minutos e sai tão bem como quando passamos meia hora a mexer a panela de um lado e a ver, do outro lado, se as brasas estão boas para assar o peixe sem queimar nem deixar sangue. Não é a Bimby mas quase!

Estranhei de novo, mas lembrei-me que de facto, logo de manhã, no lugar da banca de jornais tinha encontrado anúncios de computadores cheios de links coloridos. «Vinha comprar o jornal? Para quê?»

Claro que tudo isto foi um sonho. Mas por que raio teria sonhado isto? Seria por causa do apelo do Benfica aos adeptos para que não fossem ver a equipa nos jogos fora de casa? Caramba, afinal aquilo tinha sido apenas um desabafo, feito no calor dos pontos perdidos e no arrepio de ver fugir o primeiro classificado...

Acordei. Como de costume, liguei o rádio.

O locutor lia uma carta de Luís Filipe Vieira a reforçar o tal apelo. Estava ensonado, mas captei a essência da mensagem: adeptos de futebol e do Benfica, por favor não vão ao futebol... nem para ver o Benfica! Venham apenas ao Estádio da Luz, cá é que joga o Benfica, não vão dar dinheiro aos maus que não nos deixam ganhar ao Guimarães, ao Nacional e à Académica.

Belisquei-me, mas já estava acordado. Posso prová-lo com documentos e nem sequer preciso de recorrer ao vídeo da excelente resposta que André Villas-Boas deu a Luís Filipe Vieira.

Já passaram uns dias. Ainda não percebi a diferença entre aquele sonho e a realidade de ver um presidente de clube a despromover o produto que supostamente deveria querer vender.

Enquanto isso os adeptos, inteligentes, vão comprando bilhetes para o jogo de Portimão.

É o Benfica que alimenta o futebol português? Não exactamente: o amor que os adeptos têm ao Benfica alimenta uma fatia da economia do futebol português, é certo - mas acima de tudo alimenta o próprio Benfica. Inverter os termos desta relação não passa de demagogia.

20 setembro 2010

Benfica: mais qualquer coisa

Ponto prévio: o Benfica ainda não é excelente. Não foi a vitória no derby, indiscutível em toda a linha, que virou as coisas do avesso.

Muito do melhor que os encarnados fizeram frente ao Sporting, por exemplo, nasceu de lançamentos longos que a defesa leonina tinha obrigação de defender melhor.

O Benfica da última época jogava à bola com mais qualidade.

Mas é indesmentível também que a equipa está a crescer. A última semana foi nesse aspecto sintomática. Duas vitórias, ambas muito justas.

A maior evidência é esta: o Benfica está a ganhar intensidade. Nos dois últimos jogos pareceu uma equipa mais pujante, mais consistente, que defende melhor e sobretudo é mais robusta no aproveitamento das saídas rápidas para o ataque.

Cardozo e Saviola, por exemplo, fartaram-se de ganhar bolas perante os defesas do Sporting. O paraguaio foi aliás o caso mais evidente da intensidade crescente do Benfica: marcou dois golos, atirou uma bola ao poste e rematou duas vezes às malhas laterais.

No fundo é isso que aos poucos está a mudar na Luz. É verdade que não é tudo, nem sequer se torna agradável à vista como já foi, mas já é qualquer coisa. É sobretudo um bom princípio. O Benfica pode partir daí para outras conquistas.

19 setembro 2010

Futebol com Todos: o derby das inseguranças

Gostava sinceramente de antever um Benfica-Sporting no mínimo tão bom como o Porto-Braga da semana passada. Gostava mas não consigo.
Podia começar pela qualidade nominal dos plantéis, mas isso talvez fosse injusto. Fiquemo-nos pela qualidade do trabalho colectivo já demonstrado por estas quatro equipas e encontramos uma primeira pista para a descrença.

A segunda, porventura mais importante, é a pressão sentida por Benfica e Sporting. Sobretudo Benfica, que tem menos pontos. Perder mais um jogo, com o Sporting ou com outro clube qualquer, seria quase um adeus prematuro à renovação do título de campeão. Cinco jornadas, normalmente, são pouco para se poder falar. Mas com quatro derrotas seria quase irrealista pensar em recuperação.

Para o Sporting a pressão é ligeiramente, mas só ligeiramente, menos forte. Isto se lhe interessar mesmo o primeiro lugar do campeonato nacional e não apenas o da Segunda Circular. Se o objectivo é o topo, também está na altura de não deixar fugir mais o FC Porto e o Sp. Braga.

Juntem-se então estas inseguranças ao futebol pouco bonito, prático e eficaz praticado pelas duas equipas. Mexa-se bem e tempere-se com polémicas fora do relvado (já cá faltavam). Acrescente-se o molho típico dos clássicos - feito à base de receios mútuos e aprisionamentos tácticos - e temos a receita esperada: um jogo intenso e dramático, talvez, mas dificilmente bem jogado e de qualidade técnica extra.

A esperança é que o futebol, uma vez mais, possa contrariar os desígnios da lógica dedutiva. Preferia engolir as previsões que aqui deixo do que o prato mais provável tendo em conta os ingredientes.

13 setembro 2010

Alguns problemas do Benfica (e nenhum se chama Olegário)

O pior Benfica de sempre caiu pela terceira vez na Liga Zon Sagres e saiu de Guimarães a queixar-se da arbitragem.
São duas más notícias.

Por um lado é verdade, o árbitro errou de mais e sempre contra o Benfica.

Por outro, também é verdade, o problema do Benfica não se chama Olegário. Aliás, se fosse Benquerença a questão fundamental nem seria mau. Afinal, o homem de Leiria vai apitar quantos jogos do campeão? Mais dois ou três?

Mas, de facto, a questão não é a arbitragem.

O principal problema nesta altura, acredito, é que nem Jorge Jesus saberá exactamente o que se passa. No futebol, como na vida, andamos sempre atrás de explicações que por vezes simplesmente não existem. Ou não alcançamos.

Voltemos um pouco atrás, por exemplo. Na época passada, em Guimarães, o Benfica venceu no último suspiro, com um golo de Ramires. Antes, o Vitória, com menos um em campo, podia ter marcado. Se o tivesse conseguido, quem sabe, talvez aquele Benfica eufórico, fantástico, confiante, não tivesse sido exactamente igual. Esta época teve oportunidades, podia perfeitamente ter construído um resultado muito diferente. E perdeu.

Nos detalhes, toda a diferença. Daí a dificuldade em encontrar explicações, além da única avançada pelo treinador do Benfica na sala de imprensa: o árbitro. Por azar, essa não vale.

Não havendo grandes explicações, há pelo menos algumas decisões que estão a ter um custo elevado.

O guarda-redes, por exemplo. Hoje não se falou de Roberto, mas é evidente que o Benfica devia ter mantido Quim. Simplesmente porque não existia necessidade de mudar. Esta noite o espanhol não errou (também não resolveu), mas fica ligado a outros desaires e é precisamente a sucessão de derrotas, não esta, que causa perplexidade.

Depois Di Maria e Ramires. É evidente que o Benfica precisava de fazer dinheiro, mas se fosse fácil encontrar jogadores como eles, Real Madrid e Chelsea teriam ido comprar a outro lado.

Estes são os factos. Além deles, há outras observações que é possível fazer.

Maxi Pereira está pior do que na época passada. Por causa do Mundial?

David Luiz está menos fiável. Por lhe ser dada especial liberdade para atacar, o que o retira da sua zona quando é preciso e lhe causa desgaste desnecessário?

Javi Garcia está menos exuberante. Porque Ramires fazia muito trabalho «invisível»?

Cardozo está como sempre esteve. Mas o défice de mobilidade do paraguaio, que é de todos os dias, nota-se mais quando a equipa carece de dinâmica, como é o caso?

Já agora, convém incluir Jorge Jesus nesta lista. Se é sempre redutor ligar as opções dos treinadores às derrotas, nem por isso deixa de ser verdade que o treinador não tem encontrado soluções no banco. Guimarães foi exemplo disso.

Resumindo: o Benfica tem alguns problemas e Olegário não é um deles. Mas, atenção, o campeão continua a ter todas as condições para regressar à Liga. E ganhá-la. Precisa é de encontrar soluções. Depressa.

03 setembro 2010

Pode um penalty ser um clique? - Por Alexandre Pereira

Jorge Jesus escolheu o caminho mais óbvio no jogo com o Vitória de Setúbal: tirou Roberto da baliza e entregou-a a Júlio César.

Quem acreditar em malhas tecidas pelo destino achará que a expulsão do brasileiro e o penalty defendido a frio por Roberto, ao minuto 23, foram parte de um guião escrito pelos deuses. Os mais terra-a-terra (dedo levantado) dirão que foi uma coincidência muito, muito engraçada. Diria mesmo poética, com a poesia a servir, aqui, para se gostar um pouco mais do futebol (quando acontecem coincidências destas nos lados mais importantes da vida também ficamos de bem com o mundo).

Roberto julgar-se-á, a esta hora, abençoado. Um golo do Vitória de Setúbal naquele momento não seria culpa dele, claro, mas poderia ter dado outra história ao jogo. Assim, tudo perfeito para o Benfica: vitória clara, poucos sobressaltos e aplausos frenéticos (poéticos?) para o guarda-redes espanhol que há uma dúzia de horas era o pesadelo do Terceiro Anel.

Mais importante que as emoções voláteis é, agora, perceber se o jogo deste sábado chegou para Roberto fazer a agulha no sue percurso de águia ao peito. Terá aquele momento mágico chegado para lhe dar a confiança que lhe falta desde o primeiro dia?

Jorge Jesus espera bem que sim, visto que no próximo jogo não pode contar com Júlio César e Moreira constitui, provou-se nesta convocatória, carta fora do baralho. Pelo que em Guimarães, depois da paragem da Liga, joga Roberto. Ou haverá guarda-redes novo, mesmo com esta defesa caída do céu?