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24 maio 2013

Além do imediato

Por Pedro Ferreira in Jornal O Benfica

Nós, Benfica, perdemos o campeonato no final e a final da Liga Europa também no final. Para a história e estatística fica a frieza do registo e poucos se recordarão das circunstâncias de tais desfechos. Entre o azar, as falhas próprias e os méritos alheios ficou o testemunho de que a justiça não se compadece com o destino. Testemunhámos também que, para além da frieza dos números, há toda uma envolvência que, de forma estranha e praticamente inaudita, levou a que, mesmo no momento de dois duríssimos golpes, tivéssemos visto milhares e milhares de benfiquistas reagir à adversidade, amparando os seus atletas numa comunhão raramente vista nos momentos de ausência de vitória.

Confundir este amparo aos nossos com falta de exigência ou falta de ambição por parte dos benfiquistas é enviesar a leitura da realidade. Nenhum benfiquista se sentiu minimamente satisfeito com o desfecho da época. Todos os benfiquistas ambicionam muito mais do que o que colhemos da época que agora finda. No entanto, também foi notório que a família benfiquista soube reconhecer o empenho e o mérito do caminho percorrido pelos nossos futebolistas e por Jorge Jesus. Só assim se explica que a esmagadora maioria dos benfiquistas defenda a continuidade do treinador. Isto é muito estranho para a realidade do futebol português. É de tal forma inovador que deveria levar os opinadores que acusam os benfiquistas de falta de ambição a tentar ver para além da miopia do imediato. Se assim o fizessem, perceber-nos-iam, pois, pela primeira vez na história do nosso futebol, vemos uma massa adepta feita de milhões de pessoas a olhar para o futebol para além do óbvio. Ou seja, somos agora acusados por fazermos na prática o que esses teóricos andam a pedinchar há anos: termos cultura futebolística para perceber que o futebol não pode ignorar o resultado, mas que não se esgota nos números do mesmo.

Campeonato Miguel

Por Luís Fialho in Jornal O Benfica
 
Na antevisão à última jornada do Campeonato, tive oportunidade de dizer, na nossa Benfica TV, que para fundamentar a esperança na conquista do título, precisaria de ter a certeza de que nada de anormal se passaria no outro estádio onde se jogavam as grandes decisões. Não foi necessário esperar muito tempo para confirmar os meus piores receios.
 
Aos vinte minutos da partida da Mata Real, o mesmo indivíduo que na temporada passada, em Coimbra, transformara um claríssimo penálti sobre Aimar numa falta contra o Benfica, resolveu, desta vez, transformar um cartão amarelo por simulação de James Rodriguez fora da área, numa grande penalidade a favor do FC Porto, com expulsão do defesa pacense. Percebi, de imediato, que não valia a pena sonhar. A realidade mantinha-se, igual a si mesma, como há já muitos anos nos habituámos a ter de suportar.
 
Concluído o Campeonato, gostava, com sinceridade, de poder atribuir a perda do Título apenas ao mérito do adversário, ao cansaço dos jogadores do Benfica, ou simplesmente ao azar. Porém, ao lembrar-me de Carlos Xistra em Coimbra, de Pedro Proença na Choupana, e, sobretudo, deste Hugo Miguel em Paços de Ferreira, não sinto que o possa fazer. Este, para mim - que também tenho direito a usar alcunhas - ficará na memória como o Campeonato Miguel.
 
Depois de vermos fugir o Título deste modo, depois de perdermos a Liga Europa (essa sim, de forma limpa, honrada, mas meramente infeliz), resta-nos a Taça de Portugal. Não a encaro como um consolo, ou como um prémio menor. Pelo contrário, vejo-a como uma competição importante e bonita, que há muitos anos escapa ao Glorioso, e que quero fervorosamente vencer. Além de que, terminar a temporada com um troféu nas mãos, parece-me ser o mínimo que a justiça pode fazer ao brilhante futebol que a nossa grande equipa apresentou durante meses.
 
Esperemos que desta vez não haja Miguéis a condicionar o jogo, e que a grande festa do Jamor seja limpinha. Pois o Campeonato, depois de tanta conversa, acabou bem sujinho.

11 maio 2012

Neblina

Crónicas de LF, in Vedeta da Bola, in Jornal O Benfica

O processo Apito Dourado mostrou-nos a forma como certos clubes se movimentavam nos bastidores, e traficavam influências com vista à viciação de resultados desportivos. Dirigentes desportivos recebiam árbitros em casa nas vésperas de jogos, ofereciam-lhes prostitutas após os mesmos, adulteravam processos disciplinares, instrumentalizavam jornalistas, etc. Ficou à vista, e ao ouvido, de todos, que havia quem não olhasse a meios para atingir os seus fins, que havia quem fosse capaz de tudo para chegar às vitórias. À semelhança do que aconteceu em tantos outros casos no nosso país, questões processuais chocaram de frente com o apuramento da verdade, e promoveram a impunidade generalizada - aspecto que serviu para o branqueamento daquelas vitórias e daqueles títulos, convidando, simultaneamente, a que tais práticas continuassem, ou até que se intensificassem. 
A quem conheça um pouco da história da corrupção no desporto internacional (e, infelizmente, já houve vários e diferentes casos), não surpreenderia também que a vertente ligada à arbitragem, então desmascarada, fosse apenas a ponta de um iceberg onde outro tipo de elementos se misturasse. Dito de outro modo, quem acompanhe, por exemplo, o ciclismo e os seus frequentes casos de doping, sabe que o tipo de controlo feito no futebol não passa de uma brincadeira de crianças, à qual muitas práticas ilícitas, e actualmente bastante sofisticadas, podem facilmente escapar. E, quem tenha lido alguma coisa sobre o fenómeno das apostas ilegais (por exemplo na Ásia, mas também na Itália ou na Alemanha), perceberá como a um defesa-central, ou a um guarda-redes, é fácil fabricar um resultado, prejudicando a própria equipa, a troco de dinheiro, de um contrato, de uma relação privilegiada com determinado empresário, de uma boa crítica num jornal, ou até de uma ameaça. 
Quem já se mostrou capaz de corromper, e vive da impunidade de um sistema judicial obsoleto, não pode pois esperar as nossas felicitações, mas sim a nossa desconfiança.

03 janeiro 2012

O da Joana

Crónicas de Pedro F. Ferreira, in Jornal O Benfica, in Tertúlia Benfiquista


Passou quase despercebido, não foi capa de jornal nem deu direito a finas ironias, mas um dirigente do Sporting, Paulo Pereira Cristóvão, no intervalo de um jogo do seu clube, abordou o árbitro Artur Soares Dias. Este ter-se-á sentido de tal maneira incomodado com a peculiaridade da abordagem que, alegadamente, mandou um agente da PSP identificar o referido dirigente. Ou seja, a pedido de um árbitro, um dirigente do Sporting foi identificado por um polícia.

Este dirigente é o mesmo que recentemente, qual anão de saltos altos, se imaginou à altura do nosso Benfica e tentou, com declarações vergonhosas, achincalhar o nosso clube. O melhor que conseguiu foi “apenas” contribuir para que um grupelho de bandalhos arruaceiros incendiasse umas cadeiras da bancada onde haviam estado instalados para verem mais uma derrota do clube deles.

Ao ter conhecimento do comportamento do dito Cristóvão e da alegada identificação de que foi alvo, perguntei-me se algum dirigente do Sporting viria para a imprensa ameaçar Artur Soares Dias com uma gravação da referida conversa. O que se sabe é que a abordagem foi feita e que Artur Soares Dias não terá ficado nada agradado com a mesma. Felizmente para a saúde do árbitro não houve nenhum tropeção na escadaria de acesso aos balneários e pôde arbitrar a segunda parte do jogo…

Quanto ao senhor Cristóvão, já teve tempo e oportunidades de sobra para perceber que nem tudo é legítimo apenas porque um grupo de imbecis lhe legitima as atitudes com palmadinhas nas costas. Ou seja, já é tempo de o senhor Paulo Pereira Cristóvão perceber que, como diz o povo, “isto não é o da Joana”.

24 outubro 2011

A Catedral da Luz

Para a semana, celebrar-se-á mais um aniversário do nosso estádio. 25 de Outubro de 2003 foi a data de inauguração do actual ninho das águias, oficialmente denominado como Estádio do Sport Lisboa e Benfica. No entanto, é popularmente chamado como ‘Estádio da Luz’ e é apaixonadamente denominado como ‘A Catedral’.

Luz, Catedral… as amarras do nome oficial são quebradas pela identificação nominalista da universal família benfiquista. Assim, toda a nomeação é uma espécie de sacralização de um espaço profano, uma sacralização de origem profana, de simbólica profana, mas de linguagem sagrada. A mesma linguagem que nos leva a dizer que a camisola do Benfica é o ‘manto sagrado’ ou que o Benfica é o único clube que não permite a utilização da expressão ‘velhas glórias’, pois os que são denominados como ‘glória’ do clube jamais envelhecem na memória colectiva do benfiquismo.

Deste modo, temos a sacralização do espaço, do tempo, do símbolo e dos que, de entre todos, melhor o serviram. Olhar para a nossa Catedral, com todos os adeptos, os fiéis, ritualmente levantados durante a audição do “Ser Benfiquista” (para quando o regresso do nosso hino, “Avante, Avante p’lo Benfica”, ao nosso estádio?), levantando o cachecol antes de o recolocar, qual estola, em ombros, enquanto se espera a vénia dos nossos futebolistas aos adeptos tem algo de litúrgico. É a junção do ritual ao tempo, ao espaço e ao modo.

Compreende-se que vulgarmente se diga que o Benfica é uma religião. Objectivamente, não é. No entanto, sentimos que uma ida à nossa Catedral, à nossa casa, é mais do que uma viagem – é mais do que meramente passar por cima de uma experiência – é, essencialmente, uma forma profana de peregrinação. Ou seja, ir à nossa Catedral é viver uma experiência de crença no benfiquismo, de partilha de uma ideia de clube e de comunhão de uma vontade comum.

23 outubro 2011

Balanço negativo


Quando se aproximam as eleições na FPF, é altura de fazer um balanço dos 15 anos que Gilberto Madaíl levou à frente dos destinos da mesma. Infelizmente, esse balanço não pode ser positivo. Admito que Gilberto Madaíl seja uma pessoa estimável (não o conheço), mas o seu trabalho em todos estes anos foi quase sempre marcado pela mediocridade, e muitas vezes pela fuga às responsabilidades.
Argumenta-se que levou a Selecção a Europeus e Mundiais. Ao contrário de um clube, onde as
direcções contratam e vendem futebolistas, não creio que um dirigente federativo tenha mérito substantivo nas vitórias desportivas da respectiva Selecção. Na minha óptica, Madaíl teve apenas a sorte do seu consulado coincidir com uma extraordinária geração de talentos (Rui Costa, Figo, João Pinto, Simão, Ronaldo, etc), que, ela sim, proporcionou os resultados que a FPF pouco fez por merecer. Acresce que, sob a sua liderança, nem só de rosas viveu a Selecção Nacional. Os Mundiais de 2002 e 2010 foram momentos de angústia colectiva, com casos de indisciplina e desorganização que saltaram à vista de todos, e dos quais não se chegaram a apurar as devidas culpas. Pelo meio, nos tempos de Scolari foi o próprio seleccionador que, assumindo tarefas que competiam aos dirigentes, disfarçou insuficiências que nunca deixaram de subsistir.
Mas nem é a Selecção o principal critério de análise a uma direcção federativa (mesmo sendo ela a sua grande fonte de financiamento). O futebol das divisões secundárias quase morreu neste período, não se tendo visto o mais pequeno esforço para o compatibilizar com os paradigmas dos novos tempos.
As selecções jovens, com a honrosa excepção do último Mundial de Sub-20, eclipsaram-se. Os quadros competitivos continuam desfasados da realidade, e reféns de interesses menos claros. E embora sem responsabilidades directas no assunto, não me lembro de ouvir um pio a Madaíl quando escutas telefónicas demonstraram ao país a corrupção em que navegava o nosso futebol.
Por tudo isto, Gilberto Madaíl não irá deixar saudades

14 outubro 2011

Comunicação

Engana-se todo o que olha para o futebol e o considera essencialmente como uma actividade física. O futebol é antes de qualquer outra coisa uma actividade humana.

Nesta perspectiva percebe-se a importância da comunicação no desempenho do futebolista, da equipa, do clube. Perceber qual o tempo e o modo da mensagem é, quase sempre, tão importante como a própria mensagem. É impensável ter uma equipa onde não há uma cumplicidade entre os seus membros. É impensável a cumplicidade numa liderança equívoca ou que comunica numa polifonia de vozes contraditórias.

Muitos não sabem, mas o último título de campeão vencido pelo Benfica foi alicerçado também num esforço enorme de comunicação abrangente, envolvendo muitos benfiquistas e com uma definição clara de objectivos. Percebemos a mensagem, interpretámos correctamente o tempo e o modo, agimos em conformidade e, desde o futebolista sem lugar a titular até ao adepto de bancada, passando pelo treinador, dirigentes e diferentes meios de comunicação do grupo Benfica (sítio na internet, jornal, televisão, revista) toda a gente comunicou um benfiquismo feito de abdicação de interesses próprios em prol do interesse colectivo.

Desde o início desta época que noto com agrado um renovado esforço na comunicação, na tentativa de aglutinar o clube em torno de um rumo comunicacional. Concordando ou não, esse rumo está lá, existe e tem sido cumprido. Por vezes, o que o pode fazer desmoronar é a ausência de vitórias. Felizmente, estas têm surgido. Resta agora que saibamos todos, desde os técnicos ao atleta menos utilizado, passando pelos dirigentes, lidar com o tempo e o modo da comunicação em tempo de vitória.

10 outubro 2011

Os maiores


1. Duas notícias (importantes mas que terão passado despercebidas a muita gente) da passada sexta-feira. Numa delas, refere que o Benfica é o 8.º de sempre da Liga dos Campeões, num ranking elaborado pelo jornal francês L'Équipe, fundador da competição, que atribui pontos aos vencedores, finalistas vencidos, semi-finalistas e clubes que atingem os quartos-de-final. O Benfica soma 217 pontos contra 138 do FC Porto (11.º) e apenas 39 do Sporting (48.º). A outra notícia salienta que o Benfica é o único Clube português que entra no top-30 das marcas mais valiosas do Futebol europeu, sendo avaliado em 56 milhões de euros (28.º lugar), segundo o relatório anual da consultora Brand Finance. A classificação é liderada por Manchester United, seguido do Real Madrid e Barcelona.


2. 'O FC Porto é um grande clube europeu em termos de ranking mas pequeno no tratamento destas questões, porque se não tinha capacidade financeira para adquirir dois dos nossos melhores jogadores, não deviam ter negociado' (...) 'Não se preocuparam em dar-nos uma explicação, apesar das nossas inúmeras tentativas para chegar à fala com algum responsável'. As queixas, transcritas no insuspeito 'O Jogo', são de Pierre François, director-geral do Standard de Liège, que acusa o FC Porto de ainda não ter pago, conforme o acordado, os passes de Defour e Mangala, adquiridos em Agosto por 6 e 6,5 milhões de euros, respectivamente. Mas o director-geral do clube belga disse mais: 'O Benfica teve um comportamento completamente diferente e procedeu ao pagamento acordado, mal recebeu o certificado internacional de Witsel.' É um dirigente belga quem o afirma...


3. A polícia fez agora uma rusga à Juventude Leonina, de que resultou uma prisão preventiva e oito elementos com termo de identidade e residência, quatro deles impedidos de ir a jogos. Os No Name Boys já haviam sido alvo de investigação idêntica há uns meses. Estes (e outros) grupos de adeptos integram numerosos elementos muito válidos, que têm como (louvável) objectivo o apoio aos seus clubes. Mas, infelizmente, albergam no seu seio também alguns elementos indesejáveis, que devem ser irradiados do Futebol e devidamente punidos. Só se estranha é que as acções (louváveis) levadas a cabo em Lisboa não sejam seguidas a Norte do País, onde haveria - certamente - muito para 'limpar'...

Anti-climax

O Benfica jogou para a Liga Portuguesa no dia 1 de Outubro. Só voltará a jogar, em Aveiro, no dia 22 de Outubro. Temos, portanto, 21 dias de interregno, três semanas sem Campeonato, justamente numa fase em que as coisas começavam a aquecer na luta pelos lugares cimeiros.

Mesmo que, no plano pessoal, de certa forma até me agrade uma pausa futebolística que permita, por exemplo, pôr as leituras em dia, em termos de competição, e sobretudo de espectáculo, não posso compreender tão absurda calendarização.

Tenho defendido que os jogos de qualificação das selecções deveriam ser concentrados no Verão anterior ao das fases finais. Ou seja, em Junho de 2011 jogava-se a qualificação para o Euro 2012, em Junho de 2013 disputava-se o apuramento para o Mundial de 2014, e assim sucessivamente. Ganhava a qualidade do Futebol, pois as selecções dispunham de maior tempo de preparação conjunta; cresciam as audiências, sabendo-se que nessa altura o Futebol de clube está fechado para férias, e os adeptos estariam com maior predisposição para encarar o patriótico espírito de Selecção; e evitava esta intromissão quase abusiva nos calendários competitivos dos clubes, que não serve às selecções, não serve aos jogadores, não serve aos adeptos, não serve aos adeptos, e não serve o Futebol (talvez sirva alguns interesses em redor da FIFA).

Também as Taças domésticas (tanto a de Portugal, como a da Liga) poderiam, e deviam, ser concentradas numa altura específica do ano. Por exemplo em Janeiro, quando o mercado de transferências está aberto (outro absurdo), e como marco separador da primeira e segunda volta do Campeonato (uma terminando no fim de Dezembro, outra iniciando-se em Fevereiro). Teríamos, pois, uma volta inteira sem pausas, as eliminatórias das Taças, outra volta inteira sem pausas, as finais das Taças, e por fim as selecções.

Se no plano internacional estamos dependentes dos desígnios e humores da FIFA, quanto ao resto, com um pequeno esforço organizativo, talvez fosse possível mudar. O adepto agradecia.

02 outubro 2011

A banalidade

Banalmente, o Benfica empatou no estádio do FCP. Um empate é um resultado banal. O jogo foi banal. E nesta banalidade reside a novidade.

O facto de o Benfica ter ido jogar contra o FCP e ter acontecido apenas a banalidade de um jogo de futebol é algo de extraordinário. Não houve agressões gratuitas, não houve violência bárbara, não houve apedrejamento do autocarro dos nossos, não houve ameaças aos profissionais do nosso clube, não se criou um clima de terror, não se assistiu a espectáculos deprimentes dados por títeres de apito na boca e ninguém se lembrou de inocentemente incendiar o ambiente com ironia dita fina.

Tudo isto deveria ser referido, louvado e dado como a primeira explicação para que o Benfica pudesse sair do estádio do adversário com a ligeira vantagem de ter empatado no terreno do principal rival na luta pelo título. No entanto, e cito as palavras de Eça de Queirós, “Neste país, no meio desta prodigiosa imbecilidade nacional” o que serviu de tema para discussão foi (pasme-se!) um imaginado pontapé do Cardozo no rabo do Fucile. Pontapé que não existiu e que provocou em Fucile o acto reflexo de se queixar da cabeça antes de se lembrar que talvez fosse melhor queixar-se do traseiro. Sempre dava mais verosimilhança à encenação. Depois, foi um corre-corre de especialistas em física, cinética, balística e generalidades afins para provarem como a simples deslocação do ar junto à região glútea pode provocar dores imediatas na cabeça e, como tal, o malvado Cardozo deveria ter sido expulso por nunca ter agredido o Fucile.

Afinal, a banalidade manteve-se no pós-jogo. Por cá, já é banal fazer de um não existente pontapé no rabo um assunto de interesse nacional. Por outro lado, a corrupção no desporto, de tão banal, já nem é discutida. É, como tantos outros assuntos, convenientemente esquecida e diligentemente silenciada.

08 agosto 2011

As grandes esperanças do merceeiro analfabeto

in "O Indefectível"

Esfregando as mãos sebentas, o merceeiro analfabeto confessou, despudoradamente, que deposita grandes esperanças em Vítor Pereira. Pudera! Ano após ano, grandes esperanças são depositadas nos senhores de cócoras. Sempre disponíveis para um jantar de marisco em Matosinhos, nunca recusando um convite para uma deslocação nocturna a um arrabalde manhoso para uma muito católica apostólica romana conversa sobre pecadilhos parentais com o Professor Bambo da Madalena, fiéis utilizadores dos serviços íntimos das senhoras do calor da noite, é nos sequazes de Vítor Pereira que, muito correctamente, o merceeiro analfabeto aposta para mais uma época de vergonhosas fraudes semanais e de títulos de fancaria.

É nesta (in)cultura que tais vermes rastejam e se multiplicam. Sem surpresas. Ou talvez com a surpresa grotesca de ver um parolo tomar de assalto o castelo das Antas. Diz ele, fotografado orgulhosamente em tronco nú, para que todos possamos aquilatar das suas insuficiências e admirar o seu peito de tísico, que viveu os melhores momentos da sua estúpida existência. Parece que o estaminé estava ao abandono. Nem um único steward (provavelmente de cara esmurrada pelo incrível Shrek) lhe surgiu num corredor esconso. Dormiu serenamente, como qualquer habitual flausina, no gabinete onde, pelos vistos, repousam os troféus - eles sabem bem que quem ganha não são técnicos nem jogadores...

Depois, num reflexo de súbita criatividade, desceu ao relvado com duas taças e passeou-se com elas, fingindo ter em seu redor um estádio cheio a aplaudi-lo. O homenzinho pode ser um tonto, mas não é completamente insano. No fundo, limitou-se a fazer aquilo que habitualmente fazem os jogadores do seu clube: passeiam-se pateticamente exibindo taças que não são deles.

22 julho 2011

Considerações

Ser benfiquista é uma coisa que não está ao alcance de qualquer um. É por tudo isto que aqueles que não são da nossa cor nos odeiam visceralmente.

A grandeza do nosso Clube assusta. Logo, causa inveja e esta passa imediatamente ao tal ódio incontido que cega tudo e todos sem qualquer discriminação social.

Há uns anos, Jesualdo Ferreira, foi o culpado indirecto de José Mourinho não ter regressado ao Sport Lisboa e Benfica. Este, não queria nem vê-lo e Jesualdo não saía nem punha o lugar à disposição sem ser indemnizado. A nossa Direcção bem tentou demover Mourinho, mas nada feito. Assim sendo, Jesualdo continuou até ao jogo com o Gondomar e depois foi colocado em Braga a expensas do Benfica e nem obrigado nos disse. Pelo contrário, veio para Braga dizer mal da nossa instituição. Entretanto, José Mourinho saiu do Leiria para o Porto com os resultados que todos nós conhecemos. Se não fossemos o Clube solidário que somos e um Clube de causas era fácil. Vamos inverter os papéis. E se isto tivesse acontecido num outro clube bem conhecido? Jesualdo sofria uma cilada, o carro era incendiado, fugia a sete pés e era ele a rescindir o contrato, sem justa causa.

E se Balboa e Zoro estivessem nesse mesmo clube? Teria sido mais ou menos igual: um taco de Basebol na cabeça ou num joelho com a ameaça de que da próxima vez era bem pior. E se fosse um autarca? Ainda mais grave, conforme o lugar que se ocupa na sociedade. Por isso é que eu me orgulho de ser benfiquista. Teremos de continuar cada vez mais a ser gratos e solidários, para sermos cada vez maiores.

O peso da responsabilidade


O Benfica afina os motores para o começo da temporada. Uns partiram, outros ficaram, outros acabam de chegar. É sempre assim, mesmo quando se ganha, já que hoje a mobilidade e a volatilidade do mercado futebolístico faz com que não haja certezas quanto ao futuro de cada jogador na sua equipa, sobretudo se teve êxito, se conseguiu impor-se em termos internacionais e se tem vontade de tentar a sorte noutras paragens. O coração pode morar até ao fim num clube, mas a ambição e o desejo de triunfo fazem com que a razão e a conveniência falem muito mais alto que os afectos. Por muito que nos custe, no Benfica como noutros clubes, é esta a regra do jogo. Convém não esquecer, parafraseando o Prof. Adriano Moreira, sempre lúcido e certeiro, numa entrevista recente, que vivemos num tempo em que “o preço das coisas é o valor das coisas”. E não existe coração que fale ou bata mais alto que esta lógica implacável.

O Benfica prepara-se para começar e, acima de tudo, para transformar numa verdadeira equipa o colectivo que já é. Sabemos que são duas coisas diferentes e que, por vezes, é grande a distância que as separa. Mas, uma coisa é certa: aconteça o que acontecer, a equipa não pode ter um arranque, em competição a valer, com uma perda de pontos que, logo à partida, lhe comprometa o título. Para isso bastaram o sobressalto e a frustração da época anterior. É demasiado cedo para se vestir a camisola de tons escuros do pessimismo quando tudo está ainda a começar. Para tons sombrios, bastam os da crise nacional, europeia e mundial. Uma das virtudes e méritos do futebol reside justamente na capacidade que tem de nos fazer acreditar na vitória quando tudo em volta parece querer derrotar-nos. Como sempre, o Benfica tem o destino nas suas próprias mãos e não pode alienar ou delegar essa responsabilidade, por muitas e boas razões. Haverá compromisso maior com o presente e com o futuro ?

05 fevereiro 2011

Razão e coração


O Campeonato está a entrar numa fase crucial. Quem ficar para trás, dificilmente, terá margem para recuperar. Todos o sabem, mas uns parecem sabê-lo melhor que os outros.Convergem vontades e palavras para evitar que quem regressou ao topo de forma revalide o que por direito lhe pertence. É sempre assim. Nem é preciso ler “Arte da Guerra”, do velho e sábio Sun Tzu, para se saber que uma das tácticas que mais frutos costumam dar é a da desestabilização emocional dos adversários antes da hora do confronto em que tudo se decide.
O Futebol não é, como alguém disse, uma religião ou um assunto de Estado. Mas, no vazio de muitas outras crenças, ele ocupa um espaço singular em que se juntam razão e coração, com o segundo, quase sempre, a falar mais alto que a primeira. Nas religiões, o que conta é a fé, que abre a porta aos dogmas que tornam quase tudo indiscutível e indisputável. No Futebol, o que conta é a paixão, que também tem os seus dogmas e pouco espaço deixa para a serenidade da análise equidistante e fria. Para isso existem os comentadores, que fingem nunca ter clube ou cor preferida, mas que, frequentemente, deixam cair a máscara e acabam por denunciar o jogo. Para o resto, para o terreno da paixão, existem os adeptos, os que sofrem, gritam, insultam, choram, culpam e desculpam. Exactamente porque para eles só existe o coração. E a paixão.
O Benfica levou tempo a recuperar, mas está onde, e como, queremos que esteja: combativo, criativo e com energia. Por isso é temido e respeitado. Mas, também por isso, este é o momento em que é preciso manter a cabeça fria entre linhas para que, fora delas, os corações que vibram possam viver as suas merecidas horas de júbilo.
E há sempre vozes que provocam, que desafiam, que tentam desestabilizar, porque sentem o cheiro do perigo e a primazia em risco. Mas, como diz o velho e sábio provérbio, essas vozes, como as do pequeno equídeo das fábulas, nunca conseguem chegar ao céu, nem mesmo ao som de apitos.

17 dezembro 2010

4800


Com a realização do encontro para a Taça de Portugal, no último domingo, a principal equipa de futebol do Clube atingiu a redonda cifra de 4800 jogos disputados. O “Glorioso” é o clube em Portugal com mais jogos realizados, pelo facto de ser totalista nas 77 edições do campeonato nacional (2121 jornadas), mas também aquele que em competições a eliminar soma mais eliminatórias ultrapassadas, por isso mais jogos (325 nas competições europeias e 470 no Campeonato/ Taça de Portugal). Isto para além de outras competições, já inexistentes, como o Campeonato Regional de Lisboa (406 jogos e único totalista das 41 edições da primeira competição oficial do futebol português). A ancestral, perene e contínua popularidade do “Glorioso” tem permitido a realização de inúmeros (989) jogos particulares e a solicitação para estar presente em inúmeros Torneios (249) ou disputa de Taças (87). Valores de excelência. Únicos em Portugal, invulgares na Europa e raros no Mundo.

NÚMERO DE JOGOS

Campeonato Nacional
2121 Jogos

Particulares
989

C.o/ Taça de Portugal
470

Camp. Regional Lisboa
406

Torneios/ Taças
336

Tç Campeões Europeus
185

Taça UEFA/ Liga Europa
98

Taça Honra de Lisboa
84

Taça Vencedores Taças
42

Supertaça
32

Torneios Regionais (AFL)
17

Taça Latina
7

Torneios Nacionais (FPF)
6

Taça Intercontinental
5

Taça Ibérica (FPF/RFEF)
2

Totais
4800

Estes 4800 jogos correspondem a 2996 vitórias (estamos a quatro da três mil!), mais 2047 vitórias que as 949 derrotas, e 855 empates, com 12 180 golos marcados, mais 6739 que os 5441 golos sofridos. São 62 por cento de vitórias, mais de dois golos por jogo (2,5) e, também, mais do dobro de golos marcados em relação aos sofridos (2,2 de “goal-average”). Urge conservar esta capacidade de obter bons resultados (tendo equipas competitivas) e salvaguardar (não deixando desvirtuá-lo) este património imaterial do “Glorioso”.

Valores de excelência. Valores do Benfica.

27 novembro 2010

Adeptos Fiéis


São enormes os adeptos que estão sempre presentes na “Catedral”, seja qual for o adversário, seja que competição disputar o “Glorioso”, seja que classificação tivermos. São enormes os adeptos que estão sempre a apoiar a equipa, seja que resultado estiver a ocorrer, com o incentivo a ser dirigido apenas no sentido de agradecer o que está a acontecer ou apoiando para que haja força para resolver, a contento de todos, os momentos de infelicidade. São enormes os adeptos que dizem “sim” a qualquer jogo do “Glorioso” independentemente do dia (fim-de-semana ou final de um dia de trabalho), horário (manhã, tarde ou noite) e do esta- do de tempo (chuva, frio ou calor). São gigantes os adeptos que se deslocam de longe, muito longe (por vezes centenas de quilómetros, com os consequentes encargos, em dinheiro, tempo e incómodos vários) sabendo que no regresso, um insucesso da equipa, significa que o percurso parece multiplicar-se por muitos mais quilómetros ou muitas mais horas. Estão presentes para ver, apoiar e dignificar o Clube, independentemente do resto...
Estes são os Grandes Benfiquistas. Os Notáveis do Benfica! Foi com adeptos destes que o Benfica se fez “Glorioso”!

19 novembro 2010

A esposa, a concubina, M. Madalena e os silêncios convenientes


Crónica em Benfica73

Sou ateu. Religião só o Benfica e religião crítica. Carneiro jamais. Cobarde nunca e medo só de perder os que amo.
Católico temente a Deus, como PC, terá de explicar, um dia ao Criador, porque enganou um Papa, após abandonar a legítima esposa, Filomena Morais, mas visitando João Paulo II com Carolina Salgado, sua concubina, fazendo-a passar por filha, que pouco tempo depois, não foi credora da veracidade dos seus depoimentos em tribunal. Quer dizer, serviu para a cama, para filha, mereceu estar na presença do Pontífice da Igreja que professa, mas não de ser ouvida, como qualquer cidadã, perante os juízes que julgavam tudo o que o Youtube já mostrou.
Quando a “coisa estava preta”, correu para a ex-mulher e, qual cachorro abandonado, pediu “perdão”, que tudo não tinha passado de um “devaneio”. Jurou novamente amor eterno, deu entrevistas: “Nunca deixei de amar Filomena”. A filha de ambos serviu, para justificar esta re-união.
Passado o perigo das penas efectivas, nova Carolina, agora de nome Fernanda. Novo abandono do lar e o devaneio (esse malandro) outra vez instalado na sua vida, impoluta, pia e santa. Tirando Filomena, a quem se reconhece um passado moralmente limpo, as outras sabe-se que faziam companhia a senhores solitários.
Mas… não é isto que espanta. O que espanta é o conivente silêncio, dos jornalistas, que ou omitem a notícia da presença ou chamam “namorada” à amante de um homem casado, aliás, re-casado com a esposa. O que espanta é o silêncio da Igreja e dos Bispos, que invoca, como D. Pedro Pitões (1134) e Armindo Lopes (97/07), ambos Bispos do Porto. E D. Manuel Clemente mantém o silêncio e abençoa, quem não teve vergonha de ludibriar um Papa.
Disse Jesus a propósito de M. Madalena: “Quem nunca pecou que atire a primeira bola de golfe.”
É por isso que este fim-de-semana iremos ver tanto pecador junto.
Shiu: - São filhos de umas amigas da “namorada”.

Mantorras: símbolo e mártir


“Deixem jogar o Mantorras” – um grito de revolta e desespero que foi um misto de antevisão/ premonição do que ocorreria na época seguinte. Estávamos a 16 de Agosto de 2001, após um jogo (houve?) na Póvoa de Varzim. De nada serviu. Perante a complacência dos árbitros – que foram cúmplices do que aconteceu – os adversários só conseguiam pará-lo recorrendo à falta. Lembro- me de num Benfica - FC Porto, na Tribuna de Imprensa do anterior Estádio da Luz, indignar-meperante as entradas sucessivas dos portistas sobre Mantorras, ao que um “sr. jornalista” jocosamente atirou: “É preto... aguenta tudo!” Só que não aguentou. Também os media foram coniventes – porque branquearam - com o jogo violento de alguns adversários, sobre Mantorras, quando este envergava o “Manto Sagrado”.
Tinha tudo, mas mesmo tudo, para ser um dos melhores avançados do mundo. Ficou-se pelo desejo. Ficou à beira da glória suprema, próximo da honra superior e de se guindar ao topo dos melhores futebolistas do mundo. Não lhe permitiram singrar no futebol. Jogava muito... pelo “Glorioso”. “Sarrafaram-no” sem dó nem piedade. Tantas e tantas agressões. Fizeram-no sofrer. Tanta impunidade. Mantorras foi uma das vítimas da agressividade dos adversários para com os nossos futebolistas, em particular os avançados. Generoso nunca parava. Ingénuo nunca simulava, nem se protegia. Avançava, mesmo quando, cobardemente, surgiam pelas costas para o derrubar.
Foste uma vítima do “Futeluso”. És o mártir deste futebol português “rasca”. Ficas como símbolo deste futebol anti-Benfica!

17 novembro 2010

João Gobern e Júlio Machado Vaz


Crónica in Benfica73

“Vamos ver se nos entendemos”, a Benfica TV ganharia muito se benfiquistas mediáticos, brilhantes, os melhores entre iguais, estivessem presentes regularmente nas nossas emissões. Ainda que merecedores de um espaço alargado, destaco dois deles nesta crónica semanal com caracteres contados. A frase de arranque do presente texto é uma expressão recorrente no discurso de Júlio Machado Vaz, psiquiatra e sexólogo que partilha as manhãs da Antena 1 com outro grande benfiquista, jornalista, que religiosamente oiço antes de vir para o Estádio da Luz: João Gobern. De segunda a sexta-feira, não perco nenhum dos programas. E como eu deve haver largos milhares. O Júlio e o João vivem no Norte e são figuras que deixam marca por onde vão passando, capazes de defender o Sport Lisboa e Benfica onde quer que estejam. Inteligentes, sensíveis, experientes e fiéis às convicções e princípios fazem-se ler, ver e ouvir de forma apaixonada. Vincam a presença do SLB nas mais diversas ocasiões, conseguindo ser a voz de milhões de adeptos que vivem longe da Avenida General Norton de Matos, da “Nova Catedral”. Na semana das justas homenagens aos Sócios Fundadores, a Cosme Damião, ao Centro de Documentação, ao Museu e ao Departamento de Reserva, Conservação e Restauro (parabéns, António Ferreira!), na semana em que os valores do Clube foram tão bem divulgados parece-me oportuno colocar Júlio Machado Vaz («O Amor É», com Inês Meneses) e João Gobern («Pano para Mangas» e «Hotel Babilónia», este último com Pedro Rolo Duarte) na zona focada pelas objectivas.
Nomes e iniciativas grandes, história e actualidade de valor, presente e futuro brilhante reforçam e engrandecem o SLB. João e Júlio, JJ, convidados várias vezes para vir à antena, cumprem a sua parte de informar com o Benfica no coração. Haja futebol ou não, são um exemplo há anos. Despeço-me até de hoje a oito dias, com a referência a outros nomes de benfiquistas mediáticos, os melhores dos melhores.

10 novembro 2010

Mais Benfica


Há dias, a propósito do lançamento do meu 'Benfica no Pico da Europa', em pleno Estádio da Luz, tive oportunidade de mergulhar na história do nosso clube, juntando imodestamente alguns episódios da minha vida pessoal ao lado de muitas das figuras mais emblemáticas da longa história do 'Glorioso'.
O desfile foi extenso e recordei, logo de início, a minha primeira declaração pública, corria 2000, enquanto director de Comunicação do Benfica. Ao lado do bicampeão europeu Ângelo Martins, anunciei o regresso do grande José Águas aos quadros técnicos do Clube, ele que havia sido proscrito na Direcção de Vale e Azevedo.
Com emoção, e não menos reverência, tornei público que estou na posse da última fotografia com expressão mediática, tirada na Adega da Tia Matilde, a Germano e a Cavém, que pouco tempo depois, dolorosamente, deixariam o mundo dos vivos. Para mim, aquela foto é muito mais do que isso, é um troféu de valor incalculável, é uma das minhas maiores relíquias ou preciosidades benfiquistas.
Na mesma cerimónia, com o presidente Luís Filipe Vieira e Eusébio como testemunhas privilegiadas, não deixei de referir que António Simões, o genial extremo dos anos 60, é o mais jovem campeão europeu de toda a história, após mais de meia centena de edições da Liga dos Campeões, antiga Taça dos Clubes Campeões Europeus.
Por absoluta ignorância, esse facto tem passado ao lado das publicações desportivas nacionais. Espero que, doravante, a situação possa ser revertida. Merece Simões, merece o Benfica, e merece o futebol nacional.