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25 maio 2012

“Foi uma vitória desportiva, uma vitória da verdade”

“A minha primeira palavra não pode deixar de ser de orgulho, de admiração, de agradecimento a todos vós pela vitória, mas sobretudo pelo exemplo que nos deixaram.

Deram a todo o país uma demonstração clara de tudo quanto ao longo de anos temos vindo a denunciar.

A vossa vitória de ontem não foi apenas a vitória desportiva, não representou apenas o 23.º título a nível do basquetebol, foi uma vitória da verdade, da coragem, foi a vitória de quem soube sofrer as consequências de ir ganhar a uma casa que não tem dignidade nas derrotas!

Parabéns Carlos por seres o treinador e o homem que és!

Parabéns à equipa, porque ontem deram uma enorme demonstração do que é o Benfica!

O que ontem se passou no Dragão é uma vergonha para o Desporto, para o país, uma vergonha para as instituições desportivas!
Só não é uma vergonha para quem não tem, nem nunca teve vergonha na cara!

O que alguns fizeram ontem, mas também na véspera do jogo, foi demasiado grave para ficar impune.

E ainda têm a lata de falar de apagões? Quando a sua história foi marcada por fruta, corrupção e compadrio?

Têm a lata de falar de verdade desportiva quando o seu sucesso foi construído com base na maior mentira do desporto português?

O sistema ainda não acabou. O sistema de hoje continua construído na intimidação, na violência, nos favores.

As nossas razões podem não chegar à UEFA, como não chegaram as “escutas da fruta”, como não chegaram para a justiça portuguesa as “escutas do café com leite”!

Mas nós não vamos parar enquanto não limparmos o desporto português.

Burros não são os que acreditam na mudança.

Burros são os que acreditam que isto nunca vai mudar!

Burros são os que acreditam que a impunidade vai durar para sempre!

Mas será que alguns dirigentes deste país só gostam da actuação da Polícia quando esta os avisa que tem de fugir para não serem presos?

Na vida como nos livros:

Um ladrão não deixa de ser ladrão por declamar poesia!

Um ladrão não deixa de ser ladrão por ir ao Papa!

Um fugitivo da justiça não o deixa de ser apenas porque alguns juízes decidiram assobiar para o lado!

Posso garantir-vos que vamos continuar a denunciar e a combater o sistema, o tempo que for necessário, seja no Basquetebol, no Futebol, no Andebol ou no Hóquei!

Alguns muros já caíram, mas não vou descansar enquanto houver árbitros, delegados e dirigentes que tenham medo, que se sintam condicionados por ameaças e represálias.

Não vou descansar enquanto algumas Federações continuarem a ter medo de agir com liberdade. Só espero que o sistema não venha agora a atacar no Hóquei, porque não tenham dúvidas de que vamos estar muito atentos!

Para o Carlos Lisboa e toda a equipa, o meu muito obrigado pela maneira como vestiram a camisola. Pela forma como lutaram durante o jogo e pela forma como souberam sofrer depois do jogo.

O vosso exemplo orgulha o Clube, orgulha os benfiquistas e orgulha todos aqueles que gostam de ganhar limpo!”

27 novembro 2011

Mensagem do Presidente


Obrigado a todos pela entrega e pelo exemplo!

Tinha pedido na sexta-feira, em Portalegre, para repetir Manchester, desta vez no nosso estádio. Um desejo concretizado e que devo, uma vez mais, agradecer.

Todos aqueles que estiveram, ontem, na Luz têm uma grande responsabilidade no sucesso da equipa. Mais uma vez foram de uma entrega e de uma dedicação inexcedíveis. Para os bons e maus momentos, os sócios são a razão de ser deste Clube. Ontem, isso ficou, mais uma vez, bem demonstrado.

Quanto ao resto, vamos ignorar e passar ao lado de quem pouco se importa com as consequências das suas irresponsáveis palavras e atos. Nós vamos continuar, como até aqui, a preocuparmo-nos apenas connosco, com aquilo que devemos fazer a cada dia sem olhar para o lado.

O jogo de ontem já passou, agora temos de começar a preparar os próximos jogos, na certeza de que ainda temos um longo caminho a percorrer e de que ainda não ganhámos nada. Se formos sérios teremos sucesso, se pensarmos só em nós estaremos mais próximos de atingir as nossas metas.

Obrigado a todos pela vossa entrega e pelo vosso exemplo!

Luís Filipe Vieira

25 novembro 2011

Mensagem do Presidente


Obrigado a todos!

Algumas horas depois do nosso apuramento para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões, senti necessidade de expressar publicamente o meu agradecimento aos milhares de adeptos e sócios do Sport Lisboa e Benfica que ontem, em muitos momentos do jogo, nos fizeram duvidar se estávamos a jogar em Manchester ou na Luz.
Quero agradecer-lhes o esforço, o exemplo e, acima de tudo, a forma como durante todo o jogo apoiaram a equipa. São momentos como este, e não falo sequer do resultado desportivo, que me fazem sentir um tremendo orgulho por liderar este Clube.

É um orgulho ser presidente de um Clube com uma massa associativa que consegue fazer o que ontem fizemos em Manchester. Obrigado a todos os que estiveram no estádio, obrigado pela forma como sempre “empurraram” a equipa, obrigado por deixarem bem claro em Manchester a imagem do Clube que somos!

Luís Filipe Vieira

11 outubro 2010

Estimado Consócio

Quando o Presidente do Clube escreve a todos os Sócios isso significa que considera o momento tão importante que justifica um contacto mais próximo com aqueles que, verdadeiramente, se interessam pela vida, pela imagem e pelo futuro do nosso Benfica.

A delicadeza da situação impõe que se fale com clareza, sem que a verdade das palavras possa ser interpretada como justificação para uma época que não começou como todos desejaríamos, ou desculpa para culpas próprias que possam ter influenciado resultados abaixo das expectativas de um bom começo de época, que eram inteiramente legítimas tendo em conta o valor dos nossos profissionais.

A vitória no campeonato da época passada, as excelentes exibições e a valia da equipa causaram preocupação a muita gente. Acreditávamos que começavam a ser criadas condições para o regresso a um clima de boas práticas, em que os resultados desportivos fossem o espelho do valor das equipas e do desempenho no terreno de jogo. Mas, o que se passou neste início de campeonato faz-nos temer - ao contrário - que o futebol português esteja, de novo, a ser armadilhado por jogadas de bastidores.

Lamentavelmente, já se registaram atropelos demasiado graves e abusos demasiado evidentes para que possam passar sem uma reacção enérgica. O Director Desportivo, o Treinador e eu próprio, denunciámos o embuste que está a atraiçoar a prática desportiva e voltaremos a fazê-lo tantas vezes quantas as necessárias para que a mentira não seja a regra do nosso futebol e para que os seus autores e aliados sejam desmascarados. Porque é de mentiras que estamos a falar!

O prestígio do Benfica é um valor demasiado sério para que alguém se atreva a brincar com o interesse da instituição. O nosso protesto foi o adequado às circunstâncias e o convite que fizemos aos nossos adeptos, para não comparecerem nos estádios dos nossos adversários, é a medida justa para que sejam todos, e não apenas o Benfica, a reagir para pôr fim a uma situação insustentável. Movem-nos razões de legítima defesa.

Compete aos Sócios e adeptos ajudar esta Direcção a lutar pela verdade e pela transparência no futebol português. Comparecer aos jogos fora significa pactuar com o actual estado do futebol português!

Os dirigentes, a equipa técnica e os atletas não vacilam na vontade de contribuir para que a verdade desportiva prevaleça. Estamos determinados a fazer tudo o que seja necessário para que o clube não seja mais prejudicado. Acima de tudo, exigimos respeito!

Os meus votos são os de que este assunto não me obrigue a voltar a contactar os Sócios do clube, mas não hesitarei em faze-lo caso não se ponha um ponto final na sucessão de atropelos a que temos vindo a assistir.



Com as melhores saudações,

Luís Filipe Vieira

Presidente do Sport Lisboa e Benfica

01 outubro 2010

Discurso de Luís Filipe Vieira na AG Ordinária

O presidente do Sport Lisboa e Benfica, Luís Filipe Vieira, discursou esta quinta-feira na Assembleia Geral Ordinária do Clube. Leia a intervenção na íntegra.

“Permitam-me que comece esta minha intervenção dando conta de uma obra que está a ser realizada junto à porta 18 – cuja conclusão está prevista para as próximas semanas – e que é, para esta Direcção, motivo de grande satisfação.

Como todos sabem, para mim uma promessa é uma dívida, e havia uma promessa antiga que por diversas razões ainda não tinha sido possível cumprir até aqui. Felizmente, chegou o tempo de saldar essa divida, que é uma divida de gratidão.
Dentro de poucos dias será erguido o ‘mural’ com os nomes de todos os sócios ‘fundadores’ do novo estádio.

Sócios que, num momento difícil da nossa vida associativa, ajudaram o Sport Lisboa e Benfica a construir a sua ‘nova’ casa.


Sócios que num momento em que era necessário recuperar a nossa auto-estima, disseram presente!

Sócios que ajudaram financeiramente a erguer o estádio de que hoje todos nos orgulhamos.

Sempre fui agradecido a quem me ajudou na minha vida! Como presidente do Benfica a minha postura não podia ser diferente!

Este mural representa o nosso obrigado a todos esses sócios que num momento de incerteza nos ajudaram a escolher o caminho do crescimento e da modernização!

Obrigado a todos!!

Continuamos a viver, economicamente, tempos difíceis, o que nos obrigou a enfrentar novos desafios, definindo uma estratégia clara que nos permitiu chegar onde chegamos. Temos vindo a saber encontrar o bom caminho nos momentos mais difíceis.

Conseguimos melhorar em muitos capítulos, sem nunca desistir do rigor nas nossas contas. Não é um exercício fácil, mas é necessário se pretendemos manter o Clube no patamar onde ele chegou.

Como poderão ver no relatório que vos foi entregue, o Clube obteve um lucro de 2,4 milhões de euros, mas a vida do Clube vai muito para além dos seus mapas contabilísticos. É evidente que compete-nos gerir com prudência, principalmente em função da degradação económica que vivemos, mas continuam a ser os êxitos desportivos que orientam a nossa acção diária.

Como sempre foi assumido por esta Direcção, os sócios vão continuar a estar no centro da nossa estratégia de desenvolvimento, sem eles nada disto faz sentido. Mas é, igualmente, importante que se mantenha a dinâmica de crescimento do número de associados. Os 300 mil é a próxima meta, atingi-la é responsabilidade de todos e a melhor manifestação da nossa vitalidade e do nosso dinamismo.

A responsabilidade de continuar a fazer o Benfica crescer não é apenas da Direcção – desta ou de qualquer outra. É responsabilidade de todos os sócios, é responsabilidade de todos os adeptos.
Este deve ser o tempo em que todos aqueles que ainda não são sócios devem formalizar a sua relação com o Clube. Quanto maior for a nossa força mais fácil será enfrentar as dificuldades que se avizinham.

No que se refere às modalidades a nossa aposta mantêm-se com o reforço de todas as equipas, mas com a certeza da necessidade de alcançar resultados equilibrados. O nosso propósito é que todas as modalidades tenham a capacidade de lutar por todos os títulos em discussão.

Podemos não os ganhar todos, mas temos a obrigação de estar em todas as finais. É essa a responsabilidade que os nossos técnicos sabem que têm, é essa a meta que deve ser partilhada por todos os nossos atletas!

Permitam-me que saúde aqui a nossa equipa de hóquei em patins que conquistou de forma tão brilhante, no passado domingo, a Supertaça, algo que já não acontecia desde 2001. Esta deve ser a regra e não a excepção!

Essa é, pelo menos, a minha ambição!

No que toca a outra das promessas eleitorais da actual Direcção, o Museu continua a ser um dos objectivos do presente mandato, por tudo quanto ele representa para a preservação da nossa memória, mas principalmente no que ele representa a nível do legado que queremos deixar as gerações futuras.

Temos essa responsabilidade e essa obrigação e posso-vos garantir que eu estou empenhado em deixar – neste estádio – um Museu que orgulhe todos os Benfiquistas!

O nosso Clube também é a nossa história, e o nosso Museu deverá ser lugar de memória, de identidade, de renovação!

Quanto aos nossos meios internos, além da reformulação do Jornal do Benfica, do desenvolvimento e da internacionalização da Benfica TV, continuamos apostados em defender de forma intransigente os valores dos nossos direitos audiovisuais.
Dentro de poucas semanas vamos concluir algumas parcerias que vão permitir à Benfica TV chegar a mais uma série de países, algo que me deixa naturalmente satisfeito, tendo em conta não apenas a juventude do projecto, mas sobretudo a sua importância estratégica na afirmação dos valores universalistas do Sport Lisboa e Benfica.

Finalmente, uma palavra para as Casas do Benfica. A sua dinamização e a uniformização de toda a rede contínua a ser uma prioridade, por tudo quanto representam a nível da expansão e da defesa do Clube.

Se quiserem assumir a sua tarefa – e estou convencido que querem – as Casas serão fundamentais para o crescimento e consolidação do Benfica.

O nosso caminho vai continuar a ser feito de grande determinação, de muita inovação na acção e de absoluto rigor na gestão!”

28 junho 2010

Entrevista a Luís Filipe Vieira à BenficaTV

02 janeiro 2010

Entrevista a Luís Filipe Vieira no Jornal A Bola



Entrevista de
José Manuel Delgado in A Bola

O presidente do Benfica sabe que 'Roma e Pavia não se fizeram num dia'. Por isso, embora sonhe com o título e esteja feliz pela carreira dos encarnados, não embandeira em arco com resultados ou exibições. Mas que ninguém confunda esta atitude com falta de ambição. Para o Benfica que Luís Filipe Vieira quer, apenas o céu é limite...

«Vamos crescer até onde nunca imaginámos»

QUE agenda foi estabelecida para o Benfica a pensar nos desafios propostos pelo ano de 2010 que está a começar?

— A agenda normal de um Clube moderno em que o futebol ocupa lugar de destaque mas em que as responsabilidades vão muito para além do futebol. Conseguimos recuperar em apenas nove anos todo o atraso a nível de infra-estruturas e, ao mesmo tempo, credibilizámos o Clube, portanto, agora temos que fazer a gestão corrente, acompanhar a realidade nacional e internacional, provocar as rupturas que se revelaram necessárias aos interesses do Benfica. Costumo dizer que o Benfica voltou a ter futuro, em contraste com aquilo que encontrámos quando aqui cheguei. Nesta altura, queremos juntar ao património os resultados desportivos, quer seja no futebol, nas modalidades ou na formação. É nisto que estou concentrado e empenhado.

— Vamos assistir a alterações de fundo em matérias tão relevantes como o naming do estádio, renegociações com a Sagres ou a Adidas, a entrada da Benfica TV na plataforma ZON ou a venda dos direitos televisivos?

— Tudo tem o seu tempo e garantidamente, como pode calcular, são matérias que obrigam a reserva e seguramente a muita negociação. O que posso garantir, como de resto tenho feito até aqui, é que vamos assumir até ao fim os compromissos que assinámos, mas é evidente que em cada uma das matérias que indicou na pergunta iremos bater-nos por defender ao máximo os interesses do Benfica. A verdade é que conseguindo negociar ou renegociar todos os contratos que referiu, vamos colocar o Benfica num patamar completamente diferente!

— Já foi dito em diversas ocasiões que o Benfica está a receber muito menos em direitos televisivos do que aquilo que virá a auferir num futuro próximo, concorda?

— Todos sabem que os nossos jogos lideram largamente as audiências, mas também é verdade que temos um contrato assinado que iremos respeitar. No entanto, existe a expectativa sustentada de vir a melhorar substancialmente os valores do presente contrato! Neste momento o que importa dizer e reter é que temos um contrato que vamos respeitar.

— Mas, e deixando os direitos televisivos de fora, acredita que ainda é possível optimizar o actual nível de receitas?

-- Sem dúvida, já falou por exemplo de algo que ainda falta explorar, o naming do estádio. Depois, estou convencido que podemos melhorar, com uma boa margem, o valor de alguns patrocínios. Finalmente, deixando de fora os direitos televisivos, ainda temos os nossos jogadores. Todos reconhecem que eles valem muitíssimo mais hoje do que valiam há seis meses atrás. Portanto, por tudo isto sinto-me bastante confortável com a situação actual.

MERCADO DE INVERNO E FUNDO DE JOGADORES

— O Benfica foi ao mercado de Inverno apesar de ter um bom plantel. Os adversários interrogam-se de onde vem o dinheiro para estas operações. Há segredo?

— Não há segredo, há gestão e um compromisso que resulta da última campanha eleitoral e que tenciono cumprir. Podíamos ter resultados financeiros completamente diferentes, mas teríamos vendido jogadores e comprometido o nosso desempenho desportivo. Os parceiros financeiros, em função do nosso histórico, acreditam em nós e tem sido parceiros fundamentais no desenvolvimento de uma estratégia pensada. Podíamos ter vendido alguns jogadores quando o campeonato acabou e nesse caso as nossas contas teriam sido completamente diferentes, mas teríamos vendido mal. Hoje, todos eles estão muito mais valorizados, alguns são mesmo dos mais acompanhados da Europa.

— A criação do Fundo de Jogadores foi uma espécie de ovo de Colombo que outros clubes irão inevitavelmente seguir?

— Nos últimos anos inovámos sempre no negócio do futebol e não só; depois os outros vêm atrás. O Fundo é apenas mais um caso. O que é que o Fundo nos permite? Ceder parte do passe de alguns jogadores, mantendo esses mesmos jogadores no Clube, ou seja realizamos o encaixe necessário sem ter de realizar a venda imediata. Mas além da inovação desta solução, queríamos que ela fosse transparente e por isso fizemos questão que o Fundo estivesse sediado em Portugal e debaixo da supervisão da CMVM, e não como outros fundos anteriores que foram sediados em paraísos fiscais.

— Qual foi a razão do Benfica ter investido no seu próprio Fundo?

— É o melhor sinal da confiança que podemos transmitir. Se quiser, é uma lógica de compromisso em relação a todos aqueles que decidiram investir nele. Também investem porque vêm que o Benfica acredita no Fundo que criou.

— Que sentido tiveram as alterações verificadas na estrutura da SAD?

— Não houve alterações, apenas alguns ajustamentos que tiveram a ver com a necessidade da Dr. Teresa Claudino se dedicar a novas áreas em que estamos a investir como sejam a Clínica e alguns projectos de responsabilidade social, daí a entrada do Dr. Rui Gomes da Silva para a Administração da SAD.

— Que política desportiva será seguida no final da época? Muitas vendas? Muitas compras? Ou, ao invés, aposta na continuidade?

— A prestação desportiva da equipa, a consequente valorização da generalidade dos jogadores e as inúmeras abordagens que têm sido feitas levam-me a pensar que será muito difícil manter o actual plantel tal como ele está. Porque assim penso e não sou ingénuo, estamos já a trabalhar para preparar o médio prazo e alguns dos jovens jogadores que estamos a assegurar nesta fase são, exactamente, para começar a preparar o futuro.

JORGE JESUS E O TÍTULO

— É previsível que o Benfica renove o contrato com Jorge Jesus ao longo de 2010?

— É previsível que Jorge Jesus seja o treinador do Benfica durante muitos anos e não o digo pelo lugar que hoje ocupamos no campeonato, mas sim pelo trabalho que todos os que lidam com ele dentro do Benfica lhe reconhecem. Portanto, Jesus tem todas as condições para fazer um percurso de longa duração à frente do Benfica.

— Acredita num Benfica campeão em 2009/10?

— Estou optimista em relação a isso, mas não é uma garantia, até porque como disse recentemente na inauguração de uma Casa do Benfica, ninguém pode garantir vitórias ou campeonatos, a não ser que se movimente em zonas escuras. Acho que fizemos tudo para construir uma equipa ganhadora, mas há caprichos da bola em campo que ninguém domina. Não posso garantir que vamos ser campeões, mas apenas que vamos fazer tudo para o conseguir.

— Como foi feito o caminho, desde a contratação de Jesus até este momento, numa época em que os adeptos têm aderido como há muito não se via no Benfica?

— Não há segredo. Contratámos um bom treinador - aquele que era desde há muito a minha escolha -, formámos um bom plantel e assegurámos uma boa estrutura profissional. E aqui destaco, sem esquecer o trabalho incansável de todos, a dedicação e paixão com que o Jorge Jesus abraçou este projecto. É verdadeiramente admirável o seu rigor, profissionalismo e entrega. Mas as pessoas têm de estar preparadas para uma ou outra situação menos feliz que a equipa possa viver. E aí todos vão ter de nos ajudar como têm constantemente ajudado a equipa este ano.

— Esta equipa já atingiu o seu máximo?

— Não é isso que o Jorge Jesus me transmite. Segundo ele, o nosso plantel ainda tem uma margem de progressão muito grande. Também é verdade que alguns ajustamentos que fizemos não têm a ver apenas com o curto prazo, mas antes com uma lógica de começar a preparar já a próxima época. Todos os jogadores que entraram agora, são jovens e com enorme talento mas que vão ter que passar por um período de adaptação e, como tal, vão começar a entrar na equipa, crescendo dentro do Benfica, para, quando for necessário, estarem prontos.

— Mas há cada vez menos portugueses na equipa...

— O tempo deles acabará por chegar. Temos jovens na nossa formação que no futuro acabarão por ter o seu lugar na equipa principal, mas primeiro é preciso prepará-los, é preciso construir uma equipa vencedora. Os primeiros a criticar o facto de termos poucos portugueses, são também os mais críticos quando os «jovens portugueses» falham, são os mais críticos quando alguma coisa falha. Por isso temos de assumir uma dinâmica vencedora e depois começar a integrar os jovens da nossa formação. Ninguém mais do que eu deseja ter muitos portugueses na nossa equipa, mas temos de dar um passo de cada vez.

— A Liga Europa (embora nas contas oficiosas do Benfica esteja «apenas» uma presença nos quartos-de-final...) é um sonho?

— Estou certo de que iremos o mais longe que nos for possível. A vitória não está entre os objectivos delineados no início da época. Nesse capítulo, o nosso principal objectivo é o campeonato, mas repito, à medida que formos ultrapassando eliminatórias, não iremos desperdiçar a oportunidade de chegar o mais longe que for possível!

— O Benfica, mesmo sem o recurso a verbas da Liga dos Campeões, apetrechou-se bem e mostra capacidade para mais. Se chegar à Champions, qual é o limite para o Benfica?

— Temos vindo a fazer um trabalho sério e que foi reconhecido pelos nossos sócios. Sabemos que a presença numa Liga dos Campeões pode valer 15 milhões de euros. Sei também que em 2006/2007 estivemos na Liga dos Campeões e tivemos 20 milhões de lucro. Portanto, é evidente que estar lá representa uma parcela financeira importante. Mesmo assim, afastados há dois anos dessa competição, conseguimos fazer o que poucos acreditariam ser possível. O que mais me estranha é que outros clubes que não passaram pelas dificuldades que nós passámos, que estiveram repetidamente na Liga dos Campeões e que vendem regularmente jogadores só consigam apresentar lucros mínimos ou mesmo prejuízos. Quando desportivamente voltarmos ao nosso melhor a verdade é que não sei onde poderemos chegar!

— Acredita que estamos a assistir ao início de uma mudança de ciclo, uma antecâmara da passagem da hegemonia desportiva do FC Porto para o Benfica?

— Preocupa-me pouco o que se passa ao lado, só me preocupa o que se passa nesta casa e, nesse capítulo, estou certo de que estamos a construir um projecto sustentado que nos vai permitir edificar um edifício desportivo de sucesso. Não faço as coisas em função do que os outros fazem, mas sim em função da minha convicção do que é ou não melhor para o Benfica.

— Como caracteriza as várias fases por que passou o futebol do Benfica desde que chegou ao clube, ainda no mandato de Manuel Vilarinho, como gestor do futebol?

— Foram fases muito diferentes. Houve um primeiro momento em que o único projecto que tínhamos era a de salvar o Clube, depois o de recuperar o seu património, depois começámos a desenvolver o futebol e, agora, finalmente, estamos a consolidar todo esse projecto. A tudo isto, e é bom não esquecer, conseguimos juntar a credibilização do Benfica enquanto instituição, algo que há nove anos atrás se tinha perdido!

— Se voltasse ao princípio desta caminhada no Benfica teria dito sim ao convite para entrar no clube?

— Creio que sim, talvez tivesse feito algumas coisas de forma diferente, mas isso é próprio da vida. Infelizmente, não temos uma segunda oportunidade para fazer diferente, por isso não vale a pena lamentar-me muito. É fácil tomar decisões conhecendo as suas implicações no futuro, mas como tal não é possível, não vale a pena perder muito tempo com isso. Em todo o caso, no conjunto de todos estes anos, era difícil fazer de forma diferente!

— Sente-se recompensado pelos alertas que fez contra a corrupção no futebol português?

— Sinto, simplesmente, que fiz aquilo que devia ser feito e que se não fosse isso talvez hoje continuássemos a viver na intolerável mentira de outros anos!

— O Benfica foi derrotado na justiça desportiva europeia?

— Não, a justiça desportiva é que foi derrotada em algumas instâncias do futebol europeu, o que é bastante diferente!

— Como viu a absolvição do FC Porto pelo TAS e a alteração do regulamento disciplinar da UEFA?

— Acho simplesmente que fugiram de um problema, mas independentemente de terem feito vista grossa, todos os que estiveram envolvidos no processo perceberam a dimensão do escândalo.

— O Apito Dourado fez justiça, foi longe demais ou deveria ter ido mais longe?

— Não quero voltar a um capítulo que já todos conhecem, mas é evidente que apesar de algumas decisões judiciais e de outras que alguns perspectivam e anunciam com fanfarronice …- lá saberão porquê e como o podem garantir - ninguém já tem dúvidas do que realmente aconteceu. O importante é garantir que situações como aquelas que foram conhecidas e denunciadas não voltem a repetir-se no futebol português.

SER OU NÃO SER REMUNERADO...

— Quantas horas diárias dedica ao Benfica e quantas horas gasta com as suas empresas?

— Não sei contabilizar o tempo que estou ao serviço do Benfica, mas sei que dedico muito menos tempo do que devia ás minhas empresas. Mas não me queixo, tenho orgulho em ser Presidente do SL Benfica e tenho um compromisso com a palavra dada, que venho respeitando. Este lugar só pode ser assumido com espírito de missão e colocando os interesses do Benfica acima de tudo. Sou dos chamados «três grandes» o único Presidente não remunerado e isso é para mim motivo de orgulho. Mal do Benfica quando tiver de ter um Presidente remunerado...

— Na época passada falhou, por indicação médica, devido a problemas de tensão, muitos jogos do Benfica. Nesta temporada tem ido a todos. Melhorou ou deixou de dar ouvidos ao médico?

— Digamos que passei a ouvir menos os médicos…

— Tem feito milhões de quilómetros para estar junto dos benfiquistas. Sente-se recompensado, ou, a páginas tantas, o cansaço físico leva-o a pensar duas vezes sobre a sua capacidade de manter este ritmo?

— É evidente que o desgaste físico é muito grande, mas creio que os benfiquistas que diariamente se dedicam ao Clube e que também fazem muitos sacrifícios durante o ano merecem que o Presidente esteja disponível e próximo deles, nomeadamente através das suas Casas espalhadas pelo País e pelo Mundo fora. Tenho-o repetido em diversas ocasiões, as Casas representam verdadeiras «embaixadas» e merecem toda a nossa atenção. Para mim sempre foi claro que o Clube existe em função dos seus sócios e simpatizantes e é para eles que tenho virado a minha atenção.

— Falou dos sócios, e por declarações recentes, continua a creditar ser possível chegar aos 300 mil sócios?

— Sinceramente acredito que é possível. Ainda há pouco tempo atingimos os duzentos mil e em pouco mais de um mês e meio já fizemos mais cinco mil sócios. A equipa de futebol, que é no fundo a principal referência, tem sido «empurrada» pelos sócios e eu noto que há muita gente que quer formalizar a sua ligação ao Clube. Estou convencido que vamos atingir a meta proposta, mas não me peçam uma meta temporal.

CONSEQUÊNCIAS DA VITÓRIA ELEITORAL

— O que significou para si a esmagadora vitória eleitoral de Julho de 2009?

— Foi um momento de avaliação e de responsabilização pelo passado e futuro do projecto, mas ao mesmo tempo foi um movimento popular impressionante. Quem viveu os dias anteriores à eleição, com as várias manobras jurídicas, com uma campanha dominada por insinuações sem fundamento, sabe do que falo. É evidente que fiquei sensibilizado com o apoio recebido e, principalmente, pela forma expressiva como foi manifestado.

— As candidaturas da oposição, a que foi às urnas e a que não passou do papel, tinham agendas secretas, objectivos escondidos, que partiam da base da tomada do poder no Benfica?

— Não sei o que tinham, mas sei o que seguramente não tinham: não tinham uma ideia ou um projecto para o Benfica e os sócios perceberam isso. Repito hoje, o que disse antes e durante a campanha: a minha porta está sempre aberta para receber quem tenha boas ideias. Ainda ninguém, desses senhores, bateu à minha porta!

— Se as eleições não tivessem sido antecipadas, o Benfica (consigo ou com outro...) estaria como está hoje?

— Seguramente a planificação teria sido atrasada e, em consequência, prejudicada a performance desportiva da equipa. A antecipação das eleições, por sinal até dada altura reclamada por alguns candidatos, permitiu planificar melhor, com outra serenidade. Mas permitiu mais, permitiu retomar negociações com parceiros importantes do Benfica e que o «barulho» que alguns criaram a determinado momento, obrigaram a parar. A antecipação eleitoral foi um acto legal e estatutário (como os tribunais vieram a demonstrar) em favor do Benfica e não a favor de A ou de B. E é bom que as pessoas entendam isso. E aquelas que estão de boa-fé assim o entendem.

— As suas propostas foram aprovadas na última AG do clube. Sente-se legitimado para promover algumas alterações de fundo no clube. Porquê e para quê?

— A proposta que mereceu aprovação na última Assembleia Geral relaciona-se com o plano de reestruturação financeira que nos permite defender melhor os interesses do universo Benfica, resolver alguns problemas que precisavam de ser solucionados e, ao mesmo tempo, responder a requisitos legais a que estamos vinculados. Mas tudo isto foi feito e minuciosamente explicado aos sócios, com o clube a manter a posição dominante em todas as empresas do universo Benfica. E isso foi sempre condição prioritária para mim. De outra maneira, não contem comigo. O Clube é dos sócios e assim continuará a ser enquanto eu estiver a liderar os seus destinos.

OLHAR DA JANELA DA HISTÓRIA

— Quando se afastar do Benfica, que clube gostaria de deixar ao seu sucessor?

— Gostaria de deixar o Clube que eu gostava de ter encontrado, mas creio que o meu sucessor não vai ter motivos de queixa da realidade que vai encontrar…

— Até que patamar pode chegar o Benfica?

— O Benfica chegará até onde os seus sócios quiserem. O Benfica é muito mais do que um clube português, é um clube do Mundo, admirado e respeitado por todos. Se continuarmos a fazer o nosso trabalho da maneira certa vamos crescer até onde nunca imaginámos que poderíamos chegar. Portugal precisa de um Benfica forte. Dito de outra forma, o País tem muito a ganhar com a vitalidade e sucesso do Sport Lisboa e Benfica.

— Por qual destas expressões gostaria de ficar conhecido no universo benfiquista: «Presidente do povo»; «Presidente da mudança»; «Presidente das vitórias»; «Presidente da renovação»; «Presidente da modernidade»?

— Apenas como alguém que veio do povo e que se dedicou de alma e coração ao Sport Lisboa e Benfica, para mudar, renovar e inovar e que tudo tem feito e continuará a fazer para engrandecer o nome e a história deste clube.

29 outubro 2009

Entrevista a Luís Filipe Vieira no Jornal "Diário Económico"


O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, e o administrador da SAD, Domingos Soares de Oliveira, estiveram duas horas à conversa com o Diário Económico (in here). Contas, futebol, jogadores, novo fundo, bolsa e o futuro do clube foram os grandes temas abordados ao longo da entrevista.


O Benfica ultrapassou a meta dos 200 mil sócios. Qual é agora o objectivo e em quanto tempo pretendem alcançá-lo?
Luís Filipe Vieira: A estratégia utilizada, desde que chegámos a esta casa, está focada nos sócios do Sport Lisboa e Benfica. Pensamos que iremos conseguir cumprir o novo objectivo que é atingir os 300 mil sócios.

Tem algum objectivo definido em termos de ‘timing' para atingir os 300 mil sócios?
LFV: Não tenho uma meta temporal, apenas o objectivo final. Confesso que tinha uma determinada expectativa que não foi cumprida. Gostaria de estar já a celebrar os 300 mil, mas fui demasiado ambicioso. Agora, alcançámos os 200 mil sócios, o que não deixa de ser notável. Não em seis ou sete meses. Sinceramente não sei em quanto tempo, mas da forma como a equipa se está a aproximar dos sócios chegaremos lá em breve.

Destes 200 mil sócios, quantos são pagantes?
LFV: Mais de 60% têm débito directo. E fomos o último clube a fazer uma remuneração de todo o universo de sócios. Foi em 2005. Isso significa que todos aqueles que já não reuniam as condições foram "limpos" da base de dados.

Como estão as negociações para o ‘naming' do estádio?
Domingos Soares de Oliveira: Continuamos em negociações. Ainda não está fechado o processo. Este é talvez o projecto mais difícil em termos de venda.

Difícil porquê?
DSO: Difícil porque é um valor elevado, embora não seja mais caro do que as camisolas. Enquanto o patrocinador das camisolas tem uma visibilidade diária, o patrocinador do estádio não tem essa mesma visibilidade. Continuamos com propostas activas e acreditamos que, a curto/médio prazo, vai ser possível fechar esse patrocínio.

E estamos a falar de empresas nacionais que já apresentaram propostas?
DSO: Estamos mais a falar de empresas internacionais, do que nacionais. Sim, já apresentaram propostas. Para uma empresa internacional, a sua associação ao Benfica é muito forte. O melhor exemplo é o caso da Repsol. A frota de clientes/sócios do Benfica é hoje o primeiro, ou o segundo, melhor cliente da Repsol.

E quais são as grandes prioridades para este mandato?
LFV: A herança que recebemos foi muito pesada. Ainda hoje temos de responder por erros e irresponsabilidades de um determinado período da nossa história. Durante a campanha eleitoral, assumi que a prioridade seria a vertente desportiva. Queremos deixar o museu concluído e fazer a revisão de estatutos.

A casa está arrumada?
LFV: Sim, a casa hoje já está arrumada. O que nos tem faltado são os resultados desportivos, sobretudo porque tínhamos outras prioridades.

Está de tal forma apetecível, que receia uma nova Oferta Pública de Aquisição?
LFV: Não, não receio. O maior accionista da SAD Benfiquista vai ser sempre o clube. Esse perigo não existe.

Noutras SAD, o presidente é bem remunerado. No Benfica, o presidente não é pago. Qual é a lógica?
DSO: Nenhum dos Órgãos Sociais eleitos pelos sócios é remunerado. É a lógica de quem serve o Benfica, serve com espírito de missão e não de qualquer remuneração. E não creio que haja intenção de alterar essa situação.

As goleadas já estão a reflectir-se nas receitas de bilheteira?
LFV: As receitas de bilheteira são compostas por duas vertentes. Aquilo que são as receitas dos bilhetes de época, cativos e camarotes cresceu face aos últimos anos. E depois temos uma segunda vertente de jogo a jogo que, tipicamente, é mais comprado por adepto do que por sócio. Nesta vertente, estamos com o triplo da facturação, em relação ao ano passado. No campeonato nacional e nas competições europeias estamos com o volume de receitas 30% acima do valor do ano passado.

Os resultados de amanhã vão ser elucidativos da ausência de venda de jogadores?
LFV: Os resultados vão reflectir a estratégia. Para além disso, se uma liga dos Campeões vale cerca de 15 milhões de euros... é uma questão de fazer contas. Mas repito, sabemos exactamente o terreno que estamos a pisar. A conta de resultados será influenciada de forma significativa mas, do ponto de vista financeiro, temos a capacidade para aguentar esse impacto de não vender jogadores. Toda a gente reconhece que os activos, os jogadores, valem muitíssimo mais hoje do que valiam há um ano atrás.

Durante dois anos?
LFV: Durante dois, se for necessário. Se isso é algo que queremos manter ‘ad eternum', depende também do que queremos fazer em termos de investimento. Hoje temos o melhor plantel dos últimos anos.

Quando vão dar lucros?
DSO: Evidentemente que não vamos dar prejuízos ‘ad eternum'. Acreditamos que conseguiremos voltar aos lucros e ter os capitais recompostos no espaço de três ou quatro anos.

Quando conseguirão ter os capitais próprios repostos?
LFV: A meta definida é o ano de 2013. E este projecto desportivo tem de ser sustentado ao longo dos próximos três a quatro anos. Se conseguirmos renegociar os contratos, colocamos o Benfica num patamar completamente diferente.

A crise financeira também teve impacto no Benfica?
LFV: Teve impacto no Benfica, como em todo o lado. Mas apesar de tudo não nos podemos queixar muito. Como em qualquer outra empresa, tivemos maior dificuldade de acesso ao crédito. Posteriormente, reflectiu-se também no aumento dos ‘spreads'. Já do ponto de vista de receitas, não sentimos impacto. Assinámos contratos, que melhoraram os valores que vinham do passado. O potencial de valorização da marca Benfica foi positivo.

Segundo as contas da SAD, basta vender seis jogadores para cobrir todo o passivo bancário.
Luís Filipe Vieira garante que o Benfica "não está vendedor, mas comprador", mas ainda assim admite a venda de um jogador. Quanto ao negócio, revela ainda que a incorporação do Estádio na SAD será apresentada na próxima assembleia-geral, marcada para 19 de Novembro.

O investimento é uma estratégia assumida esta época?
LFV: Esta época e a anterior. Desde que o entrei na SAD em 2001 foi tomada uma primeira opção estratégica que condicionou todas as outras, a construção do Estádio. Digo que condiciona todas as outras, porque custou - com todas as infra-estruturas adjacentes - 160 milhões de euros e obviamente que a vida do Benfica do ponto de vista financeiro passou ser regulada pelo cumprimento do Project Finance associado.

Ainda é possível melhorar os patrocínios?
DSO: É. Falta vender o ‘naming' do Estádio, que pode ser complementado com a melhoria do patrocínio das camisolas, das bancadas e dos pavilhões. As receitas de quotização estão a subir. Passar de 200 mil para 300 mil sócios, na prática significa cerca de sete milhões de euros.

Estão disponíveis para investir mais?
LFV: Ainda estamos disponíveis para investir mais nesta equipa em termos de jogadores, essa é uma garantia que posso deixar. Os investimentos começaram mais estruturadamente em 2008 e continuaremos até 2010.

Consideram que de alguma forma estão a hipotecar ou a diminuir a margem de manobra da próxima direcção?
LFV: Pelo contrário. Quando chegámos a esta casa já estava tudo hipotecado. Agora, há um futuro e risonho. Para terem uma ordem de grandeza, imaginem que queríamos cobrir o passivo bancário. Garanto que bastava vender seis jogadores e cobríamos o passivo bancário.

É difícil não cair em tentação?
LFV: De facto as propostas são tantas que vamos ter de saber resistir, porque o nosso objectivo passa por ganhar o campeonato e isso só se consegue mantendo os nossos activos, mas admito que iremos vender um jogador. Vou-lhe dar apenas um exemplo de valorização - e não estou a dizer que o vamos vender - o caso de Di Maria, que está avaliado em 22 milhões de euros no Fundo. E ainda ontem soubemos quanto vale Di Maria no mercado e posso garantir que vale muito mais.

É uma gestão financeira que se consegue mesmo sem ir à liga dos campeões?
DSO: O nosso plano prevê que o Benfica eventualmente não vá à Liga dos Campeões todos os anos, mas tem todas as condições para estar regularmente na Liga dos Campeões. O plano aguenta isso. Agora pode colocar-se a questão ao contrário: será que todos os planos de todas as sociedades aguentam não ir, eventualmente, um ou outro ano à Liga dos Campeões?

Para quando a incorporação do estádio na SAD?
DSO: A intenção é apresentar essa operação aos sócios e accionistas das duas instituições entre Novembro e Dezembro.

Em 2013 terão outro tipo de receitas?
DSO: Sim, relacionadas com os direitos televisivos. Daqui até lá, teremos de pontualmente procurar as melhores soluções. A solução da venda de jogadores é uma possibilidade. Os contratos que vão terminar nessa altura, como o das camisolas, a Adidas, a própria situação do contrato do nosso canal, serão alvo de negociação, não será global, mas faseada. Tudo isso será alvo de uma negociação que será desenvolvida neste mandato.

22 outubro 2009

Vamos continuar a crescer



20 junho 2009

Entrevista a Luís Filipe Vieira no Jornal "a bola"


O mandato do sucesso desportivo


DE José Rosa Rodrigues, o mais velho dos irmãos Catataus, eleito primeiro presidente do Sport Lisboa a 28 de Fevereiro de 1904, a Luís Filipe Vieira, 34.º presidente dos encarnados, vão 105 anos de história, escrita a sangue, suor e lágrimas, com altos e baixos, que nunca fizeram tremelicar a chama imensa que move os adeptos do clube. Se Luís Filipe Vieira vencer as eleições marcadas para o próximo dia 3 de Julho, tornar-se-á, assim cumpra integralmente o mandato, no presidente do Benfica com mais anos seguidos à frente dos destinos dos encarnados (2002/2012), superando Bento Mântua que esteve na cadeira da presidência consecutivamente entre 1917 e 1926.

OS TRÊS PILARES

Se os clubes assentam em três pilares — o financeiro, o infra-estrutural e o desportivo — poder-se-á dizer, sem margem de erro, que nos dois primeiros mandatos Vieira tratou de solidificar os dois primeiros, através da normalização das finanças de um clube que andava pelas ruas da amargura e da construção do novo Estádio da Luz e equipamentos envolventes, e do Campus do Seixal, sem esquecer o aparecimento da Benfica TV.
Falta cumprir um terceiro desígnio, o pilar da retoma desportiva, dentro dos parâmetros a que o Benfica, até ao princípio da década de 90 do século passado, habituou os seus adeptos.
Em seis anos de vieirismo o Benfica conquistou, no futebol sénior, um Campeonato, uma Taça de Portugal, uma Supertaça e uma Taça da Liga, ao mesmo tempo que somou títulos nacionais em modalidades como o futsal, o voleibol, o andebol e o basquetebol. Também enveredou por um projecto olímpico que permitiu que dois atletas do clube fossem medalhados com ouro e prata em Pequim/08 — Nelson Évora e Vanessa Fernandes — e que uma judoca do Benfica, Telma Monteiro, seja das melhores do mundo na sua categoria.
Nas categorias inferiores do futebol, depois de uma rarefacção de títulos , o Campus do Seixal começa a dar frutos e na época corrente o Benfica já venceu o título de iniciados, podendo hoje sagrar-se, na Luz, campeão de juniores, assim vença o FC Porto.
É esta a obra que Luís Filipe Vieira tem para apresentar e que mostra que, apesar do handicap dos técnicos que não duraram mais de um ano e da busca do melhor modelo para o futebol, o clube tem um rumo. Aliás, com a entrada em cena de Rui Costa, o modelo de organização do futebol encarnado terá ficado sedimentado, precisando agora o clube de combater a crise de ansiedade provocada pela escassez de títulos, o que coloca um peso por vezes excessivo sobre os jogadores.
Presidente muito próximo dos adeptos — quantas voltas a Portugal e não só já deu Vieira, pelas casas do Benfica? —, a sua reeleição nunca esteve realmente posta em causa, apesar do barulho das luzes que envolveu a fugaz passagem pelo palco eleitoral de José Eduardo Moniz. Nas páginas que se seguem, Vieira explica e ataca, defende e acusa, mostrando, em cada instante, uma fé inabalável no que está a fazer. Nascido no humilde bairro das Furnas, em Benfica, Lisboa, a 22 de Julho de 1945, é este self made man, que possui a quarta classe, que tentará — assim ganhe as eleições — devolver o Benfica à normalidade de vencer, abrindo assim um novo ciclo no desporto português.

«Que garantias editoriais pode dar a TVI relativamente ao Benfica?»
Luís Filipe Vieira passa a pente fino a realidade do Benfica e ataca com violência José Eduardo Moniz, que não chegou a candidatar-se à presidência do Benfica. Uma entrevista frontal em que são postos os pontos nos is e onde fica a certeza de que os direitos televisivos do Benfica são a mina de ouro que todos procuram alcançar...

José Eduardo Moniz referiu-se ontem a uma troca de sms que teve consigo, depois do jogo da Académica...
— É verdade que houve esse sms, por acaso num jogo em que o Benfica foi altamente prejudicado, como todos se lembram. Mas já que ele revelou essa troca de sms, isso deixa-me à vontade para revelar uma conversa que tivemos em 2003, em que eu lhe chamei a atenção para o facto de ele estar com 31 anos de quotas em atraso, desde 1972. A responsabilidade de qualquer sócio é ter as quotas em dias. E para quem assume a ambição de ser presidente deste clube, não fica bem ter estado durante 31 anos sem cumprir com o Benfica uma das suas primeiras obrigações.

— Moniz falou em golpe estatutário, que comentário lhe merece?
— Devo dizer-lhe que os Órgãos Sociais do Clube vão equacionar o que é que vão fazer. Uma coisa é algumas pessoas sem peso, nem responsabilidade, terem usado essa palavra — que tem uma evidente carga negativa — outra é José Eduardo Moniz. Vamos ponderar aquilo a fazer, na certeza de que cumprimos com os estatutos e defendemos os interesses do Benfica.

— Outra das razões invocadas por Moniz foi a de desconhecer a situação financeira do Benfica?
— Isso nem sequer é um argumento é uma insinuação de má fé. O Benfica tem as suas contas auditadas, apresenta resultados consolidados, aliás é o único clube a fazê-lo. Portanto, a nossa situação financeira é conhecida de todos quantos se interessam por isso. E é, não tenho dúvidas, seguramente melhor que a situação financeira da TVI nesta altura.

— Ficou surpreendido com esta posição de José Eduardo Moniz?
— Não, há mais de dois meses que já sabia destas movimentações. Mas já agora gostava de deixar aqui algumas perguntas a José Eduardo Moniz: como é que iria trazer capital para o Benfica sem vender a SAD? O que é que pensaria fazer aos direitos televisivos do Benfica? E, finalmente que garantia editorial é que ele pode dar em relação à cobertura da TVI, não só na campanha, como depois dela, de toda a realidade do Benfica? Quando ele responder a estas questões, as pessoas vão perceber quais eram os reais interesses dessa candidatura!

RAZÕES QUE LEVARAM A ELEIÇÕES ANTECIPADAS

— O que o levou a propor aos Órgãos Sociais do Benfica que criassem condições para que as eleições fossem antecipadas para três de Julho?
— Limitei-me a acompanhar uma discussão eleitoral que arrancou completamente fora de tempo e que, evidentemente, não era saudável, a nível institucional, manter esta situação até Outubro. Acho que é compreensível que quem está à frente do clube, e depois de três meses a ler e a ouvir críticas de um grupo de pessoas que se constituiu em movimento, entendesse que não podia passar mais quatro meses na mesma situação. Foi por isso que decidi clarificar a situação dando a palavra aos sócios! Acho que foi a atitude mais correcta. No Benfica não temos um regime totalitário em que aniquilamos a oposição, ou um regime monárquico em que o presidente designa o seu sucessor. O Benfica é o clube mais democrático em Portugal.

— A que se deve a sua decisão de avançar para um terceiro mandato?
— A avaliação do trabalho realizado e a convicção de que posso continuar a consolidar tudo quanto foi feito. Podem ter a certeza de que, se da avalização que fiz, entendesse que já não tinha mais nada para acrescentar, não seria candidato. A consolidação do clube esta feita, agora começa a ser o tempo de tirar os dividendos das estruturas que foram criadas durante todos estes anos.

— Como viu, a sua família, esta decisão, que vai mantê-lo debaixo de todos os holofotes?
— Não posso dizer que tenha ficado particularmente agradada com a ideia. Além do tempo que o desempenho destas funções retira à família, há uma exposição excessiva na Comunicação Social. Felizmente, também compreenderam que tudo quanto foi feito para trás necessita de ter continuidade, mas é evidente que vão sair prejudicados.

— Chegou ao Benfica na equipa de Manuel Vilarinho, há oito anos, qual era o estado do Benfica?
— Infelizmente, noto que há muitas pessoas que já não conseguem lembrar-se do estado a que o Benfica chegou há oito anos. Estamos a falar de um clube em processo de auto-destruição. modalidades em via de desaparecimento, a formação completamente abandonada, processos judiciais que nunca mais acabavam (aliás ainda hoje estamos a resolver alguns desses processos), zero de credibilidade a nível nacional e internacional. Enfim, o caos absoluto. Acho que, como disse durante a apresentação da minha candidatura, se pudéssemos fazer uma viagem no tempo, ficaríamos espantados com a diferença. Só assim é que as pessoas entenderiam tudo o que foi feito neste período.

RUI COSTA, JORGE JESUS E O FUTEBOL

— Está satisfeito com as duas grandes opções que tomou relativamente a Rui Costa, primeiro fazendo-o regressar à Luz e depois tornando-o director desportivo e administrador da SAD?
— Sem dúvida, quer como jogador, quer como director desportivo é um valor acrescentado do Benfica. O seu conhecimento, a sua dedicação e o seu empenho ao serviço do clube vão começar, muito em breve, a ser recompensados. Trabalhamos diariamente em equipa e não tenho dúvidas em relação ao seu futuro!

— Mas como tem sido trabalhar durante este primeiro ano com Rui Costa?
— Devo confessar que teve um processo de aprendizagem à nova realidade muito rápido. Trabalhamos diariamente em equipa e as decisões são assumidas dessa forma. Ele ganhou dentro de campo e sabe quais são as condições que são necessárias para garantir o sucesso. É nisso que estamos a trabalhar!

— Se um quiser seguir um rumo e o outro um rumo diferente, quem prevalece?
— Prevalece o Benfica, mas não tem acontecido!

— Crê que desta vez estão a ser criados os mecanismos capazes de levar o Benfica ao título?
— Creio que mais do que levar o Benfica ao título, sinto que estão criadas as condições para ganhar de forma regular. Não nos interessa ganhar uma vez e voltar a passar vários anos longe dos títulos. As condições estão criadas para podermos aspirar a ganhar durante vários anos consecutivos.

— Voltando ao futebol: Luisão, Di María e Katsouranis são para sair? Quem mais, além de Patric, Ramires e Schaffer se perfila no horizonte benfiquista.
— Vou dar uma resposta geral. O nosso objectivo é manter uma equipa forte que nos permita lutar pelos títulos nas várias competições. Não estamos vendedores, a não ser que alguém avance com as cláusulas de rescisão previstas.

— Quem vai faltar para dia 29 de Junho Jorge Jesus poder começar a preparar a época?
— Não vai faltar ninguém. Vamos ter uma equipa competitiva e que seguramente vai cumprir aquilo que esperamos dela.

— Das conversas com Rui Costa e Jesus, que lugares há a preencher no plantel de 2009/10?
— Não vai haver grandes mexidas, mas prefiro que seja o Rui Costa e Jorge Jesus a explicarem, no tempo em que entenderem conveniente, o plantel do próximo ano. A única certeza é que vamos ter uma equipa competitiva que vai tentar para ganhar as competições em que entrar.

— Jesus, um português (e só Fernando Cabrita, Mário Wilson e Toni foram treinadores portugueses campeões no Benfica...) é a aposta certa?
— Tem o perfil que definimos como desejado para assumir o comando técnico da equipa. Tem provas dadas, vive o futebol de manhã à noite, é ambicioso, trabalhador e conhece bem o nosso futebol. É um treinador em quem acreditámos, em quem depositamos grandes esperanças, de outra forma não estaria aqui!

— Como reage quando dizem ou escrevem que o Benfica é um cemitério de jogadores?
— Poucos têm a noção da pressão diária que as pessoas que trabalham no Benfica sentem. A única resposta que posso dar a essa pergunta é que quando se ganha é mais fácil garantir estabilidade. Lembro-me que num ano o FC Porto contratou três treinadores: Del Neri, Fernandez e José Couceiro e ninguém falou de cemitério ou urgência hospitalar. A estabilidade garante-se ganhando, mas também é bom recordar que neste percurso houve alguns treinadores que saíram por vontade deles e não do clube. O caso Cissokho é um bom exemplo da diferença de tratamento e da pressão mediática que o Benfica sofre. Se aquilo que sucedeu com o Cissokho tivesse acontecido com o Benfica, o caso tinha tido um destaque que não teve e teria sido uma novela que iria durar dias. Não se viu nada disso!

— Fez um bom acordo com o Sp. Braga, por Jesus?
— Fizemos o acordo que tinha de ser feito.

— Reyes, fica, vai, qual é o ponto da situação?
— O Rui Costa já o disse, é um jogador de muita qualidade, mas os tempos que vivemos obrigam a ter a noção exacta de que não podemos comprometer o nosso equilíbrio orçamental. Se for possível conciliar estas duas verdades, então podemos pensar nisso.

— O Benfica pode continuar sem entrar no clube da Champions?
— Não, o Benfica não pode continuar a ficar fora da Liga dos Campeões. Ficar fora deve ser a excepção, a regra deve ser estar sempre presente.

— A Liga Sagres de 2009/2010 vai ser mais competitiva, com um Sporting mais apetrechado e um FC Porto preparado para comprar quem lhe aprouver?
— Essencialmente espero que o Benfica seja competitivo!

— Como vê o momento da arbitragem em Portugal?
— Não quero falar de arbitragem, apenas desejar que no próximo ano haja menos erros de arbitragem comparativamente com os que houve este ano e, já agora, espero que quando houver erros eles sejam melhores distribuídos entre os três grandes. Este ano, infelizmente, o Benfica foi aquele que foi mais penalizado. Mas isso nem sequer é uma novidade.

SEIS ANOS NA PRESIDÊNCIA

— O que mudou durante os seus seis anos de presidência?
— Não me tenho cansado de repetir que o valor fundamental que foi recuperado durante este tempo foi a credibilidade do clube. Depois investimos nas infra-estruturas e, nesse capítulo, a decisão de avançar para a construção do novo estádio foi determinante, porque foi à volta dele que os benfiquistas voltaram a acreditar que era possível voltar a ter um Benfica sério, ganhador, credível, enfim, voltar ao antigamente. Depois das infra-estruturas voltámos a apostar na formação e nas modalidades, estruturamos o clube de forma profissional, recuperámos o valor da marca e, mais recentemente, lançámos a Benfica TV. Creio que poderia ficar a falar durante mais algum tempo, mas não vale a pena. A obra está a vista de todos.

— O que falta mudar?
— Basicamente falta começar a obter resultados de forma regular, principalmente no futebol. Sou o primeiro a reconhecer isso, mas é bom que fique claro que nunca enganei ninguém. Quando assumi a presidência do clube, sempre disse que se tivesse de começar por algum lado iria começar pela estabilidade económica. Foi isso que fizemos. Agora, é evidente que é o futebol que tem maior exposição e nesse sentido vamos ter de ganhar mais vezes e de forma continuada.

— Que prioridades estratégicas para os próximos três anos, caso vença as eleições?
— A prioridade para os próximos três anos passa por consolidar o projecto desportivo, recuperar a nossa tradição vencedora. Esse é o principal objectivo. É bom não esquecer que fizemos investimentos de cerca de 250 milhões de euros em infra-estruturas, isso está feito. Temos, agora, de retirar os proveitos desse investimento. Não escondo que nos próximos três anos também gostaria de fazer o museu, avançar para o nosso centro documental de forma a cuidar da nossa história. Mas, como disse no início, a principal prioridade passa por investir no projecto desportivo.

PASSIVOS ACTIVOS E OUTRAS CONTAS

— É preocupante a SAD ter apresentado um prejuízo de 18 milhões de euros?
— O preocupante é quando somos apanhados de surpresa, o que não foi o caso. É uma situação que se inverte se decidirmos vender um ou dois jogadores, mas neste momento estamos mais preocupados em manter e reforçar uma equipa que seja competitiva e que aponte para os objectivos que queremos alcançar! Mas, de qualquer maneira, o que está no balanço não reflecte a valorização dos nossos activos. Sabe em quanto é que está avaliado o nosso plantel? Sessenta milhões. Acha que o plantel vale apenas isso? Claro que não. O Luisão, por exemplo, está avaliado apenas em dois milhões. Mas isto é um problema que não afecta apenas o Benfica, afecta igualmente o Porto e o Sporting. Bastaria fazer uma reavaliação e a situação seria totalmente diferente. Aliás, houve um ex-presidente que para disfarçar as contas fez isso. Mas dessa vez reavaliou o plantel por valores muito superiores ao que efectivamente valia.

— Está a falar de Vale e Azevedo?
— Não, nada disso. Esse pelo menos assumia os buracos às claras!

— Manuel Damásio?
— Não vou entrar por ai. Podem investigar...

— Portanto, deduzo que não está preocupado com o passivo?
—O passivo tem variado, em termos consolidados, tem variado entre os 300 e os 320 milhões, mas a nível do investimento feito em infra-estruturas, como já disse atrás, foram cerca de 250 milhões de euros (estádio, centro de estágio, Benfica TV). É importante que as pessoas percebam que estas infra-estruturas constituem os principais activos do clube. Quando comprámos uma casa e pedimos dinheiro emprestado ao banco, o nosso passivo aumenta, mas isso não significa que fiquemos mais pobres porque o nosso património também aumentou! É o que acontece com o Benfica, ao passivo que temos corresponde um activo patrimonial elevado.

BENFICA TV E DIREITOS TELEVISIVOS

— A Benfica TV virou de pés para o ar o panorama dos clubes. O próximo mandato será dedicado a rentabilizar, devidamente, por antecipação, os jogos da equipa principal de futebol, vendidos, à Olivedesportos até 2013?
— Em primeiro lugar, devo dizer que a Benfica TV superou as nossas melhores expectativas e, hoje em dia, já ninguém consegue conceber o Benfica sem a sua televisão. Orgulho-me de ter avançado com a Benfica TV, dos seus resultados nestes seis meses de vida e no grau de inovação que representou a nível nacional. Quanto aos direitos televisivos, vamos honrar um contrato que foi assinado numa conjuntura difícil, em que era necessário garantir alguma liquidez financeira. O contrato termina em 2013 e esse será o tempo certo para renegociar esses direitos.

— A chave está no que é actualmente pago em direitos televisivos?
— Sem dúvida, os nossos direitos televisivos, como já disse, valem muito mais. E essa negociação vai ser feita quando chegar o tempo.

— Como classifica a sua relação com Joaquim Oliveira?
— Boa, temos uma relação pessoal e uma relação institucional. Sabemos separar as coisas. Cada um defende a sua instituição da melhor forma que sabe. A amizade não interfere com a defesa dos interesses das instituições que representamos e ele sabe que é assim.

— E a relação entre o Benfica e a Olivedesportos?
— Já disse, é uma relação seria. Dentro de quatro anos vamos ter de renegociar o valor dos direitos televisivos.

— É nos escassos direitos televisivos que reside a razão para o fosso cada vez maior entre Portugal e o resto da Europa Ocidental?
— É evidente que, na realidade que vivemos hoje, os direitos televisivos agravam essa diferenciação. Recordo que em Nápoles, quando do primeiro jogo da UEFA este ano, fiquei a saber que o Nápoles recebe por ano mais de 40 milhões de euros. Assim é difícil combater os argumentos financeiros dos clubes espanhóis, ingleses ou italianos.

— Para quando a Benfica TV na plataforma ZON?
— Quando for encontrada uma plataforma financeira que defenda suficientemente os interesses do Benfica.

A ÉPOCA DE 2008/09 E AS DESILUSÕES INESPERADAS

— Desportivamente, como classifica esta época, não só no futebol, mas na globalidade do clube?
— A nível do futebol é claro que esperava mais. Houve progressos a nível estrutural, mas ficámos aquém das expectativas. Já no capítulo das modalidades e do futebol de formação penso que os resultados foram muito positivos. Os títulos nas camadas de formação (iniciados, que já não ganhávamos há 20 anos), o título de basquetebol que já não ganhávamos há 14 anos, são sinais de que estamos a inverter a tendência destes últimos 15 anos. Por outro lado, não deixa de ser encorajador ver o número de jogadores do Benfica que integram as selecções jovens. É sinal de que o nosso trabalho começa a dar resultados.

— Quanto ao futebol, com este plantel esperava mais?
— Não o escondo, mas temos de ter mais alguma paciência. É evidente que não foi pela falta de um bom plantel que a equipa não foi mais longe. Já fizemos essa análise, houve coisas positivas que foram feitas, mas naturalmente houve aspectos em que falhámos e isso vamos ter de corrigir…

— Qual foi o principal pecado de Quique Flores?
— Não se trata de nenhum pecado, mas talvez não se tenha adaptado à realidade do futebol português. Mas quero deixar aqui bem claro o apreço que tenho pelo trabalho que foi desenvolvido. Houve aspectos positivos que merecem ser destacados, o que não impediu que as partes chegassem à conclusão de que não havia margem de progressão e daí o acordo alcançado.

— Não acha que ao Benfica não servem jogadores que não percebem a grandeza do clube?
— Ao Benfica não servem nem jogadores, nem treinadores, nem funcionários que não percebem a grandeza do clube ou que não trabalham aquilo que deviam trabalhar. Esta camisola tem de ser sentida e honrada. Para mim honrar esta camisola significa dar tudo o que se tem e o que não se tem.

A GUERRILHA ANUNCIADA

— Quando decidiu partir para eleições antecipadas, o que o moveu? A consciência de que o Benfica ia entrar em clima de guerrilha até Dezembro?
— Já o disse atrás, não é saudável para nenhum clube manter uma discussão eleitoral durante sete ou oito meses. As pessoas tem legitimidade para discordar, para criticar, têm legitimidade para apresentar projectos alternativos, para se constituir em movimento e, portanto, a única coisa que fiz foi encurtar essa discussão. Tenho ouvido durante estes dias muita coisa, mas confesso que tenho dificuldades em ouvir algumas pessoas que já estão em campanha há mais de quatro meses, que já fizeram a peregrinação pelos bancos há mais de um mês e meio, continuarem a falar em falta de tempo!

— Alguns movimentos de oposição congregam pessoas que, em comum, só têm as críticas que lhe fazem...
— O problema não são as críticas. O meu mandatário não é uma pessoa alinhada, criticou-me em determinados momentos, mas é o meu mandatário, sinal de que sei ouvir as críticas. O problema é a falta de projectos e de ideias, o problema é quando um determinado grupo de pessoas se reúne em torno de algo apenas por uma vontade revanchista. Apenas pela critica vazia de ideias. Isso é que é preocupante.

— Vários dos seus colaboradores mais próximos acusam-no de teimosia. É assim?
— Sou teimoso, mas sei ouvir e sei dar razão a quem a tem. O novo Estádio da Luz foi fruto da teimosia de alguns, entre os quais estava eu, mas foi essa teimosia que nos devolveu a nossa auto-estima. O centro de estágio foi igual. Agora, pergunta-me, nunca erra? Também erro, claro. Já errei várias vezes, mas sempre na convicção de que estava a fazer o melhor para o clube.

— Se for eleito para novo mandato será o presidente com mais anos consecutivos no poder. Que reflexão lhe merece?
— A única que se pode retirar desse facto, é a de que, depois de todos estes anos, continuo a merecer a confiança dos sócios e aumenta a minha responsabilidade perante eles! Nada mais do que isso.

— Que Benfica vê depois de ter dado várias voltas a Portugal pelas casas do clube?
— Uma das minhas prioridades, desde que cheguei à presidência do Benfica, foi valorizar as casas do Benfica, porque elas representam espaços onde se defendem os valores e a história do clube. Dessas várias visitas sinto que adeptos e sócios sentem um grande orgulho pelo clube que têm e uma grande ansiedade em relação às vitórias. Partilho dessa vontade!.

— Sendo o clube com mais associados do Mundo, porque não gera o Benfica receitas em consonância?
— Não concordo com a afirmação que faz. O Benfica esteve, há dois anos, na lista dos vinte maiores clubes europeus. Hoje já não estamos, mas a nível de merchandising continuamos a verificar que o Benfica está acima de muitos dos clubes que actualmente integram essa lista. E a nível de bilheteira sucede o mesmo. Portanto, diria que a principal diferença tem a ver com o valor dos direitos televisivos.

— Que planos de expansão tem para o Benfica em África?
— África é um mercado natural para Portugal e principalmente para o Benfica. Estamos naturalmente atentos a essa realidade. Os países lusófonos devem ser uma prioridade para nós. A Benfica TV, por exemplo, deve chegar a todos os países de expressão portuguesa. Aliás, o meu desejo é ver a Benfica TV, a médio prazo, em 30 países.

— Ao fim de seis anos na presidência, sente-se feliz por congregar os nomes que conseguiu na Comissão de Honra e no Mandatário da Candidatura?
— Os nomes que constituem a Comissão de Honra são, sem dúvida, um motivo de orgulho, porque são um sinal do reconhecimento em relação ao trabalho realizado. Gente da politica, do desporto, gente com convicções muito diferentes, mas que partilham da ideia de que sempre dei tudo por este clube. E isso para mim é motivo de natural satisfação.

— Está satisfeito com a formação e as modalidades, que obtiveram resultados positivos?
— Tenho orgulho não apenas nos resultados, mas principalmente porque contra a ideia de alguns sempre defendi a manutenção e o reforço de todas as modalidades. As pessoas que me rodeiam no Benfica sabem isso e não são só os resultados que interessa assinalar, mas também a gestão que foi implementada. Gastou-se menos, obtendo melhores resultados. Esse deve continuar a ser o caminho!

— O projecto olímpico é para continuar?
—Sem dúvida, é uma aposta para manter e, eventualmente, reforçar.

— As eleições de três de Julho tiram-lhe o sono?
— As eleições de dia três são um acto que responsabiliza todos os sócios do Benfica, porque o futuro passa por aí.

— Qual é, na sua óptica, o Benfica ideal? Pensa que pode lá chegar?
— O Benfica ideal é aquele que alia a modernidade aos resultados, aos títulos. E sei que vamos lá chegar. Já cumprimos metade, talvez um pouco mais, atendendo aos resultados que começamos a obter na formação, nas modalidades e até no futebol já fomos ganhando de forma intermitente. Temos de consolidar esse capítulo!

MENSAGEM A SÓCIOS, ADEPTOS E ATLETAS

— Que mensagem quer deixar aos sócios do Benfica?
— Uma mensagem de confiança e de optimismo no futuro. Nenhum clube do Mundo conseguiu fazer o que nós fizemos neste espaço de tempo. O Benfica, hoje, é um dos clubes mais modernos do Mundo e isso deve ser motivo de orgulho. Falta ganhar com regularidade, mas vamos faze-lo e completar o circulo que falta fechar.

— E aos atletas?
— Que têm de saber a responsabilidade que é vestir esta camisola. Saber que os sócios e adeptos esperam sempre cada vez mais deles e eles devem corresponder com o seu exemplo, com a sua entrega e dedicação.

— Como se sente, a poucos dias, tudo o indica, de iniciar terceiro mandato no Benfica?
— Nunca se ganha por antecipação, são os sócios que têm a palavra e são eles que devem decidir no próximo dia três.

— Quando estará pronta a comissão de serviço que se propôs realizar na Luz?
— O Benfica é um projecto que nunca se completa. Haverá sempre coisas por fazer. Mas não tenho dúvidas de que a parte mais difícil foi conseguida. Travámos o fim do Benfica, recuperámos o seu património e a sua credibilidade. Quando vai acabar a minha comissão de serviço? Para já depende dos sócios!

— Vai bater-se por jogos à tarde, na Luz?
— Foi uma promessa que fiz ao meu pai e que espero poder vir a cumpri-la, ainda que de forma parcial. Este ano tivemos — para a Taça da Liga — um jogo à tarde e foi uma festa de família. Os jogos à tarde possibilitam esse ambiente. Também sei que as televisões preferem que os jogos sejam transmitidos à noite por uma questão de audiência. Devemos caminhar para o equilíbrio.

— Das suas presidências, qual a equipa ideal?
— Todas as equipas directivas com quem trabalhei prestaram um excelente serviço. Individualizar uma seria um enorme acto de injustiça.

De José Veiga às alternativas

Luís Filipe Vieira, a propósito de alguns qui pro quo com José Veiga, continua a dizer que não quer discutir pessoas. «Não creio que seja esse o caminho desta candidatura. Aliás, já o disse, espero que a partir do dia 3, quem ganhar as eleições tenha tranquilidade para poder implementar o projecto apresentado. A única coisa que posso dizer é que dou-me bem a trabalhar com Rui Costa, cujo comportamento ético é inatacável. E prefiro ficar por aqui!». Porém, alguma explicação tem de haver para tão grande animosidade ... Vieira dixit: «Vou repetir o que já disse, não quero entrar por aí. O senhor José Veiga foi funcionário do clube. Recebeu para desempenhar as funções que exerceu. Fez-se sócio em função desse vínculo contratual. Se entende, agora, que essa ligação ao Benfica é tão forte para apresentar um projecto alternativo, serão os sócios que terão de avaliar e decidir.»

Do Apito Dourado a Pinto da Costa

O Apito Dourado foi uma constante do discurso de Luís Filipe Vieira ao longo dos últimos anos. Agora, diz sentir-se recompensado... «Ainda na passada semana, numa entrevista a um semanário, o Procurador-Geral da República assumiu que o futebol mudou, que está melhor, e parte dessa melhoria está seguramente relacionada com o processo de investigação que foi realizado e que continua a decorrer. Portanto, desse ponto de vista valeu a pena. Tudo o que tenha a ver com a verdade desportiva deve merecer o nosso envolvimento. A justiça, como dizem, deve ser cega, mas a nossa abusou da cegueira nestes casos. Houve pessoas que não foram castigadas da forma que deviam pelo envolvimento que tiveram, mas ai já não se pode fazer nada a não ser denunciar. Salvou-se a justiça desportiva», frisou Filipe Vieira.A guerra que, por vezes com meias palavras, manteve com Pinto da Costa, não merece, nesta altura, a Vieira, muitas palavras. E argumenta: « Só me interessa falar do Benfica; interessa-me pouco aquilo que as pessoas que não têm a ver com o Benfica digam ou façam.»
E a propósito dos que entendem que uma gestão semelhante à do FC Porto, que tem dado títulos, seria a adequada para o Benfica, Luís Filipe Vieira é enfático:
«Ao contrário de outros, acho que a grandeza do Benfica não se equipara a qualquer outro clube português e o Benfica tem um caminho e um rumo. Não tem de seguir ninguém! Aliás, temos assistido exactamente ao contrário, os outros clubes é que têm seguido as nossas soluções.»

De Manuel Vilarinho a Fernando Tavares

Inevitável saber como ficou a relação de Vieira com Vilarinho depois deste ter recuado em relação à Presidência da AG. «Como sabem», diz Vieira, «tenho um grande respeito e estima por Manuel Vilarinho. Sem ele não sei se, hoje, haveria Benfica. Devo também dizer que Manuel Vilarinho sempre foi coerente e, aliás, levou esse assunto (modalidades) a uma Assembleia Geral. Mas como presidente da Direcção, já o disse várias vezes, as modalidades fazem parte da história do clube e são para continuar. Sou das pessoas que mais acredita e mais defende as modalidades e os sócios podem ficar descansados em relação a isso. As modalidades vão continuar a ser competitivas».Mas será que o adeus de Vilarinho aos corpos sociais teve a ver com as declarações que produziu na TV? Vieira recusa essa tese, dizendo ter-se tratado de uma opção pessoal de Manuel Vilarinho. «Não há qualquer relação entre a sua saída das listas e as declarações a que se refere. Repito, o clube deve muito a Manuel Vilarinho.»
Já quanto à saída de Fernando Tavares do pelouro das modalidades, Vieira volta à tese de não pessoalizar: «Fernando Tavares fez parte desta Direcção e tinha uma determinada visão do que deviam ser as modalidades e os seus orçamentos. Divergimos nessa visão, porque sempre entendi que poderíamos não só não acabar com nenhuma das modalidades de pavilhão, como gastando menos, mas melhor, ter equipas mais competitivas! O tempo começa a dar-me razão.»


10 maio 2009

Frase do dia:


"Partilho da frustração e da desilusão de todos os que estão nesta sala. Esperava mais da equipa, não o nego. Mas é em momentos como este que não podemos perder o norte. Temos de mudar e vamos mudar! Mas não devemos deixar que as desilusões nos desviem do caminho traçado"

"Vamos mudar porque a nossa história e a minha responsabilidade assim o exigem. Quando cumprimos com os nossos deveres temos de pedir responsabilidades, porque só uma cultura de exigência e de avaliação nos podem colocar na rota do sucesso."

Luís Filipe Vieira
10.05.2009