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27 agosto 2011

O Sporting e a birra dos árbitro


in http://www.sportingapoio.com


«(...) O grande problema do Sporting não são os erros da arbitragem - é não conseguir meter a bola na baliza» Bruno Prata, Público, 23/8/2011

Esta afirmação de Bruno Prata, que tem sido repetida por muitos, é falsa.


Porque o Sporting consegue meter a bola na baliza, mas o golo é mal invalidado. No jogo contra o Olhanense marcámos golos, contra o Beira-Mar é que não. E esse jogo foi depois da birra dos árbitros. E a questão não é essa. A questão é o facto de tanta gente querer fazer pensar que a questão é essa.


Imaginem que um homem, incompetente no seu trabalho, é despedido. Nesse dia volta para casa mais cedo e surpreende a mulher com o amante. Faz um escândalo. Eu digo que o marido é traído porque a mulher é galdéria, o Bruno Prata e outros jornalistas desportivos dirão que é traído porque é incompetente no emprego.


Mas não nos podemos iludir. A culpa desta situação é nossa, do Sporting. Não a culpa de falharmos golos ou de termos ofendido os árbitros, mas a culpa de ter aceitado, passivamente, o que tem acontecido nos últimos anos.


A culpa é nossa por nunca termos dito nada sobre o Apito Dourado. Por termos tido presidentes que se sentaram, como se nada fosse, ao lado de Pinto da Costa, o homem que recebe árbitros em casa, que lhes paga viagens ao Brasil, que lhes oferece fruta e ameaça oferecer o jantar. Por apoiarmos a eleição para a Liga de Fernando Gomes, ex-vice-presidente do Porto do tempo do Apito Dourado. O Sporting ajudou, com o seu silêncio, com a sua conivência, a que os comportamentos corruptos, que prejudicam o clube, passassem impunes e, mais grave, passassem a ser considerados irrelevantes.


Não foi só o Sporting, claro. Também têm culpa os jornalistas que continuam a fingir que não se passou nada. Os directores que evitam os assuntos polémicos, com medo de perder o acesso aos dez minutos iniciais dos treinos e às conferências de imprensa cheias de banalidades. Os comentadores que negam que o que se passou seja grave, para não terem de admitir que festejam títulos ganhos com trafulhice. Os clubes que não protestam quando são prejudicados em favor do Porto. Os dirigentes da Liga e da Federação que olham para o lado. Todos contribuem para que, em Portugal, a trapaça seja normal. Se é normal um presidente receber em casa um árbitro que, dois dias depois, vai beneficiar o seu clube num jogo importante e se, ainda por cima, é o presidente do clube que já pagou viagens ao Brasil a outros árbitros, então qual é o espanto por haver golos mal anulados como o do Sporting -Olhanense?


Os árbitros só fizeram este boicote patético porque acham que, como é o Sporting, podem. Porque, vendo a atitude do Sporting nos últimos anos, julgaram que éramos tíbios. Alguém acha que faziam isto ao Porto, por exemplo quando o Villas Boas criticou João Ferreira, antes de um jogo na época passada? Claro que não faziam. O Porto é que manda. Ou manda dar fruta, ou manda dar o jantar. Ou putas, ou porrada.
Quem não se dá ao respeito, como Sporting não se deu nos últimos anos, acaba assim, com um grupo de bandalhos a achar que nos pode intimidar. Mas ainda podemos mostrar-lhes o quanto estão enganados.


O que há a fazer, aconteça o que acontecer, é não pedir desculpa. Está fora de questão ceder sequer um milímetro. Seria admitir que somos menos do que os outros clubes. E, se palhaçada continuar, então devemos recusar participar neste campeonato. Era a atitude que devia ter sido tomada quando se descobriu que a fraude do Apito Dourado ia passar incólume. Ainda vamos a tempo.


PS - A solução para o problema do futebol português não passa pelo aumento da competência dos árbitros através da sua profissionalização. É uma falácia. A maioria das vezes não erram por incompetência, erram por corrupção. E aumentar-lhes o salário só vai fazer com que se esforcem mais para fazer batota a favor de quem influencia a decisão sobre que árbitro tem melhor nota e sobe de escalão, logo ganha mais. O Apito Dourado mostrou bem quem manda nesta bodega. Enquanto o Presidente do Porto puder oferecer fruta, viagens e cafezinhos à vontade, o que é que interessa se é a árbitros de classe média ou a árbitros de classe média alta? Ou será que, se ganhasse mais dinheiro, Augusto Duarte já não precisava de aconselhamento matrimonial de Pinto da Costa para o seu pai? E Jacinto Paixão, com um aumento de salário, deixava de preferir mulatas?"

19 outubro 2010

À espera de uma vitória honesta



"Estragon Moreira sentado no chão, tenta descalçar uma bota. Não consegue. Tenta outra vez, sem sucesso. Desiste.

EM - Nada a fazer.

Entra Vladimir Sousa Tavares.

VST - O meu amiguinho, como é que está? Quero dar-te os parabéns, pá. Foi preciso muita coragem para fugir do Trio s'Ataque, não te deixaste intimidar pelo Vasconcelos.

EM - Claro que não. Só me deixo intimidar pelos Super Dragões.

VST - Fizeste bem em pisgar-te. Nós não comentamos escutas.

EM - Nunca!

VST - Era só o que faltava!

EM - Não compactuamos com ilegalidades.

VST - E as escutas são ilegais.

EM - Escutas? Quais escutas? Não sei de escutas nenhumas!

VST - Ah, ah, ah! É isso mesmo!

Silêncio.

EM(embaraçado) - Eu já as ouvi.

VST - A sério?

EM - Foi sem querer. Fui ao Youtube procurar uma música da Lady Gaga e quando dei por mim estava a ouvir o Pinto da Costa e o António Araújo a combinarem entregar fruta ao Jacinto Paixão. Fiquei com algumas dúvidas, sabes...

VST - Ó! Por causa de uma frutinha? É uma simpatia. Para proteger o árbitro do escorbuto.

EM - Mas o António Araújo chama-lhe fruta para dormir.

VST - Óbvio! Depois do exercício, o corpo está cheio de adrenalina e custa a adormecer. Antes de me deitar como sempre um Kiwi.

EM - Então não achas que fruta é código para prostitutas?

VST - Claro que não! Conheces alguém que se refira a pessoas como frutas? É absurdo!

EM - Por acaso ainda na minha última crónica chamei melancia ao Quintela...

VST - Apre, Rui! Pareces os nossos adversários! Preferem interpretar uma conversa sobre entregas de fruta a árbitros como corrupção, em vez de a interpretarem como o que é: uma conversa banal sobre bem-estar dos árbitros. Há coisa mais natural do que um presidente de clube preocupar-se com a saúde de um árbitro? Ele até ofereceu uma viagem ao Calheiros, para descansar!

EM - Sim, tens razão. Mas é que...

VST - Ouviste mais, foi?

EM - A ida do Augusto Duarte a casa do Pinto da Costa...

VST - Essa foi explicada: o Augusto Duarte tinha urgência em pedir ao Pinto da Costa para interceder junto do seu pai, para que largasse a amante que tinha em Lisboa. Normalíssimo.

EM - Pelas conversas o Augusto Duarte não tem urgência nenhuma. Nem é ele que quer ir. Até prefere ir ver o seu Braguinha. E trata o Pinto da Costa por «chefe de caixa».

VST - Que é uma expressão carinhosa entre amigos. Nunca ouviste dizer és um chefe de caixa do carago?

EM - Pois. Mas é esquisito: dias depois ele ia apitar o Beira-Mar - Porto.

VST - Que já não contava para nada! já éramos campeões!

EM - Não, ainda não éramos.

VST - Mas tínhamos uma equipa fabulosa, que ia ser campeã europeia. O Baía...

EM - Por acaso dessa vez jogou o Nuno.

VST - O Paulo Ferreira, que vendemos por 20 milhões!

EM - Nesse jogo alinhou o Secretário.

VST - O Deco!

EM - Não, jogou o Ricardo Fernandes.

VST - McCarthy?

EM - Maciel.

VST - Não interessa. Não houve roubalheira. Os 3 juízes do tribunal d'O Jogo dizem que não houve.

EM - Por acaso era 4 e dizem que o Secretário devia ter sido expulso aos 15 minutos.

VST - Não dizem, não.

EM - Dizem, dizem.

VST - Como é que sabes?

EM - Fui ver ao arquivo d'O Jogo.

VST - Mas eu acho que não dizem. Acreditas mais no que vem n'O Jogo ou no que eu digo que vem n'O Jogo?

EM - Em ti, claro. Deixei de confiar n'O Jogo desde que ouvi uma escuta do Pinto da Costa a ditar noticias ao António Tavares-Teles, por causa do castigo do Deco.

VST - Ouviste muitas conversas que não devíamos conhecer...

EM - Como diz um amigo meu, mas conhecemos. Eu também acho que não devíamos conhecer, mas conhecemos. E uma vez que as conhecemos, não podemos fingir que não conhecemos. Eu, pelo menos, não posso.

VST - Que amigo teu disse essa estupidez?

EM - Tu, Disseste ao 1.º Ministro, quando lhe perguntaste sobre as escutas que o envolviam.

VST - É diferente. Uma coisa é o destino do país, outra coisa é o que realmente importa, como o FCP. Aí há que respeitar o direito à privacidade. Lembras-te quando me roubaram o computador?

EM - Sim.

VST - Entrei em casa e estava o ladrão a meter tudo no saco.

EM - E tu?

VST - Antes que conseguisse reagir ele disse então não se bate à porta? Não se respeita a privacidade? Achei que ele tinha razão, portanto saí.

EM - E depois?

VST - Depois bati à porta, mas ele já não respondeu. Deve ter saído pela janela.

EM - Ficaste lixado, não?

VST - Claro. Não gosto de violar a privacidade das pessoas.

EM - Estou a falar do computador.

VST - Ah! Claro, isso também foi desagradável...

EM - Devias tê-lo impedido.

VST - A minha entrada foi ilegítima.

EM - A casa é tua!

VST - Mas a privacidade é dele. Já diziam os Founding Fathers, na Constituição Americana, que uma das verdades que temos como evidentes é que não se podem comentar escutas captadas em investigações sobre corrupção no futebol (eles dizem soccer), mesmo naquelas em que se combinam crimes.

EM - Pensei que isso das verdades tidas como evidentes era na Declaração de Independência.

VST - Ah! Confundi as duas. E agora? Vão dizer que eu, na ânsia de passar por culto e de sustentar os meus argumentos à força, dou calinadas!

EM - Já sei! Falamos com o Pinto da Costa e ele convence o relator da Constituição Americana a fazer umas alterações, para ficar como tu dizes! Como fez com o delegado do Sporting - Porto, que alterou o relatório para o Mourinho não ser castigado!

VST - Genial, presidente da Associação Comercial do Porto, genial!

Entra Godot

Godot - Olá! O que é que estão a fazer?

EM - À espera de uma vitória desportiva alcançada honestamente.

Godot - Ui! Vou-me sentar, então.

FIM"

10 outubro 2010

"Titanic" no bidé

"No Trio d'Ataque de terça-feira, depois da saída de Rui Moreira (que fez lembrar a fuga do árbitro Paulo Baptista das Antas, quando Pinto da Costa lhe quis oferecer «jantar»), Rui Oliveira e Costa (ROC) disse que as escutas são uma forma de tortura. Disse também que não as discutia porque, cito, «não lavo a cara no
bidé», o que faz dele um dos mais completos comentadores desportivos de país: não só perora sobre futebol como, ao mesmo tempo, fornece informações sobre os seus hábitos de higiene. Gosto disso e vou copiar o modelo.

Eu (que não uso canetas Bic para limpar a cera dos ouvidos) também acho que as escutas são uma tortura. Mas para quem as ouve. Perceber que aquelas conversas foram descaradamente ignoradas pelo tribunal é um suplício para mim, (que não palito os dentes com a chave).


Debruço-me apenas sobre alguns segundos destas novas escutas, quando António Araújo fala com um funcionário do FCP e pergunta quem serão os bandeirinhas de Paraty no Gil Vicente-Sporting. Como depois não se aflora mais esse assunto, fui averiguar. Encontrei esta noticia no DN de 7 de Setembro de 2006:

«O Sporting foi outra das equipas que terão sido prejudicadas pelas arbitragens, na época 2003/04(...). No processo Apito Dourado há uma referência ao jogo Gil Vicente-Sporting(a 22 de Fevereiro de 2004), em que se descrevem movimentações antes da partida.(...)

O jogo foi arbitrado por Paulo Paraty e a Policia Judiciária interceptou, dias antes da partida, contactos entre o empresário António Araújo, que mantém negócios com o FC Porto, e um dos auxiliares que fazia equipa com o árbitro do Porto, Devesa Neto. 'Eu depois de amanhã ligo-lhe, que eu precisava de, eu precisava de falar com o Paulo(...) que preciso de lhe dar uma palavrinha, está bem?', disse Araújo a Devesa Neto. Neste mesmo dia, Paraty fala com Devesa Neto ao telefone e, pela conversa, o outro árbitro assistente do jogo, Serafim Nogueira, «iria beneficiar o Gil Vicente e um terceiro clube, o FC Porto», segundo refere o Ministério Público de Gondomar no despacho de arquivamento.

'O Serafim vai vacinado, vai benzido(...) vai benzido pelo lado norte. Bruxo. Vai benzido por dois lados até (...) pelo Minho e pelo norte'. Foi esta troca de palavras entre os dois que levantou suspeitas. Até porque na mesma conversa, Devesa Neto disse: 'Ele também nunca pode fazer muito, o jogo dá na televisão, perceber?'

O jogo acabou empatado (1-1) e o MP afirma que, com este resultado, o Sporting perdeu dois pontos e atrasou-se na luta pelo titulo. No relatório da peritagem ao jogo, são elencados vários lances em que ficaram por punir faltas ao Gil Vicente que poderiam resultar na 'possibilidade do Sporting marcar golo'.»

Apesar do jogo ter dado na TV, o Serafim até fez muito: o Gil Vicente marca o golo num penalty inventado. Lembro que isto se passou na mesma época em que António Araújo, o torturado, ofereceu fruta a Jacinto Paixão a mando de Pinto da Costa; a mesma época em que António Araújo, o mártir, combina a ida do árbitro Augusto Duarte a casa de Pinto da Costa; a mesma época em que António Araújo, o flagelado, diz ao presidente do Nacional que há que «trabalhar» o árbitro, ao que este responde «toca a andar». E parece que andou mesmo.

Portanto, nessa época, quando este empresário se conluia com o bandeirinha dum jogo em que o Sporting viria a ser prejudicado, há comentadores sportinguistas que acham que ele é que é a vítima. É uma espécie de síndroma de Estocolmo, se Estocolmo fosse na Avenida Fernão de Magalhães, no Porto.

ROC diz que as escutas são tortura. Tortura é escutar ROC, que é capaz de passar uma hora a discutir se o árbitro errou ou não, e dizer que não se pronuncia quando se descobre a razão pela qual o árbitro errou. Ainda por cima sabendo que, à conta da trafulhice dessa época de 2003/04, fomos afastados da classificação favorita de ROC, o 2ºlugar. E também da minha, o 1ºlugar. Mas isso sou eu, que não me assoo à fralda da camisa.

No editorial em que responde aos comunicados do Sporting, Alexandre Pais (AP) diz que «Record reage assim com superioridade moral e distância aos recentes comunicados». Normalmente, sabe-se que alguém se guinda a uma posição de superioridade moral pelo tom que usa, pela forma como diz as coisas. Mas em AP a superioridade moral é dupla: não só é intuída, como o próprio assegura que a possui. É uma superioridade moral moralmente superior. Com esta sobranceria redundante, AP elevou a santimónia a um novo patamar. É um moralista num escadote.

Não me surpreende. Em Setembro de 2006, (quando surgiram notícias como a do DN aqui citada), respondi a um inquérito do Record. À pergunta «o que gostaria de ler amanhã no Record?», respondi «uma noticia qualquer sobre escutas e corrupção, que não seja primeiro dada nos jornais generalistas.» Passados uns dias AP escreveu: «José Diogo Quintela disse, nestas colunas, que gostaria de ler amanhã no Record 'uma noticia qualquer sobre escutas e corrupção que não seja primeira dada nos jornais generalistas'. Trata-se de um desejo difícil de concretizar, pois quando o futebol perder de todo a credibilidade - traído por aqueles a quem dá de comer - aos generalistas não faltarão outros temas para exibir barba rija. Mas, morto o futebol, o Record perderá a razão de existir. Que mexam no lixo que os tribunais largaram. Nós pertencemos a um circo que vive de emoções - de golos e de erros, títulos e de frustrações. E não temos vergonha disso.»

Assim fiz. Continuei a mexer no lixo do Apito Dourado, enquanto AP continuou a pertencer aos «circo que vive de emoções», não traindo quem lhe «dá de comer». Sem vergonha, como o próprio admite, Mas com estupenda superioridade moral, claro."

01 fevereiro 2010

Esperemos que esta Taça não leve fruta




Por Zé Diogo Quintela in A Bola

TERÇA-FEIRA jogamos com o Porto, para a Taça. Isso quer dizer duas coisas. A primeira é que se Pinto da Costa mantiver a tradição de rece
ber o árbitro dois dias antes do jogo, é hoje que o juiz da partida visita a casa da Madalena. E, desta vez, Pinto da Costa não precisará de dar indicações pelo telefone. Para saber o caminho, o árbitro só precisa de ir ao Youtube. A segunda coisa é que, como o Sporting pretendia, o jogo disputa-se mesmo no dia 2. O Porto preferia jogar na quarta-feira. Diz que não há razões desportivas nem comerciais para ser na terça. É possível que Sporting e Porto tenham ideias diferentes sobre o que são boas razões desportivas ou comerciais. Por exemplo, na época passada, o Porto pediu-nos para alterar a data do jogo para o campeonato porque iria disputar a meia-final da Taça com o Estrela na semana seguinte. Curiosamente, esse jogo nunca se realizou. Portanto, para o Porto, uma boa razão é uma mentira.
Para o Sporting há uma óptima razão desportiva e comercial para preferir jogar à terça-feira: é dia em que as melhores frutarias de alterne do Porto estão fechadas. Pode ser que ajude.

Nem se percebe a questão do FCP, uma vez que o pedido do Sporting à Federação foi feito em tempo útil e em sede própria. Pode é ter sido feito pelo telefone, e já se sabe que o Porto tenta invalidar tudo o que é combinado pelo telefone.

Entretanto, Pinto da Costa foi castigado em mais 3 meses de suspensão, que somou aos 2 anos que apanhou por praticar actos de corrupção desportiva. Parece que falou à Comunicação Social e não podia. Estive a ler as declarações e achei graça ao facto de uma delas ser «não sou expert em arbitragens». Depois de ouvir as conversas com Pinto de Sousa, em que destina árbitros para determinados jogos, ninguém diria.

Por falar em escutas, depois de ouvirem aquela em que Pinto da Costa se vangloria por ter deixado José Eduardo Bettencourt de mão no ar, há muitos sportinguistas que esperam que, depois de amanhã, o nosso presidente retribua a ordinarice e não cumprimente Pinto da Costa. Não concordo. Daquela vez, Pinto da Costa não deixou de cumprimentar JEB por falta de educação. Tinha era as mãos ocupadas: uma com o telefone, outra com a caneta com que estava a assentar uma encomenda de pêssegos de dormir e bananas de dormir. O leitor sabe a quem é que JEB também não apertou a mão, nessa época de 2003/04? A nenhum árbitro, na sua própria casa, dois dias antes de este apitar um jogo do Sporting.

COM esta última frase não quero parecer estar a alinhar com alguns comentadores sportinguistas, que a única coisa que têm a dizer sobre as escutas é que o Sporting está ausente delas. Eu não acho que o Sporting esteja ausente. Pelo contrário. O Sporting é uma presença implícita. Na época a que reportam as escutas do Apito Dourado, o Sporting foi o principal prejudicado pelas manigâncias lá relatadas. Lembrem-se que era do Sporting que o Porto procurava fugir no jogo com o Beira-Mar. Na última década podíamos ter ganho mais 2 ou 3 campeonatos, se não fosse a batota instalada à nossa frente. Os sportinguistas não se podem calar e fingir que isto não foi nada connosco. Ou dizer que grave é as escutas terem sido divulgadas, não dizendo quão grave é o teor. É grave a sua divulgação, mas isso não é motivo suficiente para não serem analisadas. O silêncio é mais ambíguo do que as canhestras expressões «fruta de dormir» e «chefe de caixa». É bom não ouvir ninguém do Sporting a falar nas escutas, mas é mau não ouvir ninguém do Sporting a falar sobre as escutas.

OUTROS comentadores, estes do Porto, têm vindo a comparar a divulgação das escutas a práticas próprias do Estado Novo. De facto, ouço Pinto da Costa a combinar nomeações de árbitros com Pinto de Sousa e imagino Salgueiro Maia a comunicar com Otelo, durante o 25 de Abril. Leio «fruta de dormir» e «rebuçado» e vejo dois anti-fascistas na clandestinidade, a trocar mensagens em código. Pinto da Costa dá indicações a António Araújo e parece que estou a ouvir um preso político, no Tarrafal, a dar indicações a outro preso político sobre o melhor caminho para a sua cela. Quem consegue ouvir as escutas sem trautear «Grândola, vila morena» todo arrepiado? Derrubar a ditadura está para o séc. XX, como aldrabar resultados de futebol está para o séc. XXI.

GOSTEI muito de ver o Jogo Contra a Pobreza, cujo nome completo devia ser Jogo Contra a Pobreza que é o Relvado da Luz. Pelo baldio tropeçaram velhas glórias do Benfica, jogadores que os adeptos não têm oportunidade de ver jogar há muito tempo, como o Chalana, o Nené, o Valdo ou o Moreira. O melhor momento aconteceu quase no fim do jogo, quando um adepto entrou em campo para, em clima de festa, presentear o Shéu com um cachecol. Foi imediatamente perseguido e placado duramente por 6 stewards, como se fosse um vulgar funcionário do Porto. A SIC fez bem em pôr o Nuno Rogeiro a comentar o jogo. Alguém que costuma comentar a guerra do Iraque e do Afeganistão é a melhor pessoa para depois nos explicar o funcionamento do túnel da Luz e dos Stewards de Operações Especiais. Desta vez também mexeram previamente nas câmaras, mas não foi para esconder nada sórdido que lá se viesse a passar. Foi para substituir a lente por uma grande angular, a única maneira de se conseguir filmar o Magnusson.

10 janeiro 2010

Uma verdade, lá por ser repetida muitas vezes, não se transforma em mentira



Por Zé Diogo Quintela in A Bola

NA terça-feira, Miguel Sousa Tavares escreveu: «Desde que esta época se iniciou, eu tinha feito a mim mesmo uma promessa: aguentar-me até ao limite para não dar alento nestas crónicas ao clima habitual de facciosismo cego que alimenta ódios e suspeições sem fim e impede de ver e reconhecer o mérito alheio onde ele existe. Já lá vai decorrido meio campeonato e nunca, uma só vez que fosse, me pronunciei sobre arbitragens: quer as do meu clube, quer as dos outros; elogiei, mais do que uma vez, os progressos evidentes do futebol do Benfica, escrevendo que era a equipa que mais e melhor estava a jogar, e não tive uma dúvida em reconhecer como mais do que justa a sua vitória recente sobre o FC Porto. Fiz o que pude para a sanidade do ambiente. E aguentei-me até onde consegui. Mas, às tantas, as coisas começam a ficar difíceis de encaixar sem reagir. Anteontem, por exemplo, ao ler o texto, pretensamente engraçadinho, do Diogo Quintela, achei que a direcção do FC Porto deveria abandonar a sua tradicional passividade litigante e colocar-lhe um processo-crime por difamação, como o seu texto amplamente merece. Talvez ele prefira a justiça popular à justiça democrática, talvez prefira a verdade popular à verdade apurada como tal; talvez as sentenças da justiça comum (e não a da populaça futebolística) lhe não mereçam respeito algum, talvez mesmo nem sequer se dê ao trabalho de as conhecer. Mas certamente sabe que insistir em mentiras desmascaradas pela justiça é uma calúnia e sabe que ofende, não apenas o presidente do FC Porto, mas todos os portistas, quando se diverte a escrever pretensos diálogos em que Pinto da Costa compra um árbitro por 2.500 euros. Goebells [sic] dizia que uma mentira repetidamente dita transforma-se em verdade. Mas Goebells [sic] perdeu e as democracias triunfaram. Talvez Diogo Quintela não goste, mas é assim: há regras no jogo.»
O leitor deve estar a perguntar-se qual a diferença entre a verdade popular e a verdade apurada como tal. Eu sei que estou. Existirão várias verdades para o mesmo facto? Por exemplo, MST diz: «Já lá vai decorrido meio campeonato e nunca, uma só vez que fosse, me pronunciei sobre arbitragens». Mas na sua crónica de 15/12/09, já tinha escrito «o que valeu ao Benfica em Olhão foi, como é habitual também, os últimos minutos do jogo, um fiscal de linha desatento à posição de Nuno Gomes no golo do empate e um árbitro atento ao facto de domingo haver um Benfica-Porto, quando se encaminhou para Cardozo, depois de expulsar Djalmir, e pelo caminho mudou o vermelho a Cardozo para amarelo». (Entretanto, peço ao leitor que memorize o facto de MST achar que, ao não expulsar Cardozo, o árbitro beneficiou o Benfica. Vai-nos ser útil mais à frente).

Esta afirmação em que MST se vangloria de «nunca, uma vez que fosse» ter falado de arbitragens, nem repetida muitas vezes passava a verdadeira. Mesmo pelo tal Goebells. Ou pelo próprio Goebbels. A não ser que eu e MST tenhamos um entendimento diferente do que é: nunca, uma vez que fosse. Ou, se calhar, temos um conceito diferente de verdade. MST acha que é verdade que esta época não se tinha ainda pronunciado sobre arbitragens. Já eu acho que é mentira. Os factos, curiosamente, também acham que é mentira. E o que dizem os factos da noite que deu origem ao Caso do Envelope, no qual me baseei para imaginar o tal diálogo pelo qual MST quer que eu responda em tribunal?

Dias antes do Beira-Mar – Porto, Pinto da Costa recebeu em casa Augusto Duarte, o árbitro desse jogo. Este é verdade. Pinto da Costa disse ter sido surpreendido, mas há escutas em que combina a visita com António Araújo, o intermediário do encontro, e outras em que lhe dá indicações sobre o caminho para sua casa. A mesma casa onde não esperava receber a visita que tinha acabado de lhe dizer que estava a chegar. Este também é verdade. Pinto da Costa disse que Carolina Salgado estava doente e não se cruzou com as visitas. As visitas e a própria Carolina dizem que é falso. Até agora, uma das pessoas que habitava naquela casa da Madalena está a mentir. Uma pista: não é a Carolina Salgado. Bom, isto está provado.

O que não está provado é outra coisa. Digo: não está provado, que é muito diferente de: está provado que não aconteceu. E a coisa são duas versões contraditórias. MST prefere acreditar na de Pinto da Costa, quando este diz que serviu de conselheiro matrimonial ao pai de um árbitro, do que acreditar na de Carolina Salgado. Entre essas duas pessoas, eu prefiro acreditar na que não é presidente de um clube que, por exemplo, pagou uma viagem ao Brasil a um árbitro.

O que também está provado é que, aos 15 minutos desse jogo, Augusto Duarte perdoou a expulsão a um jogador do Porto. A juíza achou que uma expulsão perdoada não é suficiente para uma equipa ser beneficiada? Eu não concordo. E, pelos vistos, MST também não. (Agora é a altura em que peço ao leitor que se recorde que MST considera que o Benfica foi beneficiado por o árbitro não ter expulso Cardozo. Valeu ou não valeu a pena guardar a informação?)

Na mesma crónica de 15-12-09, MST tinha-se referido ao tal Beira-Mar – Porto como «um jogo que já não contava para nada». Uma peta que MST e outros portistas gostam de repetir e que, lamento, não se vai tornar verdade.

Antes desse jogo, o Sporting estava em 2.º lugar, a 5 pontos do Porto. Havia 12 pontos em disputa. O Porto alinhou em Aveiro sem muitos titulares, pois 3 dias depois ia jogar a 1.ª mão da meia-final da Liga dos Campeões. Na mesma jornada o Sporting foi prejudicado no Bessa, quando Bruno Paixão expulsou Rui Jorge e assinalou fora-de-jogo antes do meio-campo a um Liedson isolado. O Sporting (que estava a ganhar) ficou injustamente reduzido a dez e perdeu. O Porto permaneceu injustamente com 11 e não perdeu.

Se o Sporting tivesse ganho e o Porto tivesse perdido, o Sporting ficava a 2 pontos e o Mourinho já não podia descansar outra vez a equipa, na 33.ª jornada, antes da 2.ª mão da Champions, na Corunha. Como fez, já campeão, perdendo com o Rio Ave. Alinhou nesse jogo com Pedro Ribeiro, Pedro Emanuel, Mário Silva e Ricardo Costa na defesa, em vez dos habituais titulares Ricardo Carvalho, Nuno Valente, Jorge Costa e Paulo Ferreira.

Eu cuido que este Beira-Mar – Porto ainda contava para alguma coisa. Por mais que o MST, pensando no Goebbels, repita que não.

Recapitulemos, então. O presidente do FC do Porto recebe em casa o árbitro que vai apitar o próximo jogo do seu clube. Mente sobre estar à espera dele e sobre a presença de Carolina Salgado. Carolina Salgado diz que foi passado um envelope com 2500 euros, Pinto da Costa e o árbitro dizem que não foi. No entanto, contra o Beira-Mar, o Porto é beneficiado ao não ser expulso um seu jogador logo aos 15 minutos, num jogo que era importante para o campeonato e para a Liga dos Campeões. A justiça desportiva castiga o Porto por corrupção, o Porto não recorre. A justiça comum não desmascarou nada disto.

É isto que Miguel Sousa Tavares quer que eu vá dizer a tribunal? Por mim, tudo bem.

04 janeiro 2010

Previsões para 2010



Por ZÉ DIOGO QUINTELA in A Bola

NÃO há nada melhor para começar o ano do que uma crónica com previsões sobre 2010. Principalmente para mim, que ainda estou um bocadinho ressacado e preciso de escrever algo que não puxe muito pela cabeça. Daí estas previsões: é impossível haver alguma coisa mais fácil de adivinhar do que o previsível futebol português. O leitor não acredita? Então veja.
9 DE JANEIRO

O Correio da Manhã publica uma escuta entre Pinto da Costa e um árbitro. A transcrição contém, entre outras coisas, o seguinte excerto:

Pinto da Costa — Combinamos então que o sr. árbitro vai beneficiar o meu FC do Porto, a troco de 2500 euros.

Árbitro — Portanto, o sr. Pinto da Costa dá-me 2500 euros...

Pinto da Costa — Certo.

Árbitro — ... e eu ajudo o FC do Porto a ganhar o jogo da semana que vem...

Pinto da Costa — É isso.

Árbitro — Recapitulando: vai corromper-me por 2500 euros?

Pinto da Costa —Correcto.

Árbitro — É mesmo corrupção?

Pinto da Costa —Daquela mesmo corrupta.

Árbitro — Fica então combinado, sr. corruptor.

Pinto da Costa — Obrigado, sr. corrompido.

10 DE JANEIRO

O Público e o DN publicam as escutas incriminatórias.

13 DE JANEIRO

Os jornais desportivos referem brevemente as alegadas escutas entre o alegado Pinto da Costa e um alegado árbitro.

23 DE JANEIRO

Comentadores afectos ao FC do Porto dizem que só por maldade é que se pode afirmar que a escuta em que Pinto da Costa oferece dinheiro a um árbitro para ajudar o Porto é uma prova de que Pinto da Costa ofereceu dinheiro a um árbitro para ajudar o Porto. Avançam a hipótese de «2500 euros» ser código para «cumprimentos para a família» e «beneficiar o Porto» código para «não fazer absolutamente nada a favor do Porto».

4 DE FEVEREIRO

O tribunal de Gondomar manda arquivar a escuta entre Pinto da Costa e o árbitro, com o argumento técnico-jurídico de que «não dá jeito nenhum ao Futebol Clube do Porto».

27 DE ABRIL

O Sporting renova com Carlos Carvalhal por duas épocas, o que leva a comunicação social a dizer que Carlos Carvalhal continua um treinador a prazo. Desta vez, o prazo é de duas épocas.

9 DE MAIO

Pela primeira vez na sua história, o Sporting de Braga sagra-se campeão nacional. As celebrações deste feito único só são ofuscadas pelas celebrações benfiquistas pela conquista do segundo lugar. Segundo fontes do clube, não valia a pena guardar o fogo de artifício, que já estava pago. O Benfica tinha tantos foguetes preparados que, quando os começou a lançar, iluminaram os céus durante três dias. O tráfego aéreo teve de ser interrompido.

12 DE MAIO

Depois de ganhar ao Liverpool por 8-0, o Sporting vence a Liga Europa. A conquista é saudada por todo o país e leva mesmo os jornais desportivos a dedicarem 1/3 da capa ao acontecimento. Os outros 2/3 continuam a ser dedicados à entrevista exclusiva com Cardozo, em que o paraguaio afirma que está «muito feliz» no Benfica. Como aliás já tinha dito, na entrevista exclusiva anterior, publicada em Março.

25 DE JUNHO

Portugal é eliminado do Mundial ainda na fase de grupos. A sorte do Prof. Queiroz é que, no dia anterior, Di María marca um golo muito bonito na vitória da Argentina frente à Grécia, de maneira que os jornais portugueses não ligam muito à eliminação precoce da Selecção.

O leitor está a ver como não custa nada? Experimente agora fazer as suas próprias previsões para a segunda parte de 2010. É facílimo.

23 novembro 2009

É Carvalhal, só Lucílio leva a mal



Por Zé Diogo Quintela in A Bola

ESTOU contente por ter vindo o Carlos Carvalhal. Não disse nada antes para não agourar, mas era o meu favorito. Por várias razões. Por exemplo, se o Sporting se quer estrear na conquista da Taça da Liga, (o único troféu nacional que lhe falta), fez bem em ir buscar um dos dois maiores especialistas em ganhar Taças da Liga. A outra hipótese era o Lucílio Baptista. Mas para esse é que não temos mesmo orçamento.Independentemente disso, estamos a falar do homem a quem o Mourinho pedia os apontamentos, no curso de treinadores. Além da Taça da Liga, tem no palmarés um bocadinho da Liga dos Campeões e um bocadinho da UEFA.
Devo dizer que não me surpreendeu a postura intransigente da Académica em relação a Villas Boas. Não é por estar em último lugar que a Académica deixa de ser um clube com grandeza. É prova disso a sua atitude negocial. Tal como, na época passada, foi prova disso o facto de o Benfica ter colado, no balneário, as declarações provocatórias do capitão da Académica, antes de a receber na Luz. Para incentivar um plantel, nada como as palavras de um jogador da Académica. Infelizmente, não serviu de nada e o Benfica perdeu à mesma.
ASelecção qualificou-se para o Mundial, mas quem ler as reacções do seleccionador, de alguns jogadores e comentadores, quem ouvir os fóruns das televisões e das rádios, fica a achar que o apuramento foi conseguido contra os críticos da Selecção, em vez de contra a Bósnia. Os verdadeiros adversários da Selecção não foram Erjon Bogdani, o matreiro avançado albanês, ou Haris Medunjanin, o irrequieto médio bósnio, mas sim o cronista sicrano ou o jornalista beltrano, que criticam o trabalho de Carlos Queiroz.
Maior do que o regozijo por ter ganho o play-off, é a alegria com que prevêem que quem disse mal vai voltar agora, com o rabinho entre as pernas, para passar a dizer bem. Pela minha parte, acertaram. Cá estou eu, com o meu rotundo traseiro entalado entre as pernas arqueadas, a dizer que afinal, ao contrário do que fui dizendo aqui, esta Selecção é muito bem orientada e joga imenso. Ui, como joga!
É que estive a pensar melhor e, afinal, a derrota em casa com a Dinamarca, não foi patética, mas sim soberba. Foi uma astuciosa estratégia para os nossos adversários nos subvalorizarem. E, depois de uma análise mais profunda, concluí também que não marcar golos à Suécia foi bom e que empatar em casa contra dez albaneses foi óptimo. Reflecti e agora aceito também que tivemos azar nos remates à baliza, mas que as três bolas que a Bósnia mandou aos postes foram vicissitudes do jogo. Aliás, posso não perceber nada de servo-croata, mas tenho quase a certeza que o seleccionador da Bósnia disse «não sei o que é preciso fazer mais para se ganhar um jogo», um queixume que, pelos vistos, é normalíssimo.
Agora que enfiei a viola no saco, ponderei e já acho que foi boa ideia manter o Ronaldo a capitão. E passei a achar magistral ter insistido no Edinho, quando era suplente no AEK, e não convocar o Nuno Gomes, dizendo que era por não jogar no Benfica. (Eu sei que a verdadeira razão é o Nuno Gomes ter respondido ao Prof. Queiroz quando este, no tempo do Scolari, mandou umas bocas aos avançados da Selecção. E é bem feita: naquele tempo, as bocas eram mandadas para ajudar. Hoje em dia é que destabilizam).
Assim como, agora que vi a luz e virei a casaca, já acho que uma equipa que conta com o melhor jogador do mundo, que tem dos melhores laterais direitos, centrais e números 10 do mundo, jogadores do Chelsea, do Manchester, da Juventus, mais o melhor ponta-de-lança a jogar em Portugal nos últimos dez anos, uma equipa dessas afinal é fraquinha. O facto de a maioria destes jogadores terem qualificado directamente Portugal para o último europeu, onde foi até aos quartos-de-final, não empalidece estas exibições de agora.
Há, no entanto, uma opinião que mantenho desde o início: Carlos Queiroz tem feito um esforço para mobilizar os portugueses. Só que em vez de ser a favor da Selecção, é contra quem critica a Selecção. Para o prof. Queiroz e os seus partidários só se admitem críticas positivas. Críticas negativas são maldade e devem ser criticadas. Negativamente, o que não deixa de ser engraçado.