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10 novembro 2010

Última Crónica do RAP ao "Jornal A Bola"


6 de Novembro de 2010

Parabéns ao Porto pela vitória de amanhã


Manda o desportivismo felicitar o adversário quando ganha, e eu aproveito para me antecipar. No jogo de amanhã, tudo está a favor do Porto. O Benfica vai, provavelmente, apresentar a sua segunda equipa. Creio que a inteligente estratégia inaugurada pelo Leiria pode ter feito escola, e não me surpreenderia que todos os clubes passassem a jogar no Dragão com as reservas. Dizem que poupar jogadores no Dragão é duplamente saudável: refresca os titulares, que descansam, e também revigora os clubes. Quando se sabe gerir o esforço é outra coisa.
Além disso, o árbitro será Pedro Proença, que é benfiquista (como Vale e Azevedo), e é o célebre inventor do penalty inexistente de Yebda sobre Lisandro López, há dois anos. Talvez Proença e Villas Boas possam, no fim do jogo, trocar algumas impressões acerca da actividade de detectar penalties que mais ninguém vê, da qual são ambos orgulhosos praticantes. De acordo com o jornal Semanário Privado de 26 de Agosto de 2009 (que só li para não ser excluído da discussão pública), Pedro Proença é também referido na escuta de uma conversa entre Pinto da Costa e Pinto de Sousa. Pinto da Costa pergunta ao amigo quem vai ser o árbitro de determinado jogo do Porto, e Pinto de Sousa responde, referindo-se a Pedro Proença: «É o que a gente combinou». O futebol pode ter muitos defeitos, mas do ponto de vista da organização é irrepreensível: quase tudo está combinado.
Mais: o Benfica tornou a preparar-se de forma deficiente para o jogo. Como se viu em Coimbra, bola na mão na área do Porto é bola na mão; bola na mão na área do adversário é penalty, o que constitui uma vantagem inestimável para os portistas. A única maneira de contrariar esta vantagem do Porto é reforçar o plantel com jogadores manetas, e o Benfica teima em não o fazer. Por outro lado, a equipa volta a apresentar-se no Dragão apenas com onze jogadores, e não com onze jogadores e onze caddies. É indigno que tenham de ser os próprios futebolistas a apanhar as bolas de golfe.

ACADÉMICA e Porto encontraram-se na semana passada para jogar uma modalidade desconhecida, e o resultado final foi a vitória do porto. Surpreendentemente, os três pontos obtidos contaram para o campeonato de futebol.
Foram várias as pessoas que disseram que o jogo não se deveria ter realizado, mas compreende-se a decisão de não adiar. Se o jogo tivesse sido adiado, o Porto chegaria ao encontro com o Benfica com apenas quatro pontos de avanço. Se se realizasse na data prevista, poderia chegar com sete. Valia a pena arriscar.

MIGUEL SOUSA TAVARES insiste que «a Declaração de Independência dos Estados Unidos é parte integrante da Constituição americana, escrita oito anos depois». Lamento, mas é falso. A Declaração de Independência não é – repito, não é – parte integrante da Constituição americana, que por sua vez não foi – repito, não foi – escrita oito anos depois, mas mais de dez anos depois. Não é bem uma questão de opinião, é um facto que pode ser comprovado por qualquer leitor, por exemplo no sítio da biblioteca do Congresso. Os leitores interessados podem ainda consultar Os Lusíadas, o Pantagruel e o Kama Sutra e verificar a curiosa coincidência de todas essas obras terem em comum com a Constituição americana o facto de a Declaração de Independência não ser - repito, não ser – parte integrante delas. Creio que, após ter confundido a Constituição com a Declaração de Independência, MST confunde agora a Declaração dos Direitos do Cidadãos (a chamada Bill of Rights), que contém as primeiras dez emendas à Constituição. Começam a faltar documentos históricos importantes para MST confundir com a Declaração de Independência, pelo que tomo a liberdade de sugerir para confusões futuras, os seguintes: a Magna Carta, o Tratado de Tordesilhas e os Estatutos do Clube Desportivo Arrifanense. Resumindo: como tenho vindo a dizer, a frase que MST citou como sendo da Constituição é da Declaração de Independência – e atribuí-la à Constituição é, aliás, um erro comum. Mas não é grave. É sem dúvida menos grave do que a incapacidade de admitir erros.
MST gaba-se de ter sido, juntamente com Cavaco Silva, «o único de todos os convidados a recusar o convite» para ir ao Gato Fedorento Esmiúça os Sufrágios. Lamento, mas é falso. Confesso que desconheço como é que MST, sem recurso a poderes mediúnicos, julga saber quem é que foi ou não convidado por nós, mas esta nova mistificação tem um objectivo claro: sugerir que os textos de MST são de tal modo excelentes que a mais pequena crítica que lhes seja feita ó pode ser produto de uma mesquinha vingança. No entanto, ao contrário do que MST pretende, recusaram ir ao programa Cavaco Silva, Jorge Sampaio, Pinto Monteiro, Manuel Pinho, Maria José Morgado, Belmiro de Azevedo, José Mourinho, Cristiano Ronaldo, Azeredo Lopes, Maria de Lurdes Rodrigues, Alberto João Jardim, Manuel Alegre, Pacheco Pereira, José Eduardo Moniz, Manuela Moura Guedes, Medina Carreira e Miguel Sousa Tavares. Faça-se justiça: MST, não tendo sido o único a recusar, foi, sim, o único a pedir 24 horas para pensar. Todos os outros decidiram mais depressa. Quanto a nós, nem retaliamos contra quem recusa nem premiamos quem aceita. Basta lembrar que Rui Moreira aceitou participar num programa nosso e leva o mesmo tratamento. Mas, tal como MST, também eu me tenho lembrado, por estes dias, do Gato Fedorento Esmiúça os Sufrágios. Era um programa cuja estratégia humorista principal consistia em apresentar declarações de determinado político a defender uma dada posição, seguidas de outras declarações do mesmo político a defender a posição oposta. A incoerência, quando é assim flagrante, tem graça. E, como vivemos em democracia, apontar as incoerências dos mais altos (e também de alguns dos menos altos) dignitários da nação é legítimo. Fazer o mesmo com as doutas opiniões de comentadores desportivos é que parece ser intolerável.

FMI no Benfica, já!


Nos últimos 110 minutos, o Benfica sofreu 8 golos. Ultrapassou assim a barreira dos 7% de Teixeira dos Santos para abrir portas ao FMI. Contra o Lyon, foi a consequência do que não se deve fazer: parar o cérebro, mais até do que as pernas. Contra o Porto, foi a consequência de um desmesurado medo que o adversário soube explorar inteligente e eficazmente. Tal como contra o acessível Liverpool, optou-se pelo experimentalismo e começou-se a perder no minuto zero. Trocou-se um dos melhores centrais do mundo por um medíocre lateral (coitado do D. Luiz), jogou Sidnei que desaprendeu com a inactividade, deixou-se de fora Saviola que, mesmo a jogar menos, é desequilibrador, trocaram-se as voltas a Aimar e Carlos Martins. E já com o resultado pesado, estreia-se o desamparado Roderick e reentra, meses depois, o destreinado R. Amorim. Para completar o mosaico, Luisão porta-se como uma criança mal-educada.
Cometeram-se erros no planeamento da época. Encarou-se a Supertaça com sobranceria e desconcentração e aí começou-se a resvalar. Não se anteciparam as inevitáveis saídas de Di María e Ramires. Os sofríveis Gaitán e Jara e o emprestado Salvio foram caros e não colmataram aquelas saídas. Fábio Faria não existe. Reempresta-se Urreta e compra-se por um balúrdio Rodrigo, que se despacha para o Bolton, onde só jogou uns minutos. Tem-se 25% do passe de Reyes para nada.
Escrevo estas palavras com tristeza, mas não com acrimónia para com os dirigentes e Jesus. Continuo a confiar no treinador. Todos temos o direito ao erro. O certo, porém, é que nos resta agra esperar pelo FMI, Fundo do Mercado de Inverno, para começar a preparar a próxima época e garantir, ao menos, o 2.º lugar para acesso à Champions!

06 novembro 2010

É obrigatório não perder


O Benfica chega desmoralizado ao jogo do Dragão. Esta é a conclusão óbvia de quem lê a imprensa, depois da modesta vitória, para a pouco importante Liga dos Campeões, contra o fraquíssimo Olympique de Lyon, pouco habituado a jogos internacionais. Já o Porto chega no auge depois do jogo com um colosso do futebol mundial, na mais importante competição do planeta. Teremos que ser humildes e reconhecer. Houve até quem alvitrasse que a vitória tinha sido má porque agora o Benfica vai perder o Coentrão. Génios assim não podem ser contrariados.
Ao contrário daqueles que dizem que só a vitória interessa ao Benfica eu baixo a ambição, para mim não perder no Dragão é obrigatório e se tal acontecer vamos disputar o título até ao fim com grandes possibilidades de o vencer. Só a derrota torna essa ambição quase impossível a 20 jornadas do fim.
A vantagem do Porto é boa, mas a partir de Domingo o calendário do Benfica passa a ser mais fácil. Das seis saídas mais complicadas do campeonato temos quatro realizadas (Nacional, Marítimo, Guimarães, Porto, Sporting, Braga). Será especulativo mas não perder no Dragão fazia-me acreditar mais no título daquilo que hoje, antes do jogo, julgo possível. Dito isto, reconheço que ganhar é melhor que empatar.
Não é um jogo qualquer, é uma deslocação que pôs no mapa futebolístico grandes figuras do futebol, este jogo já imortalizou Donato Ramos, Carlos Calheiros, Azevedo Duarte, Martins dos Santos, e até Paulo Costa, que hoje comenta nomeações, já nos deixou a jogar com oito no inesquecível clássico. Quem conhece o histórico aceita que o empate é dos deuses e que as regras não são as da FIFA.
De Pedro Proença queria a mesma competência (é claramente dos melhores árbitros) com mais personalidade.
Bela vitória sobre o Porto na Supertaça de basquetebol, num jogo onde ninguém parecia querer ganhar.

05 novembro 2010

O Benfica e a icterícia


Detive-me há dias na estatística dos cartões até à 8.ª jornada da Liga. Talvez porque se aproxime o jogo do Benfica no Porto e porque havia quatro jogadores encarnados no limiar da suspensão (lá se safaram…).
E que vi eu? Uma lista encabeçada pelo clube do meu distrito, o Beira-Mar (10 admoestações) e fechada pelo meu clube de coração, o Benfica com 32 cartões amarelos, num verdadeiro estado de icterícia! E pus-me a pensar, no que lhe terá acontecido para, tão destacadamente, ser a equipa mais indisciplinada. Logo pensei no juiz Olegário e no jogo em que só o roupeiro não foi alvo do seu gesto exibicionista de levantar o cartão. E também me lembrei de outros jogos e, por associação, de uma frase de alguém que classificou a equipa encarnada como «um bando de caceteiros» (e à qual, a Direcção do Benfica bem respondeu com um olímpico silêncio), talvez sugerindo uma orientação para os árbitros sempre que lhes calhasse em sorte o SLB.

Ao fim de 8 jogos já dá para fazer uma média. O Benfica com 4 cartões por jogo, o Porto e o Sporting com 2 cartões. Quem viu os jogos consegue encontrar uma lógica nesta diferença? Haverá batalhas campais quando o Benfica joga? Será que o Cardozo quando chuta um décimo de segundo depois do apito merece ser admoestado e outros que, nas mesmas circunstâncias, prosseguem paulatinamente as jogadas são apenas surdos? E como se explica a diferença quando olhamos para os poucos cartões na Liga dos Campeões?

Por fim nesta digressão estatística, veio-me à memória uma Supertaça quando o juiz Pratas fez, em marcha-atrás, o campo todo em amena cavaqueira com toda a equipa do Porto, sem que nada acontecesse no campo disciplinar. É que nestas coisas de icterícia, há fígados e fígados.

P.S. (depois do Lyon) – Roberto, deixa-te de ‘verdismos’. Volta ao branco!

Do pior que se pode imaginar


O presidente do FC Porto não é um literato, nem um actor, nem um historiador, nem nada que se pareça com uma figura de intelectual ainda que lhe gabem muito, no círculo provinciano onde pontifica, os méritos de recitador de poesias.
Em momentos de maior deslumbramento, o presidente do FC Porto já produziu alguns recitais que foram vistos em todo o país graças à invenção da televisão. Tratando-se de um amador, sem outras credenciais que não sejam a da sua celebridade como dirigente desportivo, deve poder dizer-se que como declamador de poesia o presidente do FC Porto é, para quem nunca tenha assistido, do pior que se possa imaginar.
Mas não é justo criticar alguém por não exibir qualidades que não são tecnicamente as suas. No entanto, já é digno de nota o descaramento com que se abalança a essas exibições confrangedoras e muito aplaudidas no seu tal círculo restrito de admiradores.
Não sendo também um literato nem um historiador, no último fim-de-semana o presidente do FC Porto abalançou-se, com o mesmo descaramento que o leva a recitar como um inapto em público, a proferir uma palestra histórica sobre a conquista de Lisboa pelo nosso primeiro rei, primando pelas calinadas que, até ao momento, ficaram por corrigir.
Procurando uma analogia tão lamentável quanto serôdia entre a conquista de Lisboa e a rivalidade futebolística entre o seu clube e o Benfica, disse o presidente do FC Porto a uma plateia como sempre rendida, enfim, sem massa crítica: «Em 1134, o bispo do Porto, D. Pedro Picoas, exortou os cristãos a juntarem-se para ir a Lisboa para conquistar os mouros e expulsá-los de Portugal. Para além de um Santo, D. Pedro Picoas foi também um grande sábio.»
Ore o presidente do FC Porto não só não é um sábio como também é um pequeno ignorante atrevido, campo em que não está sozinho e até estará muitíssimo bem acompanhado por gentes com outras e maiores responsabilidades intelectuais, se é que isso serve a alguém de consolo.
A conquista de Lisboa não foi em 1134 mas em 1147, exactamente treze anos mais tarde do que a data catedraticamente apontada pelo presidente do FC Porto.
Mas este é um erro que se justifica vindo do presidente do FC Porto. Nem é bem um erro, é mais um vício, um tique compulsivo. É que também a data de fundação do FC Porto sofreu um desvio de 13 anos e, por bula papal, recuou de 1906 para 1893 sem que houvesse sequer discussão.
Quanto ao nome do bispo do Porto, a verdade é que não se chamava Pedro Picoas, como o presidente do FC Porto afirmou, mas sim Pedro Pitões, sendo que Picoas é um nome de uma estação do metropolitano (subterrâneo) de Lisboa – Linha Amarela – e sendo que Pitões até seria um nome bastante fácil de memorizar pelo presidente do FC Porto, um clube de futebol, visto que pitões são aqueles grampos de plástico ou em alumínio que se enroscam nas solas das botas dos jogadores para lhes dar maior estabilidade e tracção.
Mais importante do que este singelos reparos factuais, que mais não visam do que impedir de chafurdar alegremente na ignorância, nas trevas, aquela fatia significante de povo que, presumivelmente, só lê jornais desportivos e despreza os nossos romancistas e trovadores, trata-se aqui de dar razão a Vítor Baía que ainda há bem pouco tempo lamentou publicamente que o FC Porto tivesse uma «cultura muito para dentro, muito fechada».
Baía não estava, obviamente, a referir-se a questões de cultura geral, como se costuma dizer, nem às eventuais calinadas presidenciais quando envereda pelo discurso erudito. Nada disso. Baía, que é um rapaz de bom senso, estaria simplesmente a lamentar o anacronismo de um espírito medieval que reclama limpezas étnicas e expulsões do país em nome de uma bola de futebol e de umas quantas chuteiras.
Com pitões, naturalmente.

O FC Porto – Benfica da época de 1953/54 teve a precedê-lo um ambiente bem menos medieval. No seu último número de Dezembro de 1953, O Porto, jornal oficial do clube nortenho, exortava os seus adeptos a receber condignamente os rivais que haveriam de chegar de Lisboa:
«Portistas, vem aí o Benfica. É claro que vamos receber como ele merece: à moda do Porto. Os encarnados do Sul vêm de longada até à Cidade Invicta encher de alegria os olhos dos desportistas tripeiros. Que vença, Deus o permita, o nosso glorioso clube. É legítimo. Que os bravos benfiquistas nos perdoem a tripeira fraqueza… Nada de hipocrisias porque os dois baluartes do futebol nacional já habituaram de tal maneira os seus adeptos à exibição plena das mais nobres virtudes da ética desportiva.»
E FC Porto venceu o Benfica por 5-3 sem ter havido registo de qualquer incidente, tal como o jornal O Benfica, órgão oficial do clube, relataria na sua edição de 14 de Janeiro de 1954:
«Ganhou o Porto! Foi naquela tarde o melhor. Mas também soube pôr na vitória o timbre de firmeza e educação que só os atletas de elite possuem. Perdeu o Benfica! Mas nem por isso saiu diminuído da contenda. Deixou no belo Estádio o perfume da sua categoria de grande equipa, grande na maneira de jogar, enorme na forma como soube aceitar a derrota.»
É impressionante o que o país tem evoluído nestas últimas longas décadas…

O chileno Valdés marcou os dois golos com que o Sporting venceu a equipa principal da União de Leiria no último domingo. Lendo os jornais de terça-feira vislumbra-se um ameaço de crise em Alvalade… A quem se deve e explosão de Valdés?
Para este jornal A BOLA, o autor do milagre foi Paulo Sérgio, o treinador, que disse ao chileno antes de entrar em campo: «Concentra-te nas coisas simples!» e ele concentrou-se mesmo.
Já para o Correio da Manhã, o mágico de serviço foi Costinha, o director, que disse ao chileno antes de entrar em campo: «Acredito muito no teu potencial» e ele acreditou mesmo.
Isto a continuar assim não haja dúvida que promete.

VENCENDO o Lyon, o Benfica garantiu praticamente a qualificação para a Liga Europa. Quanto à qualificação para a fase seguinte da Liga dos Campeões ainda está longe de estar garantida. Faltam dois jogos e duas vitórias, ou seja, falta muito.

30 outubro 2010

Depois do treinador de bancada, o árbitro de bancada: uma evolução natural


Confesso que tenho dificuldade em compreender os receios que rodeiam a hipotética greve dos árbitros na semana do Porto – Benfica. Não sei se ainda mantém em rigor a velha regra segundo a qual, na ausência do árbitro, deve ser recrutado um espectador na bancada para arbitrar a partida. Se assim fosse, o mais provável seria que o árbitro do jogo acabasse por ser um adepto do Porto. Sinceramente, creio que ninguém daria pela diferença. Seria um Porto – Benfica perfeitamente normal. Já aqui recordei a noite histórica em que o Sr. Donato Ramos, depois de ter permitido que o Vítor Baía defendesse com as mãos fora da área, anulou um autogolo do Porto por fora-de-jogo posicional de um jogador do Benfica. Hoje, lembro o saudoso árbitro Carlos Calheiros (que é também o eminente turista José Amorim), que um dia assinalou um penalty contra o Benfica por uma razão que permanece misteriosa até agora. Na primeira repetição, José Nicolau de Melo descortinou (e José Nicolau de Melo descortinava como ninguém) uma falta de Mozer. Na segunda repetição, julgo que aventou uma mão de Hélder. E, na terceira repetição, concluiu que não existia falta nenhuma das infracções anteriores nem qualquer outra, mas optou por dar o benefício da dúvida ao árbitro. Gente maldosa comentou que o benefício da dúvida tinha sido o menor dos benefícios que o árbitro tinha recebido nessa noite. Acredito mesmo que qualquer adepto do Porto faria um trabalho mais isento.

Quanto à greve, não sei se tem razão de ser, mas não percebo a forma do protesto. Quando os trabalhadores da TAP fazem greve, não comparecem na TAP, que é a morada do patrão. Quando os funcionários da EDP fazem greve, abstêm-se de comparecer na EDP, que é a morada do patrão. Quando os árbitros fazem greve, ameaçam não comparecer no estádio do Dragão? Que esquisito.

Todos estes meses depois, o túnel da Luz continua a afastar o inigualável Givanildo da convocatória da selecção brasileira. Há, perversa infra-estrutura! Perversa e sectária, que o David Luiz passa lá todas as semanas e continua a ser convocado.

“ (…) é assustador verificar a frequência com que, graças a uma redacção voluntariamente ambígua da lei, são anuladas em julgamento as escutas telefónicas.”
MIGUEL SOUSA TAVARES
Expresso, 11 de Junho de 2007

“ Durante quatro semanas a fio, o jornal «Sol» levou a cabo, tranquilamente, a divulgação de escutas telefónicas recolhidas num processo em segredo de justiça e abrangendo até alguma gente que, tanto quanto sabemos, não é suspeita de qualquer crime. (…) E todos nós, mesmo os discordantes, fomos obrigados a ler as escutas e concluir a partir dos factos e indícios nelas contidos, sob pena de sermos excluídos da discussão pública”.
MIGUEL SOUSA TAVARES
Expresso, 25 de Março de 2010

Como já aqui tive ocasião de notar, há um grande consenso social em torno do fenómeno das escutas. Até gente de clubes diferentes se encontra no essencial, o que é notável e bonito. Por exemplo, eu concordo com o Miguel Sousa Tavares quando diz que é assustador o número de escutas telefónicas, algumas bem incriminadoras, que são anuladas em tribunal. E também me sinto obrigado a tomar conhecimento dos factos e indício nelas contidos, para não ser excluído da discussão pública. O que pretende quem deseja fingir que as escutas não existem é decretar a obrigatoriedade da hipocrisia. E isso, fiquem sabendo, Miguel Sousa Tavares nunca permitiria. E eu estou com ele nesta luta. Juntos venceremos, tenho a certeza.

“ Jornalista – O best seller de Carolina assume foros de escândalo. As críticas vêm até indefectíveis portistas.
Rui Moreira – O Sr. Jorge Nuno Pinto da Costa devia ter falado com os adeptos, devia ter falado com os sócios, sobre esta matéria. E devia ter-lhes pedido desculpa
(…)
Jornalista – As críticas aos administradores da SAD não se limitam à gestão.
Rui Moreira – À volta daqueles que são os grandes líderes, aquilo que acontece é que se começa a confundir a fidelidade com o cortesão. Perante o Sr. Jorge Nuno Pinto da Costa são absolutamente acríticas, mas nas costas do Sr. Jorge Nuno Pinto da Costa são as pessoas mais críticas. E esta tendência, que é típica dos cortesãos, como nós sabemos, aquilo a que se chama jogos de corredor, é típica também de uma instituição cuja a liderança se aguenta durante muitos anos. (…) Aquele passeio da fama que o FC Porto tem, Faltam lá alguns nomes, claramente.
Jornalista – Mas quem é que é o responsável por isso?
Rui Moreira – É a política de guerrilha”.

Numa interessante reportagem da RTP, disponível aqui: http://www.youtube.com/watch?v=5yjllkmd4wg&feature=related.

Tenho acompanhado com muito interesse o Trio D’Ataque na sequência do despedimento com justa causa de Rui Moreira. Por muito que me custe admiti-lo, o comunicado emitido pela SAD do Porto estava correcto: de facto, o novo elemento (além de ter a estanha mania de permanecer no estúdio durante toda a duração do programa, honrando o contrato que o liga à RTP), emite livremente opiniões que são da sua exclusiva responsabilidade. O novo modelo do programa faz lembrar o tempo em que Rui Moreira não era sequer candidato a sócio do ano, antes de ter percebido que as suas opiniões não eram as mais correctas, quer para as suas ambições inconfessadas, quer para a sua saúde. Espero que o estádio do Dragão tenha corredores espaçosos: há mais um jogador para albergar.

P.S. - Tanto Miguel Sousa Tavares (que esta semana nos obsequiou com uma excelente redacção subordinada ao tema A Caça aos Patos) como Rui Moreira (que fornece aos leitores informações interessantíssimas, como o facto de não ter visto um jogo por estar a entreter um Sr. Que até é comendador) insistem que eu não escrevo aqui sobre o que devia. O jurista que cita a declaração de independência pensando estar a citar a constituição americana considera que eu não sei do que falo; o comentador desportivo que foi despedido por não comentar tem reparos a fazer aos meus comentários. Vivemos num mundo estranho.

29 outubro 2010

Animais, uns mais do que outros


Morreu de cansaço o polvo Paul que, sem saber ler nem escrever, se tornou numa das celebridades maiores do último campeonato do mundo de futebol.
O polvo Paul acertou sempre no engodo que lhe deram a escolher em forma de substância alimentar e previu todos os resultados da selecção alemã na África do Sul bem como o resultado da final disputada entre a Holanda e a Espanha.
Não foi coisa pouca, ainda para mais debaixo de água.
O futebol mundial perdeu, assim, o seu oráculo mais tentacular. Em Portugal, felizmente, ainda temos o professor Karamba e outros professores adivinhadores, mas foi com lástima que vimos partir Paul, o único que nos poderia garantir, com razoável antecedência, quantos dos quatro jogadores quatro vezes amarelados do Benfica resistirão amanhã, frente ao Paços de Ferreira, ao quinto cartão amarelo e à consequente exclusão do jogo com o FC Porto na jornada seguinte.

Águia, alegadamente prima da águia Vitória, que o Benfica cedeu em regime de franchising à Lazio, recusou-se a voar no domingo passado no Olímpico de Roma, escapou-se para a cobertura do estádio e foi dali que assistiu à vitória dos donos da casa sobre o Cagliari e ao consequente reforço da posição da Lazio como comandante isolada do campeonato italiano de futebol.
Sem querer cair no domínio da especulação fácil, é de desconfiar que a águia que está em Roma não só não é prima da águia Vitória como é a própria águia Vitória que terá sido raptada ou que, numa confusão de identidades, se vê agora muito contrariada em Roma, longe da Luz e do Benfica que é o seu clube desde o ninho em que nasceu.
Teríamos assim, de uma assentada, a explicação para o excelente início de campeonato da Lazio, abençoada pela águia original, e para o menos excelente arranque de um Benfica confundido sob as asas de uma falsificação grosseira de pássaro.
O que também, por si só, justifica a desvalorização completa do incidente registado entre dois stewards de serviço, o tratador Barnabé e a falsa águia Vitória no decorrer do intervalo do jogo com o Arouca, para a Taça de Portugal.
Ah, se aquilo fosse com a original outro galo cantaria.

DEIXEMOS agora em paz os animais. Vamos falar de árbitros. Michel Platini mostrou-se no início desta semana totalmente contrário à introdução de tecnologias no futebol que possam corrigir e desautorizar os julgamentos dos juízes de campo. Para o presidente da UEFA, um futebol sem erros de arbitragem arriscava-se a descer aos patamares de emoção virtual da PlayStation que mesmo assim, sem erros dos árbitros, é o jogo de computador mais vendido em todo o mundo.
No entanto, se os inventores da PlayStation tivessem a ousadia de introduzir no mercado um jogo com erros de árbitros, com roubos de igreja, com fruta, café com leite e viagens ao Brasil, certamente não só venderiam menos o seu produto como até contribuiriam de forma exponencial para o aumento de venda de televisões tantos seriam os aparelhos partidos, esmigalhados, incendiados, pela justa revolta dos jovens e dos menos jovens consumidores do jogo electrónico.
Em Portugal estamos ainda numa fase menos electrónica da arbitragem. Os nossos juízes fazem o que podem para melhorar a sua reputação e como são cidadãos iguais aos outros anunciaram, no final da última semana, a intenção de fazer uma greve por questões que se prendem com a fiscalidade e a segurança social. Está visto que são humanos!
Os árbitros portugueses reuniram-se e ameaçaram não comparecer em campo no fim-de-semana de 6 e 7 de Novembro que é, precisamente, o fim-de-semana correspondente à jornada do campeonato em que o Benfica visita o FC Porto.
Francamente, torna-se difícil descortinar onde é que está a ameaça de não haver árbitro no Estádio do Dragão a 7 de Novembro. É que, bem pelo contrário, até me parece um grande descanso.

DEPOIS do Benfica, chegou a vez de o Sporting de prestar homenagem aos 33 mineiros chilenos. O embaixador do Chile em Portugal deslocou-se a Alvaláxia, recebeu no centro do relvado 33 cachecóis do Sporting, personalizados com os nomes dos heróis subterrâneos e quando, muito agradecido, perguntou ao presidente Bettencourt e ao director Costinha se gostariam de receber no seu estádio os 33 mineiros que hão-de fazer uma tournée pela Europa, logo Costinha se apressou a responder: «Depende muito da maneira como vierem vestidos, senhor embaixador…»
E, depois de ouvir isto, como se não bastasse, o embaixador chileno ainda teve de assistir ao jogo entre o Sporting e o Rio Ave e às penosas exibições de dois compatriotas seus.
E ainda há quem diga que a carreira diplomática é um luxo.

COM uma prestação europeia francamente medíocre, o Benfica dá mostras de ter atinado finalmente na competição interna e já vai na quarta vitória consecutiva e no quarto jogo sem sofrer golos, o mínimo que se exigia ao campeão depois de um arranque a todos os títulos lamentável.
Maxi Pereira, talvez entusiasmado por este assomo de recuperação, disse no final do jogo com o Portimonense que «este já se parece com o Benfica da época passada». O que, honestamente, não é verdade. É que nem o próprio Maxi se parece com o Maxi da época passada, como concordarão, quanto mais o Benfica no seu todo, tão monocórdico e previsível em todas as fases do jogo.

DEPOIS de o presidente do Sporting ter denunciado os «Herris Batasunas» que andavam a sabotar o seu plano de recuperação do clube, veio agora o presidente do FC Porto queixar-se do «Bin Ladens» que não lhe dão o valor que merece.
Felizmente que o presidente do Benfica não entra nestes temas tão confrangedores quando está irritado.

28 outubro 2010

A resposta de Jesus por Bagão Félix


«SOMOS muitos e não é fácil pararem-nos»: foi como bem reagiu Jorge Jesus à pergunta no final do jogo no Algarve a propósito de a larga maioria da assistência ser benfiquista. Uma resposta concisa, inteligente e inatacável. Não pondo em causa os órgãos sociais do clube, o treinador encarnado constatou a força que nenhum decreto, ordem ou fatwa consegue deter. E ainda bem.
Percebi o contexto da recomendação da Direcção e nem a critico pelo carácter invulgar ou despropositado. Verdadeiramente, o único aspecto que não entendi (e não é de somenos…) foi o de ter minimizado assim tão acentuadamente a força imbatível e imparável do Sport Lisboa e Benfica. Força, aliás, que começa no Estádio da Luz, que acaba de completar sete anos e já acolheu 7 milhões de pessoas, e se prolonga por todo o lado!
Dizem os factos, a estatística e as contas das equipas onde as águias vão jogar, que é o Benfica e só o Benfica que lhes proporciona o jogo do ano. Que sentido faria que nessa festa não estivessem os benfiquistas? Afinal quem ganharia com isso? É o que em teoria dos jogos se chama «um jogo de soma negativa»: todos perdem, ninguém ganha.
Vi o jogo de domingo pela TV. Quando Javi García marcou o golo da vitória pensei no insólito que seria se tivesse sido festejado em silêncio. Ou no fim, se os jogadores saíssem sem acenar aos sócios e adeptos. Nestas circunstâncias, o silêncio nunca é de ouro. O futebol é entusiasmo, calor humano, vibração, nervo, cor, paixão, movimento. Os jogadores precisam de sentir tudo isso. Sócios e adeptos também.
Última nota: vi no estádio muitos benfiquistas, muitos benfiquistas – portimonenses e alguns portimonenses. Mas estando a jogar Ventura, Ivanildo, Candeias, André Pinto & Cª não vi lá adeptos portistas. Estranho, não é?

23 outubro 2010

E isso me envaidece


ESTIVE ontem mais de duas horas a conversar com um adepto do Benfica. Chama-se Lobo Antunes e é, além de benfiquista, um grande escritor. Um dos maiores do mundo. Sempre que lhe dão um prémio literário, e já lhos deram quase todos, fica mais prestigiado o prémio do que ele. Tem diplomas, medalhas, vários quadros de grandes pintores que quiseram pintar-lhe o retrato. Creio, por isso, que os leitores não serão capazes de lhe censurar a vaidade se disser que, em casa dele, na parede do quarto, está, emoldurada, a sua ficha de inscrição como sócio do Sport Lisboa e Benfica. Cada um tem as suas honrarias, e a vontade de exibir as maiores apenas humana.
«É extraordinário», disse ele a olhar para a moldura, «como um clube fundado por órfãos da Casa Pia – ao contrário do Sporting, fundado por um Visconde, e do Porto, fundado por banqueiros – consegue…» E, entretanto, faltaram-lhe as palavras. «É extraordinário», limitou-se a repetir. Confesso que fiquei desapontado. Afinal, um grande escritor não fazia milagres: quando alguma coisa era do domínio do indizível, não havia vocabulário, nem talento, nem nada que lhe valesse. Mas, nesse mesmo segundo, Lobo Antunes desmentiu-me. Encontrou as palavras que lhe faltavam, e começou a recitá-las: «Domiciano Barrocal Gomes Cavém. José Pinto de Carvalho Santos Águas. Mário Esteves Coluna. Alberto da Costa Pereira. José Augusto Pinto de Almeida. Ângelo Gaspar Martins. António José Simões da Costa.» Assim mesmo, com os nomes completos e sem hesitações. Mais adiante, nessa mesma tarde, António Lobo Antunes haveria de declamar um poema de Dylan Thomas. Mas não voltou a ser tão poético como naquele momento, à frente de uma ficha amarelecida por mais de 60 anos.
Antes de nos despedirmos, ainda registámos uma coincidência. No dia 23 de Maio de 1990, eu tinha 16 anos e estava a chorar em minha casa; António Lobo Antunes tinha 47 e estava a chorar na dele. Claro, Lobo Antunes é um génio, e eu sou apenas, e só quando consigo, eu. Mas, ao menos naqueles minutos que sucederam à final da Taça dos Campeões (duas ou três horas, no meu caso), a minha sensibilidade foi igual à dele. Não é a primeira vez que o Benfica faz de mim uma pessoa melhor, mas nunca deixa de ser surpreendente.
Feito este curto mas importante parêntesis, para a semana voltarei a dedicar-me às grotescas incongruências de Rui Moreira e Miguel Sousa Tavares, que é para isso que cá estou.

Um desastre


Quando se trabalha bem a comunicação de um grande clube, a comunicação de um grande clube dificilmente é susceptível de cair no ridículo aos olhos da opinião pública. Hoje, no futebol, que ganhou como actividade económica importância incontornável nas sociedades modernas, tão importante como o rigor com que se treina e a disciplina e qualidade com que se joga, é a comunicação. O que se diz e como se diz; o que se mostra e como se mostra, e a quem.
Num grande clube de futebol, a comunicação é, pois, vital. Não é difícil perceber isso e há muito que José Mourinho, por exemplo, faz da comunicação parte essencial do seu sucesso. Porquê? Porque foi dos primeiros a perceber, no inicio da década, que quanto melhor dominasse a comunicação mais depressa dominaria o mundo onde se move.
Inteligente, ágil, atento, observador e informado, em matéria de comunicação José Mourinho quase somou apenas dois mais dois: onde vai mover-se cada vez mais o mundo do futebol? Na TV. Ora se é na TV, o que é preciso é, cada vez mais, dominar a imagem e dominar a palavra.
Sem TV, o futebol deixaria de ter importância? Não. Mas a TV amplifica, ilumina e aumente a dimensão das estrelas. Há hoje um mundo real mas também um mundo televisivo. E a qual se dá mais importância?
Dominar a comunicação não é, porém, dominar apenas o que se diz. É dominar quem nos ouve. É saber dizer a coisa certa às pessoas certas. É saber escolher o momento, a forma e o conteúdo.
Não é fácil? Não. Nem está a alcance de qualquer um.
Na verdade, nem todos podem dominar a comunicação como José Mourinho, quem sabe quase sempre o que dizer e quando dizer. Mas é também por isso que os grandes clubes de futebol, ou pelo menos alguns, entenderam chegada a hora de dar realmente importância aos seus gabinetes de comunicação.
Nem todos o fizeram da melhor maneira. Infelizmente, ainda há muito dirigente que pensa que ao gabinete de comunicação compete apenas controlar se o jogador A dá ou não uma entrevista ao jornal B. Um disparate.
No caso do Benfica, que na época passada parecia capaz de seguir uma estratégia de comunicação, o que hoje se vê é a surpreendente facilidade com que algumas das suas mais importantes personagens não evitam cair no ridículo aos olhos da opinião pública. Desde logo o seu treinador mas também o seu presidente.
O treinador porque tem decidido marcar muitas das suas intervenções públicas com frases no mínimo inadequadas ao infeliz momento que a equipa atravessa.
Nem vale a pena dar exemplos concretos.
O presidente porque deixou que fosse criada uma guerra de palavras com o treinador do FC Porto. Alguma estratégia de comunicação de um grande clube pode permitir que o presidente entre numa guerra de palavras com o treinador do clube rival? Nunca. Mas isso, pelos vistos, não é óbvio para toda a gente.
Do que aqui se trata não é de saber se os profissionais que deveriam definir a estratégia de comunicação de um grande clube como o Benfica estão ou não a fazer bem o seu trabalho. Saberão os responsáveis do clube, do presidente ao treinador, entender bem o trabalho que deve ser feito? Claro que o resultado final da comunicação de um grande clube é inevitavelmente cobrado ao director de comunicação. Fica, porém, a pergunta: mas será ele o principal responsável por isso?
No caso do Benfica, a situação é agora tanto mais negativa quanto tem sido negativo o percurso da equipa de futebol esta época, num contraste evidente e surpreendente com a época passada.
Depois de ganhar o título de campeão, o risco aumentou para o Benfica, ao contrário do que muitos poderão ter pensado. Pareceria fácil de entender que o mais difícil para o Benfica não seria chegar, em 2010, a campeão, mas chegar, sim, a campeão em 2011. Desde logo porque a questão de novo sucesso punha verdadeiramente à prova a estrutura de um clube que há anos se debate com fragilidade estrutural, e, em última análise, porque, como diz o lugar-comum tão próprio do futebol, o mais difícil não é chegar lá acima, o mais difícil é ficar lá. Não entender isso costuma ser fatal.
Sabe-se como no futebol, tão difícil como vencer é saber vencer. E saber vencer é saber aceitar as dificuldades, reconhecer os erros e ter a humildade de os assumir em nome de todos. Como compreender que alguém afirme que «poucas equipas no mundo jogam como nós», e, logo a seguir, se procure justificar pela positiva uma exibição confrangedora como a do Benfica em França? Falhou a comunicação e falhou o jogo. Não podia ser pior.
No caso do Benfica, permita-me o leitor que o remeta também para o editorial que, ontem, escreveu neste jornal o seu director («… algo de muito importante terá mudado por dentro que não se vê por fora…») sobre o Benfica em Lyon mas, sobretudo, sobre a inexplicável transformação que tem sofrido «a competência e a personalidade da equipa».
No futebol, disfarçar o indisfarçável é adiar, apenas, o desastre. Exemplos não faltam.

As contas estão bem mais fáceis


O Benfica tem agora as contas da Liga dos Campeões bem mais fáceis: ou ganha os três jogos ou estará fora dos oitavos de final. Assim a matemática fica mais simples. Sem estes resultados e caso não perca o jogo de Telavive, estaria certo o cenário na Liga Europa, ou seja a Europa está aí, falta saber onde. Perdemos com o Lyon porque os franceses foram melhores, não valerá fugir a essa realidade, e no caso de conseguirmos passar aos oitavos de final sempre será de esperar um adversário com valia em excesso para qualquer equipa do nosso futebol. Por vezes há surpresas e nós regozijamos, mas convém saber que são surpresas.
O Benfica que pode e deve aspirar hoje a ser a melhor equipa do futebol português, não é das melhores equipas do futebol europeu, embora deva fazer o caminho sustentado de lá se aproximar. A realidade só pode incomodar quem a não vê, ou aqueles que noutras paragens insistem em viver na ficção. Por mim espero do Benfica uma serena e gradual melhoria, como tem acontecido nos últimos anos.
Novembro só será determinante para o futuro do Benfica, se ganharmos os dois jogos em falta de Outubro (Portimonense e Paços de Ferreira).
Segunda-feira passada no almoço com o embaixador do Chile, o camarote da Luz estava decorado com o número 33, alusivo ao número de mineiros resgatados do fundo da mina. Pois em época de crise era boa a economia caso se pudesse utilizar a decoração para o número de títulos de campeão nacional: 33 é mais que um número é um objectivo.

O estádio Algarve costuma ser talismã, e já embalamos lá para várias conquistas. Contra o Estoril para o título de 2005, contra Sporting e Porto para duas Taças da Liga.
Olegário continua imparável, merecedor de outra homenagem, arbitragem menos conseguida na Taça de Portugal, e expulsão de um jogador do Auxerre em aquecimento no jogo da Liga dos Campeões. Haja personalidade, num imitador de Quim Barreiros.

22 outubro 2010

Sonhei


HÁ dias, tive um sonho. Numa peregrinação onírica aos programas televisivos sobre futebol, usufruí um Tempo Extra que me permitiu um Prolongamento com Mais Futebol para o Dia Seguinte, dei um Pontapé de Saída no Jogo Jogado, entrei na Zona Mista e, para meu espanto, deparei com o Trio d’Ataque. Nessa altura - eu que até sou hipertenso - passei por Pressão Alta. Extenuado acordei de supetão.
Então lembrei-me do que alguém disse um dia: «A inflação acontece quando a mão fica maior que o bolso.» A proliferação de tantos programas comporta o perigo de a forma se superiorizar ao conteúdo. De tanto excesso, desvaloriza-se o valor.
Claro que há bons jornalistas e bons comentadores. E programas para todos os gostos e desgostos: uns sobre futebol, outros nem por isso. Uns antes, outros depois. Uns sobre o jogo, outros sobre tudo menos o jogo. Uns quase científicos, outros humorísticos. Uns divertidos, outros convertidos. Uns clubisticamente anódinos, outros insuportavelmente tendenciosos. Uns de régua e esquadro, outros de opereta bufa. Uns orientados pela razão, outros conduzidos pela emoção.
Mas o que menos suporto, em alguns deles, é a discussão compulsivamente enviesada à volta da repetição dez ou quinze vezes de um tal lance, falta ou golo. Passam-se horas a fio a falar do desamparado árbitro que errou ou acertou, depois de vistos e revistos em slow motion e imagem parada e ampliada, como se a realidade assim fosse. No fim, sobre o jogo - o tal que é jogado - nem uma palavra.
Nestas alturas, suspiro pela próxima Liga dos Últimos que me diverte e me ensina. É que, afinal, o futebol é genuinamente popular e assim deve continuar. No fundo, o regresso às (boas) origens: «O futebol: esse reino de lealdade humana exercida ao ar livre», como, nesse tempo, bem definiu Antonio Gramsci.

Há ‘stewards’ infiltrados!


DESDE que contratou a prima da águia Vitória para sobrevoar o Olímpico de Roma antes de cada jogo, a Lazio está imparável e ao cabo de sete jornadas lidera, isolada, o campeonato italiano com 2 pontos de avanço sobre o Milan e o Inter e com 4 pontos de avanço sobre a Juventus e o Nápoles.
Já em Lisboa, a propriamente dita águia Vitória passou um sábado atribulado apesar de o Benfica ter ganho sem grandes dores de cabeça ao Arouca e ter seguido em frente na Taça de Portugal, como lhe competia, com o devido respeito pelo Arouca.
De acordo com a notícia inquietante publicada neste jornal na sua edição de domingo, o nosso simpático Juan Bernabé, treinador, patrão e psicólogo da águia original, foi intempestivamente impedido de se fazer fotografar com umas crianças que pretendiam levar para casa a prova testemunhal de que tinham conhecido no Estádio da Luz o tratador e o animal, ou seja, a competente dupla que faz as delícias da criançada e dos mais crescidos naquele momento mítico que se repete antes de cada jogo do Benfica em casa.
Os autores materiais do desacato terão sido dois stewards de serviço que, sem boas maneiras, afastaram Juan Bernabé das crianças e, de tal forma o fizeram, que a águia Vitória andou a rebolar pelo chão à vista de toda a gente e o próprio Bernabé se terá desequilibrado com algum estardalhaço.
Mas, afinal, que stewards são estes que a Prosegur manda para o Estádio da Luz perpetrar atentados?
Sem querer embarcar em teorias da conspiração, ou a Prosegur está infiltrada de agentes provocadores ou os stewards em causa são taxativamente sportinguistas que ainda vinham a ferver da última assembleia-geral do clube deles, o que não é de admirar. E por já virem picados um com o outro desde a reunião magna na Nave de Alvalade não se contiveram quando Juan Bernabé, no seu falar espanholado, os cumprimentou com um saludo que lhes caiu mal:
- Boa noite, Costinhas!
E viraram-se a ele que nem leões e aconteceu o que aconteceu, uma tristeza, enfim.
Senhores stewards lagartos, abusivamente infiltrados na Luz, façam lá o favor de resolver esses desaguisados exclusivamente entre vocês, em sede própria, sem a presença de jornalistas, mas não venham para nossa casa atentar contra a harmonia reinante!

ISTO de dizer mal dos árbitros tem muito que se lhe diga. O ideal é o trabalho dos juízes de campo nos ser totalmente indiferente de modo a que nem nos ralemos com as suas más decisões ainda que sejam contrárias aos nossos desígnios. Isto é que é ter classe.
Para ter classe numa matéria destas, tão rasteira, tão primária, há que fazer reunir um certo número de condições que nem sequer são tão fenomenais como se pode suspeitar.
Ainda no sábado passado, por ocasião do Benfica – Arouca para a Taça de Portugal, verificaram-se essa tais condições e quando, já perto do fim do jogo, o árbitro invalidou um golo ao Arouca por claríssimo fora-de-jogo do seu autor não houve no Estádio da Luz nenhum benfiquista que não encolhesse os ombros e não pensasse: Que pena, este pessoal do Arouca que veio até à nossa casa em multidão bem merecia sair daqui com um golo marcado!
Tudo este fair-play porque já se estava a ganhar por 5-0, aquele score que, precisamente, confere uma tranquilidade de espírito, um desapego às incidências do jogo, uma generosidade perante os erros alheios, ou seja, uma série infindável de atributos capazes de transformar o mais irascível dos adeptos num cavalheiro inglês tal e qual aqueles que conhecemos dos romances da Jane Austen ou das irmãs Brontë.
E quando aos 88 minutos, Diogo Santos, na sequência de um pontapé de canto que beneficiou o ataque arouquense, meteu a bola no fundo da baliza de Júlio César e o golo valeu, não houve a mínima manifestação de protesto nas bancadas da Luz. Os três mil arouquenses festejaram bravamente o feito e os quinze mil benfiquistas limitaram-se a murmurar: Pois está muito bem… assim já levam um consolo para a viagem!
E que consolo! O próprio Diogo Santos confessaria no final do jogo que tinha vivido o momento mais alto da sua carreira e referia-se não só ao golo marcado ao Benfica na Luz como o facto, não menos glorioso, de ter recebido como recordação a camisola de Pablo Aimar.
Este pequeno apontamento tirado do Benfica – Arouca não é tão extravagante quanto pode parecer. Encerra, aliás, um ensinamento útil para o que ainda falta disputar internamente na temporada em curso contra adversários mais possantes, equipados de verde, amarelo, azul, roxo ou mesmo de preto e com apito na boca.
É que se o Benfica voltar às goleadas a que nos habituou na temporada passada acaba-se logo com a conversa dos árbitros…
Dá-lhes Kardec!

A UEFA quer instituir umas regras de fair Play financeiro ao mais alto nível das suas competições. Em defesa da concorrência leal e da saúde das tesourarias dos mais importantes emblemas europeus «qualquer clube profissional que tenha gasto mais do que recebeu na época desportiva anterior ficará fora das provas europeias». Vamos ter, assim, um campeonato internacional de défices e de passivos que vai ser bonito, vai…
Embora a UEFA planeie só fazer aplicar estas regras a partir da temporada de 2013/2014, é o caso para se dizer que o Benfica, em comparação, por exemplo, com o Manchester United, já vai muito adiantado no bom caminho a tomar.
Ambos os clubes mostraram-se impressionados com a aventura dos 33 mineiros chilenos e entenderam que deviam fazer alguma coisinha que evidenciasse essa comoção humanitária. O Manchester, sempre dado aos grandes exageros de um clube que acusa 95 milhões de euros de prejuízo, não fez a coisa por menos e endereçou um convite aos heróis subterrâneos para uma deslocação em voo fretado desde o Chile até Old Trafford onde será recebidos como heróis tendo a oportunidade de assistir ao vivo a uma jogatana do United.
O Benfica, com as suas contas mais modestas, fez a coisa por menos. Convidou o embaixador do Chile em Lisboa para um almocinho no Estádio da Luz e ficou logo ali o assunto arrumado.
Será bom que a UEFA atente nestes pormenores financeiros…

QUANTO aos pormenores desportivos, no que diz respeito à UEFA. O Benfica não só não vai nada à frente como também anda a marcar passo. Ontem, em Lyon, pode-se dizer que o Benfica foi o Roberto, o Coentrão e mais 8. Em princípio até seriam mais nove mas como o Gaitán foi expulso…

21 outubro 2010

Não se vê o que mudou lá dentro


Confrangedor ver o Benfica jogar, este ano, na Europa. Sem disciplina e sem chama. Sem critérios verdadeiramente profissionais de rigor, concentração e, pior de tudo, sem estímulos. Quem está de fora, obviamente que não pode entender o que verdadeiramente se passou para alterar, de uma vez, e tão radicalmente, a competência e a personalidade da equipa. Dir-se-á que mudaram jogadores influentes e que foram substituídos por quem, eventualmente, ainda deveria estar a estagiar, com as devidas cautelas de utilização apenas nos momentos mais indicados e que não estivessem sujeitos à pressão do resultado. Mas não foi apenas isso. Algo de muito importante terá mudado por dentro e que não se vê por fora. Jesus saberá, mas também ele parece ter perdido a genica do ano passado, não parecendo, sequer, irritar-se o suficiente quando David Luiz se acha o Pelé dos centrais mundiais e Carlos Martins, o Maradona dos centro-campistas.
De uma equipa que, no último ano, parecia capaz de recuperar a mística do velho Benfica personalizado e ganhador, a uma equipa que tende a copiar a história recente, triste e sem virtudes. O Benfica que antes deslumbrava, agora desilude. O Benfica que antes voltava a chamar a si a atenção da Europa, volta a cair no esquecimento próprio dos medíocres.
Alguém, dentro do Benfica, tem de ter noção e a consciência do que verdadeiramente se está a passar e de, pelo menos, dizer aos jogadores que o campeonato da época passada, ao contrário do que parece pensarem, não era um ponto de chegada, mas de partida. Ou seja: não era uma ponte para o passado, mas para o futuro.

20 outubro 2010

Nuno Gomes. O último trintão da Luz tinha sido o 21


NUNO, que no futebol ganhou o nome do Gomes, que não é o seu, vai nos 34 anos, calça as chuteiras nos jogos considerados de menor pressão, sem, sequer, mostrar ressentimentos, mantendo uma atitude digna de capitão do Benfica.
Vai sendo, aliás, cada vez mais, um embaixador do clube, o homem em quem o Benfica pode confiar uma representação que não trai nem a dimensão nem a responsabilidade a que uma missão deste tipo obriga.
Nuno Gomes assumiu, ontem, que era chegado o tempo de anunciar que, no final da época, deixaria de jogar no Benfica. Disse-o com a clareza e a serenidade de quem sabe o que diz e o que faz. Ele é um dos casos em que o jogador de futebol se submete à dimensão do homem. Não há assim tantos, no futebol português, que nos permita desvalorizar, mais do que a atitude, consciente e sensata, a qualidade humana de pensar pela sua própria cabeça, fugindo a estigmas de comunicação em que, infelizmente, têm caído demasiados protagonistas do futebol.
Nuno gomes atingiu grande notoriedade na sua carreira de futebolista profissional. Teve épocas de altíssimo nível e nunca apagou a sua personalidade no brilho da estrela em que se tornou. Seria bom que, mesmo deixando de jogar, não deixasse o futebol, porque é o futebol que mais precisa de homens como Nuno Gomes, como Vítor Baía, como Pauleta. Não se pode exigir que todos eles estejam condenados a continuar no mundo desgastante e, por vezes, demasiado complexo do futebol, mas que alguns se mantenham e que possam render uma geração que, no seu todo, não foi muito feliz, por tanto apostarem na ideia de que os sucessos valem todos os preços da vida.

19 outubro 2010

À espera de uma vitória honesta



"Estragon Moreira sentado no chão, tenta descalçar uma bota. Não consegue. Tenta outra vez, sem sucesso. Desiste.

EM - Nada a fazer.

Entra Vladimir Sousa Tavares.

VST - O meu amiguinho, como é que está? Quero dar-te os parabéns, pá. Foi preciso muita coragem para fugir do Trio s'Ataque, não te deixaste intimidar pelo Vasconcelos.

EM - Claro que não. Só me deixo intimidar pelos Super Dragões.

VST - Fizeste bem em pisgar-te. Nós não comentamos escutas.

EM - Nunca!

VST - Era só o que faltava!

EM - Não compactuamos com ilegalidades.

VST - E as escutas são ilegais.

EM - Escutas? Quais escutas? Não sei de escutas nenhumas!

VST - Ah, ah, ah! É isso mesmo!

Silêncio.

EM(embaraçado) - Eu já as ouvi.

VST - A sério?

EM - Foi sem querer. Fui ao Youtube procurar uma música da Lady Gaga e quando dei por mim estava a ouvir o Pinto da Costa e o António Araújo a combinarem entregar fruta ao Jacinto Paixão. Fiquei com algumas dúvidas, sabes...

VST - Ó! Por causa de uma frutinha? É uma simpatia. Para proteger o árbitro do escorbuto.

EM - Mas o António Araújo chama-lhe fruta para dormir.

VST - Óbvio! Depois do exercício, o corpo está cheio de adrenalina e custa a adormecer. Antes de me deitar como sempre um Kiwi.

EM - Então não achas que fruta é código para prostitutas?

VST - Claro que não! Conheces alguém que se refira a pessoas como frutas? É absurdo!

EM - Por acaso ainda na minha última crónica chamei melancia ao Quintela...

VST - Apre, Rui! Pareces os nossos adversários! Preferem interpretar uma conversa sobre entregas de fruta a árbitros como corrupção, em vez de a interpretarem como o que é: uma conversa banal sobre bem-estar dos árbitros. Há coisa mais natural do que um presidente de clube preocupar-se com a saúde de um árbitro? Ele até ofereceu uma viagem ao Calheiros, para descansar!

EM - Sim, tens razão. Mas é que...

VST - Ouviste mais, foi?

EM - A ida do Augusto Duarte a casa do Pinto da Costa...

VST - Essa foi explicada: o Augusto Duarte tinha urgência em pedir ao Pinto da Costa para interceder junto do seu pai, para que largasse a amante que tinha em Lisboa. Normalíssimo.

EM - Pelas conversas o Augusto Duarte não tem urgência nenhuma. Nem é ele que quer ir. Até prefere ir ver o seu Braguinha. E trata o Pinto da Costa por «chefe de caixa».

VST - Que é uma expressão carinhosa entre amigos. Nunca ouviste dizer és um chefe de caixa do carago?

EM - Pois. Mas é esquisito: dias depois ele ia apitar o Beira-Mar - Porto.

VST - Que já não contava para nada! já éramos campeões!

EM - Não, ainda não éramos.

VST - Mas tínhamos uma equipa fabulosa, que ia ser campeã europeia. O Baía...

EM - Por acaso dessa vez jogou o Nuno.

VST - O Paulo Ferreira, que vendemos por 20 milhões!

EM - Nesse jogo alinhou o Secretário.

VST - O Deco!

EM - Não, jogou o Ricardo Fernandes.

VST - McCarthy?

EM - Maciel.

VST - Não interessa. Não houve roubalheira. Os 3 juízes do tribunal d'O Jogo dizem que não houve.

EM - Por acaso era 4 e dizem que o Secretário devia ter sido expulso aos 15 minutos.

VST - Não dizem, não.

EM - Dizem, dizem.

VST - Como é que sabes?

EM - Fui ver ao arquivo d'O Jogo.

VST - Mas eu acho que não dizem. Acreditas mais no que vem n'O Jogo ou no que eu digo que vem n'O Jogo?

EM - Em ti, claro. Deixei de confiar n'O Jogo desde que ouvi uma escuta do Pinto da Costa a ditar noticias ao António Tavares-Teles, por causa do castigo do Deco.

VST - Ouviste muitas conversas que não devíamos conhecer...

EM - Como diz um amigo meu, mas conhecemos. Eu também acho que não devíamos conhecer, mas conhecemos. E uma vez que as conhecemos, não podemos fingir que não conhecemos. Eu, pelo menos, não posso.

VST - Que amigo teu disse essa estupidez?

EM - Tu, Disseste ao 1.º Ministro, quando lhe perguntaste sobre as escutas que o envolviam.

VST - É diferente. Uma coisa é o destino do país, outra coisa é o que realmente importa, como o FCP. Aí há que respeitar o direito à privacidade. Lembras-te quando me roubaram o computador?

EM - Sim.

VST - Entrei em casa e estava o ladrão a meter tudo no saco.

EM - E tu?

VST - Antes que conseguisse reagir ele disse então não se bate à porta? Não se respeita a privacidade? Achei que ele tinha razão, portanto saí.

EM - E depois?

VST - Depois bati à porta, mas ele já não respondeu. Deve ter saído pela janela.

EM - Ficaste lixado, não?

VST - Claro. Não gosto de violar a privacidade das pessoas.

EM - Estou a falar do computador.

VST - Ah! Claro, isso também foi desagradável...

EM - Devias tê-lo impedido.

VST - A minha entrada foi ilegítima.

EM - A casa é tua!

VST - Mas a privacidade é dele. Já diziam os Founding Fathers, na Constituição Americana, que uma das verdades que temos como evidentes é que não se podem comentar escutas captadas em investigações sobre corrupção no futebol (eles dizem soccer), mesmo naquelas em que se combinam crimes.

EM - Pensei que isso das verdades tidas como evidentes era na Declaração de Independência.

VST - Ah! Confundi as duas. E agora? Vão dizer que eu, na ânsia de passar por culto e de sustentar os meus argumentos à força, dou calinadas!

EM - Já sei! Falamos com o Pinto da Costa e ele convence o relator da Constituição Americana a fazer umas alterações, para ficar como tu dizes! Como fez com o delegado do Sporting - Porto, que alterou o relatório para o Mourinho não ser castigado!

VST - Genial, presidente da Associação Comercial do Porto, genial!

Entra Godot

Godot - Olá! O que é que estão a fazer?

EM - À espera de uma vitória desportiva alcançada honestamente.

Godot - Ui! Vou-me sentar, então.

FIM"

16 outubro 2010

Batotas que temos como evidentes


“A Constituição americana – até hoje considerada como um dos melhores textos jurídicos jamais escritos – enumera o que os Founding Fathers chamaram de «verdades que temos como evidentes».
Miguel Sousa Tavares
A Bola, 12 de Outubro de 10

Aparentemente, há juristas que lêem a Constituição americana sem o cuidado que é devido a um dos melhores textos jurídicos jamais escritos. Na verdade, não é Constituição americana que enumera aquilo a que os Founding Fathers chamaram verdades que temos como evidentes. Essas são enumeradas na Declaração de Independência, que foi escrita uma boa década antes da Constituição. É, então, na Declaração de Independência que os chamados países fundadores dos Estados Unidos expõem as verdades que consideram evidentes: que todos os homens são criados iguais, que são dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, e que entre esses direitos se contam o direito à vida, à liberdade e à busca da felicidade. Uma das verdades que não é evidente, quer para a Constituição, quer para a Declaração de Independência, é que os cidadãos tenham o direito inalienável de não serem escutados. Como é evidente, todos os cidadãos têm o direito à privacidade – mas esse direito não é absoluto. E a magnífica lei americana permite o uso das escutas como meio de investigação, assim como a lei portuguesa. Que horror! Mas não era a PIDE que também escutava? Era. Se bem me lembro, a PIDE também prendia e, apesar disso, no regime democrático há quem continue a ir preso. A diferença é simples, mas parece que é difícil de entender: a PIDE escutava e prendia arbitrária e ilegitimamente, como é próprio das polícias políticas das ditaduras; a polícia das democracias escuta e prende justificada e legitimamente, como é próprio do Estado de direito democrático. O mais intrigante, no caso das escutas do Apito Dourado, é o facto de haver discussão quando, afinal, estamos todos de acordo. Por exemplo, estou de acordo com Miguel Sousa Tavares quando, depois de José Sócrates lhe ter dito que não devíamos conhecer o conteúdo das escutas do processo Face Oculta, respondeu: ‘Mas conhecemos. Eu também acho que não devíamos conhecer, mas conhecemos. E, uma vez que as conhecemos, não podemos fingir que conhecemos. Eu, pelo menos, não posso’. (http://www.toutube.com/watch?v=R1WI8t7JY6Y&t=08m07s) E estou de acordo com Rui Moreira, quando ontem confessou aqui a razão pela qual comentou as escutas que envolviam o nome de José Sócrates: «(…) limitei-me a não ignorar o que era público, ainda que resultasse de uma ilegalidade. Ninguém se pode alhear do que é público e das suas consequências». A única diferença é que eu tenho esse opinião relativamente a todas menos as do Apito Dourado. Também acho que não devíamos conhecer a escuta em que Pinto da Costa combina com António Araújo oferecer fruta para dormir ao JP, mas conhecemos. E, uma vez que a conhecemos, não podemos fingir que não conhecemos.
Eu, pelo menos, não posso. Quando comento a escuta em que Pinto da Costa dá indicações a um árbitro para que vá a sua casa nas vésperas de um jogo, limito-me a não ignorar o que é público, ainda que resulte de uma ilegalidade. Até porque ninguém se pode alhear do que é público e das suas consequências. Além disso, note-se, até concordo com MST quando diz que as escutas vieram a público nesta altura por causa do Porto – Benfica. O objectivo é prejudicar o Benfica: os jogadores que tiverem conhecimento das escutas ficam a saber que, por mais que se esforcem, se o árbitro estiver trabalhado não têm hipóteses de ganhar. Desmoraliza qualquer um.
Rui Moreira desfez-se em explicações para justificar que comentar umas escutas é um acto legítimo e comentar outras é uma vileza sem nome. Agora que foi despedido, talvez Rui Moreira tenha mais tempo livre para entrar num negócio que gostaria de lhe propor: formarmos um circo. Como ele já aqui tem sugerido várias vezes, eu seria, evidentemente, o palhaço. Ele seria o contorcionista. Não são muitos os artistas que se podem gabar de ter um número tão bom como o dele. A única maneira de Rui Moreira e MST comentarem uma escuta de Pinto da Costa é o presidente do Porto ser apanhado numa conversa telefónica com José Sócrates. Mesmo assim, suponho que fizessem um comentário misto, debruçando-se apenas sobre intervenção de Sócrates reforça a nossa desconfiança nele. Agora temos uma parte do telefonema que não devíamos conhecer e temos nojo de quem a comenta. Agora está Sócrates novamente a fragilizar a sua credibilidade. E agora temos mais uma parte da conversa que é indigno estarmos a ouvir’.
Umas coisas são picardias maliciosas, típicas do mundo do futebol; outra, bem diferente, são ofensas. E Villas Boas ofendeu-me gravemente numa conferência de imprensa que deu esta semana. Disse que as minhas crónicas eram as únicas que gostava de ler porque eu o fazia rir. Sinceramente, creio que não merecia o insulto. Todas as semanas faço aqui o melhor que posso para provocar Villas Boas. Já recorri a tudo: sarcasmo, ironia, escárnio, simples sacanice, E Villas Boas tem a repugnante nobreza de carácter, o asqueroso desportivismo de achar graça. Para ele, se bem percebo, isto do futebol é a coisa mais importante do mundo para todos, mas no fim acaba por ser um jogo de que nos podemos rir juntos, seja qual for o nosso clube. Simplesmente infame. Exijo que passe a ter o fair-play de um Rui Moreira, que gosta muito de piadas desde que não sejam sobre ele. Obrigado.

15 outubro 2010

Esperança em vitórias


Numa semana marcada (confesso a pieguice mas emocionei-me) pelo salvamento dos 33 mineiros presos nas profundezas de uma mina chilena, valeria a pena pensar como o segredo do sucesso está na organização, na coragem, na capacidade de trabalhar em equipa.
Aqueles mineiros encurralados numa situação dramática, souberam aceitar a liderança natural, racionaram a comida, a água e os recursos, motivaram-se para o sonho desejado (muito pouco provável à partida) e conseguiram alcançar o maior de todos os triunfos… a vida.
Quando um deles conseguiu em desespero pedir à mulher que desse o nome de Esperança à filha que iria nascer, gritou ao Mundo o segredo da vitória.
Em tudo na vida é assim, e o desporto não foge à regra. Não serão precisos grandes ‘gurus’ para aprender muito com esta epopeia chilena.
Espero que o Benfica, os seus atletas e profissionais bebam desta mesma fonte inspiradora. Organizados, com vontade e dedicação ao limite, com motivação e esperança os impossíveis acontecem.
Este sábado iniciamos um percurso que espero acabar em Maio a subir a escadaria do Jamor. Eu tenho esperança numa época de vitórias, eu sinto a vontade de um treinador e um grupo em alcançar essas metas.
O Arouca é um adversário perigoso, não ganhou no passado domingo à Académica (Taça da Liga) por mais um erro de Olegário (segundo as crónicas) e treinou com o FC Porto a meio da semana para que a motivação subisse ao limite. Mas o Arouca na Luz e Lyon em França serão dois degraus a mais na escada que estamos a subir.
Sinal dos tempos que merece reflexão o estado dos de Liverpool, um dos maiores clubes do Mundo em história e adeptos corre riscos que por cá poucos acreditam ser possíveis. Mas os clubes também acabam e os muito grandes não são excepção.

14 outubro 2010

Da potência e da Impotência


O futebol ocupou uma posição tal na nossa sociedade que o faz ser mais temido do que o próprio Estado de onde emanam os governantes e as políticas a que nos sujeitam. Tome-se põe exemplo o caso ainda fresco do presidente da Associação Comercial do Porto que abandonou melodramaticamente, e em directo, um programa de televisão de debate sobre futebolistas porque se recusou, em nome dos bons princípios, a comentar escutas ordenadas por um juiz no âmbito de um processo de investigação criminal.
O processo em causa, com o folclórico e colorido nome de Apito Dourado, incidia sobre práticas desleais protagonizadas por um sem número de dirigentes, empresários e árbitros de futebol, sendo que o clube do presidente da Associação Comercial do Porto era, sem margem dúvida, aquele que protagonizava mais práticas desse quilate.
E Rui Moreira, que é o nome do presidente da Associação Comercial do Porto, sentiu-se de tal modo constrangido pela discussão do assunto, que se levantou da cadeira onde estava sentado e foi para casa ofendido.
Não deixa de ser curioso que, a 26 de Fevereiro deste mesmo ano de 2010, o mesmo Rui Moreira não se tenha sentido minimamente constrangido, em nome dos seus bons princípios, a responder a um inquérito do diário I que lançava a seguinte questão: Depois dos episódios recentes relacionados com as escutas e o caso Face Oculta. Mantém a confiança no primeiro-ministro?
Fiquem pois sabendo que o presidente da Associação Comercial do Porto não só não se recusou a responder como até deu uma opinião bastante assertiva e contundente: «O primeiro-ministro tem que ser um factor de confiança perante o exterior e agora acho que passou a ser um factor de desconfiança perante o exterior.»
Embrulha, Zé Sócrates!
Convém, por ser verdade, esclarecer que o presidente da Associação Comercial do Porto não foi o único a disponibilizar-se para comentar as escutas do processo Face Oculta. Foi apenas um de uma lista de 50 individualidades identificadas e com profissões e estatutos sociais tão importantes como os empresários, economistas, sociólogos, escritores, presidentes de associações cívicas, professores universitários, fiscalistas, banqueiros, historiadores, penalistas, médicos, cientistas, militares e, final e inevitavelmente, um psiquiatra que, por sinal, até teria muito a acrescentar à discussão se nos quisesse explicar as razões desta impotência de que padece tanta gente quando chamada a tratar do intratável.
Compreendem agora que não é disparate nenhum concluir que o futebol mete muito mais respeitinho aos seus transeuntes do que a política e os políticos aos seus cidadãos? Perante as belezas e os perigos dos vetustos monumentos da bola nacional e o respectivo cortejo de vénias e de salamaleques aos seus dons e aos seus doutores, qualquer primeiro-ministro não passa de um Zé.
Ah, valentes!

APROXIMA-SE o dia do FC Porto – Benfica, duas potências em conflito. O historial de desacatos, desordens e vandalismos que antecedem o jogo propriamente dito não deixa nenhum dos emblemas superiorizar-se moralmente ao outro.
Estamos nestes casos, sempre e tristemente, perante um caso de polícia sendo que a polícia, aparentemente, tem tanto medo destes delinquentes enfarpelados com as cores dos respectivos clubes, como certos intelectuais e empresários têm medo de comentar as escutas no Youtube, desde que as escutas digam respeito apenas ao emblema do seu coração.
Tendo frescos na memória os acontecimentos da última deslocação do Benfica ao Porto – em que o disparo de bolas de golfe para o relvado se acrescentou ao tradicional reportório de pedradas contra o autocarro da equipa -, Luís Filipe Vieira fez-se receber pelo ministro da Administração Interna e anunciou «uma grande surpresa» dando-se o caso do Vermelhão voltar a ser atacado.
A possibilidade de o Benfica dar meia volta e regressar a Lisboa foi imediatamente aventada e, depois, elogiada ou criticada conforme os afectos de cada um, o que é sempre o pior critério para avaliar situações deste género cívico e que nada têm a ver com a questão desportiva.
E lá voltamos nós à questão da impotência, agora do Estado, responsável pela segurança pública, quando o assunto mete o futebol e logo ao mais alto, ou ao mais baixo nível, como é precisamente o caso. Tal como num jogo de futebol a autoridade máxima é o árbitro, num país a autoridade máxima que vela pela ordem nas ruas, nas estradas e nas auto-estradas é a polícia.
Na noite de passada terça-feira, em Génova, deu-se um caso curioso e exemplar. Estava marcada a realização do jogo Itália – Sérvia, de qualificação para o Euro – 2012, mas o comportamento dos adeptos, nomeadamente os sérvios, foi de tal modo criminoso que o árbitro, um escocês chamado Craig Thomson, perante a incapacidade policial em dominar os vândalos, resolveu suspender o jogo aos 6 minutos por não estarem reunidas as condições de segurança indispensáveis a um espectáculo público.
Não é de crer que a UEFA á condenar o árbitro por ter tomado a resolução do bom senso. Se uma coisa destas acontecesse em Portugal, o árbitro Thomson estava tramado até ao fim dos seus dias...

COM Paulo Bento, a selecção nacional voltou à normalidade. E isto já é dizer muito.

O Sporting queixa-se de ser perseguido pela Comunicação Social que não dá tréguas às mais insignificantes ocorrências do universo de Alvalade. Não tem razão o Sporting porque não há clube em Portugal que se ponha mais a jeito para os comentários dos analistas e até dos humoristas que são sempre os que mais fazem doer.
José Eduardo Bettencourt esforçou-se na última semana a dar entrevistas à RTP e ao jornal oficial do clube e ainda foi a Castelo Branco discursar num núcleo de simpatizantes locais. À RTP repetiu que a equipa de futebol estava «a um clique de distância» do sucesso, o que veremos se vai ou não acontecer, e que, pelos menos, o Sporting «nunca tinha ficado uma vez em 6.º lugar», o que é verdade. Também é verdade que o Sporting nunca ficou 32 vezes em 1.º lugar...
Ao jornal oficial do clube, o presidente regozijou-se pelo facto de já não ver «pessoas a rirem-se com as derrotas no balneário», o que é estranho. E em Castelo Branco afirmou que não podia dizer o que queria «para não ser ridicularizado no exterior».
O que também é verdade. Uma grande verdade.

13 outubro 2010

Pontapé-de-saída – (77,53)


(77,53)! Por momentos, pensei que se tratava de uma citação religiosa, mas logo me lembrei que tais dígitos não se atingem na Bíblia, nem mesmo no Livro dos Números, cujos versículos acabam em (36,13) ou no Livro do Apocalipse, que terminam em (22,21).

Afinal, era bem mais prosaica aquela referência. Tratava-se da precisão de um cronometrista: 77 minutos e 53 segundos, o tempo exacto de uma delirante penalidade. Para o treinador do FC Porto: «Foi óbvia, eu vi-a e os meus jogadores garantiram-me também que foi demasiado nítida.» Sublinho eu: óbvia e demasiado nítida. Tanto que ninguém a conseguiu ver ou reclamar. Já sem qualquer nitidez, dado o espesso nevoeiro, foi o penalty (e 2.º amarelo) de Fucile. Mas aí nem olho de lince, nem cronómetro. Apenas Xistra.

O treinador disse que se indignara não com a expulsão de Fucile, mas por causa do putativo penalty. As imagens são, porém, elucidativas. Não há um gesto do treinador entre os tais 77m 53s e a agressão do jogador do FC Porto. Uma caricata fita de quem não soube encaixar um pequeno desaire! Bem sei que, no dia seguinte, teve a correcção de pedir desculpa, embora tivesse omitido tudo o resto. A evidência era tão avassaladora que não tinha outro caminho.
Umas semanas antes, Villas Boas respondera ao presidente do Benfica, dizendo que «era natural que o entretenimento semanal do campeonato fosse as arbitragens!». Como não se entreteve com o penalty com que derrotou a Naval, os dois penalties na mesma jogada de ataque do Rio Ave ou o braço na bola contra o Nacional, quis agora entreter-nos com a sua visão ao virar da curva dos primeiros pontos perdidos. Uma boa e jovem visão sem miopia, hipermetropia, estigmatismo, daltonismo, estrabismo, treçolho ou o mais danoso e contagioso olho vermelho. Só a contar é que se enganou: afinal os (77,53) são (00,00)...